É a nova palavra de ordem da burguesia mundial e da burguesia francesa (com um Sarkozy à cabeça). Constatemos que o conjunto dos dirigentes políticos, da esquerda como da direita, na Europa e em França, se converteram ao papel de bombeiros em defesa da casa do «capital».
Algumas centenas de biliões de dólares, de euros e de ienes foram facilmente levantados para combater as brechas de um sistema em agonia.
Ao contrário, lembremo-nos das circunvoluções destinadas a encontrar «três francos e seis cêntimos» para financiar a renda de solidariedade activa [apoios concedidos pelo Estado].
Posto isto, para retomar as nossas análises, são mais de 360 biliões de euros que foram imediatamente encontrados para segurar um sector bancário comprometido com as operações mais do que duvidosas, lembrando a negociata do Crédit Lyonnais.
Os dirigentes destes bancos nem sequer são convidados a prestar contas. Eles continuam a embolsar os seus chorudos ordenados como se nada fosse. Velho método bem francês do «bode velho», alguns sendo mesmo premiados com uma promoção.
Muitos observadores dão relevo à amplitude da paranóia, projectando-a nos decénios passados, marcados pelo cunho do liberalismo selvagem dos anos Thatcher-Reagan.
Os pára-quedas dourados, em dólares para uns, em euros para os outros, divertiram a crónica, ainda recentemente.
O caso da EADS, com os seus delitos de iniciados e a mina de ouro outorgada aos seus dirigentes estão na memória de todos. E não se trata senão da ponta do icebergue. O futuro reserva-nos sem dúvida outras surpresas.
Antigamente, diziam-nos: «É preciso recompensar os talentos e as competências.»
O bravo operário, no domínio que é o seu, nunca foi o objecto de uma tal delicadeza, mas sim acusado de não trabalhar o suficiente.
Todas as super-estruturas estão hoje gangrenadas. A divulgação de certas situações ultrapassa o entendimento, quer se trate de meios financeiros, económicos ou industriais.
O mesmo se passa nos meios de Comunicação social, no desporto ou no espectáculo.
No actual contexto, onde os paraísos fiscais se converteram nos gerentes de todas as fortunas acumuladas por alguns, nas piores condições ilegais, e inclusive recorrendo ao crime, isso parece provocação.
Em face desse mundo, tratando-se apenas da França, mais de sete milhões de mulheres e de homens vivem abaixo dos níveis de pobreza, todos ocupando um emprego relevando o mais das vezes da precariedade.
As restrições do crédito bancário, independentemente do que dizem Sarkozy e os seus ministros, perduram, apesar dos presentes injectados no sector pelo Estado. Já é mais que tempo de pedir contas a todos esses aproveitadores, antes que seja o próprio povo a fazê-lo.
Os assalariados e suas famílias, tendo penosamente investido na compra de um apartamento ou na construção de uma barraca, estão presos pela garganta. Depois do escândalo à americana do «subprime», a França arrisca-se – mais cedo ou mais tarde – a encontrar-se na mesma situação, nem que seja pela subida do desemprego.
O capitalismo financeiro (hoje emprega-se a expressão «indústria financeira») não é senão a metamorfose de um sistema global. Este sistema, nunca é demais dizê-lo, assenta sobre a propriedade privada dos meios de produção, sobre a extracção da mais-valia e sobre uma acumulação tornada cada vez mais fictícia, em consequência da crise mundial do poder de compra que afecta as massas trabalhadoras proletarizadas.
A crise atinge hoje o mundo inteiro, afectando a economia real com uma subida de desemprego confirmada pelo director da OIT, Juan Somavia. Todos os sectores são visados.
Os últimos dados estatísticos mostram um colapso da produção industrial e manufactureira, que são as bases materiais da economia.
Ninguém é capaz de prever as consequências políticas resultantes desta situação.
Certo é que a história não se repete.
Falta que, neste contexto, o movimento operário se organize no seu terreno de classe, para construir uma barreira sólida em face da destruição bárbara que pode ser gerada pelo caos. O que ultrapassa a «salvação do capitalismo».
Artigo de Roger Sandri traduzido da Info Inter nº. 312 de 18/Novembro/2008
# Kaótica


Kaotica,
Para nascer outro sistema organizativo, este terá que colapsar.
