hoje vou pedir a vossa atenção para as palavras que vou transcrever de um Revolucionário do nosso tempo.
” Antes de tudo, estamos numa revolução. Agora uma revolução não quer dizer desordem nem quer dizer indisciplina. um dos grandes perigos da nossa revolução é a desordem e a indisciplina. não é verdadede que existe no próprio seio das Forças Armadas, devido a questões de ordem política, de ordem ideológica e propriamente até de interesses de classes, porque nós temos de enfrentar isso com toda a clareza! E não sei se todos os camaradas, quando aprovaram aquí as directrizes sobre a opção do MFA pelo socialismo, estavam bem conscientes do que isso representa. Não basta a gente dizer que optámos pelo socialismo. Há toda uma ganga, todo o meio em que nós vivemos, toda a nossa vida, os estratos sociais a que pretencemos e de que nos temos de libertar, se queremos, de facto, optar pelo socialismo e caminhar nesse sentido. Mas mesmo nós, até como somos em larga escala pequenos burgueses, estamos ligados a esses interesses; uns são filhos de pequenos comerciantes, outros são de pequenos lavradores, outros de de funcionários,etc…Nós tambem podemos fazer parte deste tal bloco histórico de apoio. O que é preciso é que tenhamos noção disso, que estas coisas não se fazem por varinhas de condão, nem por milagres, e que se desenrolam todas no seio de uma aguda luta de classes.
Não é uma palavra vâ o facto de aquilo que o brigadeiro Corvacho disse no Porto de que o capital nos move uma luta de morte. A gente ou tem a noção disto ou não tem. se a gente pensa que as lutas entre o Partido socialista e o Partido Comunista são lutas entre o Benfica e o Sporting, então não há dúvida nenhuma que nós estamos afundados e vamos para o fundo. Agora se pensarmos que são lutas muito mais profundas, são lutas através das quais se manifestan as lutas de classes e os objectivos finais dos seus estratos sociais, então já podemos ver com muito mais lucidez essas lutas.
Aliás eu gostaria que me explicassem se o processo viveu muito depressa até agora, como é que poderia ter sido vivido mais devagar, (por exemplo como é que poderia ter vivido mais devagar até ao 28 de Setembro. Como é que poderia ter vivido mais devagar até ao 11 de Março). Penso que agora neste momento estão criadas as condições mínimas para o socialismo. É que nós temos o problema de dominar o processo. Estamos na sua fase de construção, agora sim pê-se essa questão do ritmo e, de facto temos de ter muito cuidado com esse ritmo, porque nós não podemos deslocar a nossa vanguarda daqueles que devem ser a nossa base de apoio, porque ás duas por três, de facto, o pelotão está deslocado da base de apoio.
Transcrevi parte de uma intervenção do General Vasco Gonçalves, na Assembleia do MFA. em 25/07/1975
Companheiro, tu sózinho não és nada! Juntos temos o Mundo na mão
Um abraço do tamanho do mundo para todos!


Camarada,
“Tu sozinho não é nada, juntos temos o mundo na mão”, exacto, um sumário perfeito desta transcrição.
A revolução é hoje!
Continuamos em fase de construção mais avançada, basta-nos afinar fileiras, pois as rotas já estão lançadas. Sempre em Luta!
#Ludo Rex
Nessa mesma altura, enquanto os militantes do PS gritavam “Portugal não será o Chile da Europa!” – lembrados da sorte de Allende no Chile – andava Mário Soares a conspirar com um agente da CIA. Mas sobre essas conversas de nada informava os portugueses, nem os eleitores do PS, nem sequer os militantes do PS, todos igualmente considerados por Mário Soares como menores mentais para compreender a sua política de alianças.
Até o General Eanes, homem de Direita, notou que Soares dizia uma coisa à frente e outra diferente quando estava nos comícios. Sustentar politicamente a coluna vetebral não está ao alcance de qualquer um.
José Manangão
Trazer à luz do dia estes pequenos retratos da Revolução é uma bela contribuição para o blog.
Camarada Manangão
Vasco Gonçalves foi acima de tudo, um homem de uma irrepreensível verticalidade, de uma lucidez como poucos, ele e Álvaro Cunhal, foram a génese da revolução socialista que se procurou na altura como caminho evolutivo para maior justiça social, total representatividade do povo no poder a ser instituído em Portugal.
