No passado dia 10 de Dezembro realizou-se em Genebra, na Suiça, a terceira Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Em 2008 iniciou-se a aplicação do mecanismo do Exame Periódico Universal (EPU). Trata-se de um mecanismo para analisar a situação dos direitos humanos em todos os Estados membros do Conselho. Os 192 países, à média de 48 por ano, serão objecto do EPU. O que significa que cada estado será examinado de 4 em 4 anos.
1. A Colômbia foi um dos países em exame em 2008. Contrapondo-se à visão do governo deste país mais de 1.200 organizações sociais e ONG de direitos humanos apresentaram um extenso relatório. Nele se faz um balanço demolidor aos 6 anos de regime de «segurança democrática» do Presidente Álvaro Uribe. Os factos e os números falam por si.
Desde 2002 mais de 1 milhão e 750 mil colombianos foram deslocados à força, num total de 4 milhões de deslocados internos. Entre Julho de 2002 e Dezembro de 2007, pelo menos 13.634 civis (7 por dia…) perderam a vida, à margem de quaisquer combates, em consequência da violência sociopolítica. Destas 13.634 pessoas, 1.477 «desapareceram» de forma violenta. Em 8.049 casos o autor das violações é conhecido: 75,4 por cento são responsabilidade do Estado. Seja por actuação directa dos seus agentes – 1.411 vítimas, 17,53 por cento. Seja por tolerância ou apoio às violações cometidas por paramilitares – 4.658 vítimas, 57,87 por cento. O número de desaparecidos ronda os 30 mil.
Os atentados à vida, à liberdade e à integridade física dos sindicalistas na Colômbia atingiram o número de 2.402. O assassinato de mais de 430 dirigentes sindicais só na vigência do actual governo, demonstra que não existe uma mudança estrutural na violência anti-sindical. O país é campeão do mundo em assassinatos de sindicalistas e de jornalistas: mais de metade dos sindicalistas assassinados em todo o mundo. Mantém-se a violência política contra os povos indígenas. Mais de 1.750 vítimas membros das suas comunidades são a prova.
A situação de pobreza afecta 66 por cento da população colombiana. A indigência atinge outros 8 milhões de pessoas. A Colômbia ocupa o terceiro lugar nos índices de maior desigualdade na América Latina, depois do Haiti e do Brasil.
2. As notícias mais recentes não alteram o quadro neste país da América Latina com uma superfície ligeiramente inferior à de Angola e com mais de 45 milhões de habitantes.
O Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, enfrenta há meses uma crise política grave. Sessenta parlamentares da sua base de apoio estão presos ou incriminados num escândalo de corrupção, ligações com o narcotráfico e os paramilitares. Tem um primo e conselheiro político, Mário Uribe, preso pelos mesmos motivos. O Supremo Tribunal contesta a legalidade de sua reeleição em 2006, obtida mediante a compra de votos confirmado pela confissão da ex-parlamentar Ydis Medina.
Mais recentemente o Presidente não conseguiu abafar outro escândalo provocado pela revelação de que o Alto Comando do Exército esteve envolvido no assassínio de jovens camponeses. Os seus cadáveres tinham sido apresentados à comunicação social como sendo guerrilheiros abatidos em combate. Soube-se depois que, numa tétrica e miserável encenação, lhes tinham sido vestidos uniformes das FARC. A indignação popular foi enorme. Os seus ecos chegaram ao Congresso. O comandante-chefe do Exército, general Mário Montoya, bem como 27 oficiais e sargentos implicados no crime, foram forçados a demitir-se.
Como já aqui escrevi, dizer que o governo Uribe é o mais à direita da América Latina dá apenas uma pálida imagem do seu posicionamento político e ideológico. O EPU das Nações Unidas confirmou-o.