Apesar das injecções de capital que se vão fazendo um pouco por todo o mundo para oxigenar o actual sistema, está-se a constatar, como se previa que, já não há cura. Este dinheiro “derrete-se” rapidamente e os bancos precisam de mais.
Aparentemente julga-se que estão a resolver o problema, mas, estão só a adia-lo. Estão a encher um balão que um dia rebentará nas mãos de todos nós.
Beijos,
Zorze
Este sistema está morto há muito tempo… Só agora deram por isso, alguns.
Excelente este artigo que aqui nos trazes. Organizemo-nos e actuemos já!
Kiss
Ludo,
Não faças extremas unções antecipadas enquanto o bicho ainda esperneia. Não gastes já os foguetes.
Nos últimos anos temos assistido de forma mais real às garras cortantes deste sistema.
O brutal aumento do desemprego, o aumento da precariedade laboral e o crescendo subserviente das chefias intermédias.
A distribuição da riqueza é a maior do que alguma vez se tinha visto. Grande parte dela criminosa em conluio com Estados permissivos e colaborantes.
O tráfico de droga e de seres humanos não pára de aumentar. Putas que fazem broches a dez euros a qualquer esquina.
Consumimos aqui mais calorias num jantar que uma aldeia inteira no Chade ou na Coreia do Norte num mês.
Morrem crianças no Bangladesh e no Sri Lanka de diarreia e no outro lado do mundo desencantam-se miles milhões para a manutenção de um sistema que tarda a ir-se.
O que preocupa, é que o colapso deste sistema que ainda vigora vai apanhar, como sempre, as zonas mais frágeis da sociedade. Serão indubitavelmente os que mais sofrerão e perecerão.
Existem contradições, à primeira vista, irresoluveis.
O que é bom para o agente funerário não é bom para o comum dos mortais e vice-versa.
O que é bom para o Leão não é bom para a Zebra e vice-versa.
Será com muita inteligência e com muita purga (que necessáriamente terá de haver) que teremos de lidar com as mudanças que aí virão.
Abraço,
Zorze
Segundo diagnóstico da IV Internacional,vivemos neste momento uma situação pré-revolucionária.Não me custa a imaginar que o capitalismo está mesmo a bater no fundo. Toda a sua violência é já manifesto desespero na agonia. Ainda vivemos numa fase de luta de classes, ainda existem exploradores e explorados, aliás cada vez existem mais exploradores e mais explorados. O mundo não é gerido em conformidade com a distribuição justa dos seus recursos. Não há planeamento no consumo nem moderação. Desta forma todos contribuímos para o actual estado do planeta. Neste momento já os recursos deviam estar a ser geridos de uma forma racional, tendo em conta que existem novas gerações. Mas o que é bom para a nossa geração não tem que ser necessariamente bom para as vindouras, que pagarão a factura e apagarão a luz.
É urgente que este sorvedoiro páre, se refreie. Em plena crise mundial, bancos enviam cheques para casa das pessoas, os quais basta descontar para se obter o dinheiro. Isto sim é dinheiro fácil! E as pessoas já endividadas, desesperadas nem pensam duas vezes, toca para a frente de contrair nova dívida. Nos EUA há uns anos descobriu-se que as famílias endividadas já não poderiam em tempo de vida pagar as suas dívidas. Solução encontrada: dar-lhes mais crédito, convidando-as a endividarem-se mais ainda, perdido por 100, perdido por 1000. Mas então quem paga? Onde vai estoirar esse buraco? Nem mais, foi nas mãos da nossa geração que pôde ainda agora assistir de camarote é eclosão do sistemas financeiro. A Islândia, um dos mais ricos, declarou bancarrota!
Às vezes penso que tudo isto não passa de uma armação em larga escala, um plano para os Estados canalizarem os dinheiros públicos para os privados, um roubo descarado, em nome da salvação do capitalismo, o qual gerou toda esta situação. Entretanto pasmo como há um sistema montado da direita até à esquerda que pactua com o capitalismo, como se temesse que a seguir pudesse vir outra coisa pior. Julgo que ainda hoje há muito boa gente que tem um medo enorme do passo em frente numa qualquer outra coisa que não esteja instituída. Estaremos realmente tão presos à realidade que já não consigamos pensar em formas de realizar a utopia?