Contudo, em cantos escuros e por caminho sinuosos, rastejava já o verme imundo que por detrás do nome Socialismo, formado em partido, congeminava o derrube do verdadeiro caminho socialista, traindo e usurpando o nome de Socialismo, o partido socialista, pela mão de Mário Soares, Almeida Santos e outros vermes da mesma pupa, transformou-se na mão dos imperialistas e defensores do “Status Quo”, sendo até aos nossos dias um covil de todo o tipo de excreções políticas, onde a mentira, a deturpação, a manipulação, o jogo de influências e as perseguições sistemáticas a quem trabalha e a quem os combate, são o seu mote político e, a herança de um cobarde.
Obrigado camarada Manangão, por nos teres trazido palavras de uma sanidade política, como poucas vezes se encontra num oficial de carreira como foi Vasco Gonçalves.
A Revolução está em marcha, junta-te a ela e juntos mudaremos este Portugal dando o mote ao Mundo!
Ouss
#Sensei
Pois é!
O que é facto é que foi nesse periodo considerado tenebroso, do Governo liderado pelo General Vasco Gonçalves que a maior parte dos Portugueses pode ter as primeiras férias a sério, comprar um electrodoméstico, etc…
Não falo da pequena burguesia, falo dos operários.
Falo do domingo em que toda a gente veio trabalhar para ajudar o país, quem estava reformado varria as ruas, tratava dos canteiros, todos num espirito de entre ajuda, de festa.
Eu tinha 7 ou 8 anos, mas guardo esse clima de festa dentro de mim.
Obrigado por esta janela no tempo!
#Ana Camarra
Quando há integridade, mais cedo ou mais tarde ela acaba por ser reconhecida e içada como uma bandeira. Não creio que Vasco Gonçalves alguma vez tivesse tido um programa político a cumprir, mas era um revolucionário, talvez o único revolucionário que esteve no poder em Portugal que procurava encontrar o caminho por onde levar a revolução a bom curso. Claro que foi apelidado de comunista, embora fosse um militar de Abril que eticamente teve que gerir os ânimos do pleno período revolucionário, conforme ia enfrentando os problemas com que se confrontava a revolução. A muitos ainda apavora o “temível gonçalvismo”, período em que a revolução socialista esteve para se efectivar, vindo a sofrer duros golpes ainda hoje mal esclarecidos que viriam a culminar tragicamente no golpe contra-revolucionário do 25 de Novembro.
Quanto a Mário Soares, amigo de Carlucci,comprometido com o imperialismo americano, quando aterrou em Lisboa já trazia consigo os planos que levariam Portugal a alinhar-se com o capitalismo europeu, sem o povo ter sido consultado sobre a entrada de Portugal para a CEE e, ainda por essa via, continuou a enganar o povo oferecendo-lhe uma Europa de bandeja que já nessa altura trocava fundos por compromissos de destruição da reforma agrária e dos meios de produção nacionais, abrindo portas ao processo de dependência do exterior de que ainda hoje sofremos mais do que de tudo.
Por isso um há-de ser sempre intocável, na sua integridade; enquanto o outro será sempre por muitos lembrado como um grande troca-tintas com muito paleio e diplomacia, um verdadeiro “político” na pior acepção da palavra, que se fez passar por socialista mas que, com o socialismo definitivamente metido na gaveta, fez o jogo do capitalismo e aparou os golpes dos americanos. Mário Soares é um contra-revolucionário por excelência e o seu “socialismo” é um neo-liberalismo de pacotilha onde ainda hoje estamos embrulhados. Pode-se considerar que Soares é um traidor que vendeu a pátria e que se agarrou ao poder enquanto pôde, de um péssimo primeiro-ministro que foi até o mais que pode na presidência, magnânimo e soberbo, sempre odiando militares e comunistas, porque nesse período conturbado estes souberam fazer-lhe frente. E Vasco Gonçalves será lembrado como um homem de bem que se entendia com o povo (Força, força companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço) e que falava com o povo, de forma que o povo compreendia, o que é apanágio dos verdadeiros revolucionários. Exerceu o cargo político e retirou-se dos lugares de poder porque ao contrário dos outros não era um homem do poder, não era um político profissional, como o outro, era apenas um militar que em defesa da revolução procurou cumprir o seu mandato, o melhor que soube e o melhor que pôde.
# Kaótica
Amigos e camaradas
Vasco Gonçalves falava para o Povo, percebia o Povo, o Povo entendia-o, para ele tanto valor tinha o tipo que comia caviar como o gajo que trincava uns tremoços, era um verdadeiro Homem de esquerda, sem tabus, frontal e descomplexado, era ele mesmo.
Falei com ele duas vezes, uma aqui na terrinha e outra em Évora, corria o ano de 1975, a “coisa” que mais me impressionou foi a sua inteligência e fundamentalmente as ideias que tinha sobre o futuro de Portugal.