António Vilarigues in jornal «Público»


Pena… que a grande maioria dos cidadão seja embalada na novela da tonta da Ingrid Bettancourt e não leia isto!
exactamente, samuel, esse é um dos problemas as pessoas, mesmo as que se consideram informadas andam iludidas, sonambulas
Desejo a toda a equipa do Cheira-me a Revolução, boas festas; que esta epoca seja de renovação de forças para que a luta que aí vem possa ser verdadeiramente eficaz
saudações revolucionárias
a revolução era para ontem!
António,
Constatamos ainda que, não se verificou qualquer penalização a esta ditadura, que sem motivos continuamos a aceitar um embargo a Cuba, que as fantochadas estão na ordem do dia mas que – da mesma forma que no nosso país e com relação a pessoas em lugar de paises – no âmbito internacional, a vassalagem à mentira norte-americana constitui credencial no relacionamento diplomático e nos apoios a regimes assassinos, esclavagistas, racistas e, fundamentalmente, classistas.
A revolução é hoje!
Notícias assim a mídia espúria e venal não publica. Se o fizerem estão depondo contra eles.
Bom domingo.
Essa triste realidade da colombia.
Só de pensar que tudo e todos estão de acordo que o narco-tráfico tem sido a base de sustentação de esta guerra pelo poder, e que nada nem ninguem põe termo a estas barbaridades… fico com a revolta a roer-me as entranhas.
Para quando o isolamento político desta gente?
Para quando o embargo mundial a este país?
Para quando a verdade?
Para quando o auxílio aos povos oprimidos?
Para quando uma acção conjunta para derrubar este fantoche?
do vale um abraço.
companheiros:
o uribe é o menino de recados dos eua na colômbia.nada
mais.
romério
http://romerioromulo.wordpress.com
Os grandes impérios mass-media filtram a verdadeira informação, mantendo regimes criminosos como credíveis. A manipulação informativa em que vivemos actualmente é gigantesca.
Abraço,
Zorze
Pois é. Aliás o título do artigo esteve para ser «E se fosse na Venezuela?…» (ou na Bolívia, ou no Equador, ou em Cuba, ou…) a comunicação social dominante também se silenciaria?
Advinhem a resposta…
Adivinhem, obviamente
António Vilarigues sempre certeiro. Cada uma das suas crónicas é um Ás de Espadas.
Contudo a nossa Assembleia da República, exultou o regime colombiano, pela libertação da Ingrid Bettancourt, como se este fosse um regime de direito e pleno de democracia e, condenou as FARC, que lutam contra este regime nazi de Álvaro Uribe (a soldo dos EUA), com os votos a favor do PS e a sua sucursal o BE, do PSD, do CDS-PP, mas com os votos contra do PCP e dos Verdes (coligação CDU).
Eventualmente, esperarão os nossos dirigentes do PS, caso ganhem as eleições em 2009, a pensar efectuar um pacto com Álvaro Uruibe, para que este ceda alguns dos seus assassinos especializados, no assassinato de sindicalistas e, jornalistas inconvenientes, ao processo de integração plena no neoliberalismo, a que Portugal foi prostrado de quatro, aos pés dos Bilderberg, pelas patas imundas do PS/D-PP.
Colômbia de Álvaro Uribe!… Ora aqui está, o paraíso almejado pelos nossos membros do partido alegadamente socialista e social-democrata, mas de que estarão à espera?!…. MUDEM-SE JÁ!… DE VEZ!
Já agora deixo aqui um trecho, de uma notícia, referente a um candidato ideal para emparelhar, como se de uma junta de bois se tratasse, com Álvaro Uribe, a besta do Alberto João:
“O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, criticou a justiça portuguesa e o Ministério Público por alegadamente permitirem que representações da FARC marquem presença todos os anos na festa do Avante do PCP.”
Ouss
Enfim, por toda a América Latina acendem-se focos de esperança no futuro, na Colômbia é mantido esse regime com Uribe á frente mais um fantoche.
Quanto a ONU ocorrem-me muitas coisas que não digo por decoro.
Digamos que a ONU é patrocionada por um país, tem sede nesse país e como tal tem uma acuidade visual e auditiva muito selectiva, só vê e ouve o que quer….
Beijos