Mário Soares é/foi um profissional da política (não vou à bola com eles), um tipo que enganou meio país, que se governou a si e aos seus, como 1º ministro vendeu-nos ao FMI, à CIA e aos USA’s, como presidente da república foi o mesmo dos outros, passeatas, comezainas, discursos de ocasião para justificar o ordenadito e pouco mais. Um chuleco da política.
Abraço
#ferroadas
Camaradas e companheiros
CRN
Vasco Gonçalves, fez a sua parte, entregando ao povo, o que ao povo pertencia, só que, apenas uma parte do povo acreditou, e foi pena camarada!
Abraço
LUDO
Os politiqueiros que nos DESgovernam (há trinta e tal anos),em relação ao povo, fazem-me lembrar o conto do vigarista do vigéssimo premiado, que me dispenso de contar por pensar ser do conhecimento geral.
Abraço
António Ferrão
Este trexo que transcrevi,faz parte do livro “Discursos conferências de imprensa e entrevistas de Vasco gonçalves”. Pensei ser a altura própria para avivar a memória aos portugueses menos atentos ou avisados.
Abraço
SENSEI
Penso que os livros representam o pensamento dos seus autores, este não foge à regra e a sua contribuição, penso seja muito importante para melhor compreenção de tudo quanto se passou. Tenho-o para mim como um livro de consulta da história recente. Quando o consulto,encontro sempre resposta para aqueles que não compreenderam o trabalho revolucionário de Vasco Gonçalves, ou porque a ilusão do poder tóxico foi mais forte, e os convenceu a cavar a sua própria sepultura, o que não me admira :-“se o povo que lava no rio e talha com seu machado, as tábuas do seu caixão”, tambem pode cavar a sua sepultura.
Abraço
Ana
É verdade camarada, muita gente que denegriu e caluniou o trabalho, do grande
Revolucionário, que foi Vasco Gonçalves, Ecaso para perguntar-lhes, se rejeitam o subsidio de Natal, o subsídio de férias, e os dias de descanso, por ele instituidos!
Bjos camarada
Kaótica
Os herdeiros naturais do legado (ideais) Revolucionários de Vasco Gonçalves, são o PCP/CDU, penso que não restam duvidads a ninguem sobre isso, …e se alguem tiver dúvidas, é porque ainda não aprendeu a lição. Basta constactar o ódio visceral da imprensa escrita e falada, e a luta de morte, que movida pelo grande capital, e ainda por quem não devería. Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal, foram dois grandes Revolucionários do Século XX, – só vencidos por uma super potência imperialista e a ajuda dos seus traidores de serviço
Abraço
Amigos, sózinhos não somos nada! juntos temos o Mundo na mão!
Abraço do tamanho do mundo para todos.
Manangão,
Bem trazida esta lembrança. Na altura era eu um bebé no sentido literal da palavra.
Pelo que tenho lido, parece que o Povo – iliterato e analfabeto promovido por um Estado facista – não estaria preparado para compreender a sua ideia na plenitude.
A juntar esse ” animal político” que com as suas ajudas externas conseguiu tão bem moldar a população que ainda hoje não consegue sair do marasmo criado na época.
Abraço,
Zorze
Ferroadas
Onde estaría o povo e os revolucionários enquanto tudo isto acontecia? sabes tão bem quanto eu onde estava Otelo, o talque metia os fascistas todos no campo Pequeno, e outros que tais, que nos governos de Vasco Gonçalves, Queriam mais e mais rápido (eu ainda conheço alguns, que me chamaram de revisionista ) eram nessa altura da UDP, hoje estão bem instalados. Companheiro eu militei a sério, aprendi a ler os gestos e a troca de olhares, recusei fazer parte do assalto a embaixada de espanha critiquei a ocupação da RR, não fui revolucionário para ocupar o tempo, fiz directas, deixando a companheira em casa com os filhos.Não estou a cobrar nada seja a quem for, apenas quero que saibam, aquilo que me diz a voz da minha experiência, só unidos conseguiremos, vencer.
Abraço
Zorze
A revolução portuguesa nunca foi fácil, tantos foram os golpes, das forças contra revolucionárias, porem enquanto existiu eo equilibrio das forças militares, foi possível suster os golpes, por mais que nos quizessem fazer acreditar que os militares eram apolíticos, a verdade é que eles estavam melhor politizados que o povo, e isso foi bem visível logo nos primeiros actos eleitorais. A grande verdade é que a direita consegue unir-se, e ganhar o bolo, e aesquerda como não consegue unir-se continua a come as migalhas.
Só o voto na CDU poderá abrir caminho á luta para que dias melhores possam surgir.
Companheiro, tu sózinho não és nada! Juntos temos o Mundo na mão!
Abraço do tamanho do mundo para todos.