Hoje em dia, o focus é a opinião pública. Mas essa opinião não é a sua, num universo maior ela é laboriosamente fabricada, manipulada e ajeitada para que se pense que também é a sua. Depois de interiorizada você passa a defende-la e nalguns casos com paixão. Seja religiosa, política ou na área desportiva. O ser humano tem pavor de ficar sozinho, um dos medos que não consegue metabolizar.
Logo integra-se. Diminui a sua liberdade, aponta ferozmente, noutras ocasiões serenamente a manipulação dos outros. Os outros que não compartilham a sua razão, que evidentemente, de que sua é a melhor. No curso de suas curtas existências físicas, muitos mudam de grupos. Questionam, reflectem, aprendem com suas próprias experiências pessoais.
A questão, não é, se para melhor ou para pior.
A questão é que vivemos em guerra desde que o homem se apercebeu, que tomando o controlo de recursos naturais, do conhecimento e até de recursos que ele próprio dá o valor. Constatando por análise histórica que a guerra já existia antes de ele cá estar. A guerra da sobrevivência.
No desenvolvimento da sua inteligência complexizou os modos de interagir a um ponto quase infinito e sempre em crescendo.
Aqui entram as operações psicológicas. A tentação de controlar em absoluto a mente humana. Demanda que transporta para uma certeza inevitável. Os imponderáveis levam ao mais infinito.
O que nos leva a outro patamar. Aquela fronteira, onde a maior parte volta para as suas zonas de conforto. Os pseudo-sonhos que nunca os levaram a nada, a teorias florais semi-paradisíacas, ou cruelmente falando a cenoura à frente dos olhos e a enferma esperança. É assim há séculos e séculos. Vida após vida. Com mais ou menos poesia e inspiração de momento.
É a concepção que tem de ser olhada, com olho de ver. É essa que tem de ser destruida. Para que os nossos netos não nos voltem a lembrar de nós à volta de uma fogueira com guitarra e música. Mais uma vez. Cantando as vicissitudes de um mundo injusto.
O importante não é saber as siglas e os nomes dos grupos que enviam inúmeras lebres para dar a ilusão de escolha. Não é só um País sozinho que obterá a mudança.
Para quem não entenda como funciona a economia mundial, o mercado monetário, as transacções comerciais e o mercado creditício inter-bancário. No ponto temporal que vivemos é demasiadamente fácil bloquear um País inteiro, demasiadamente fácil. Agitar, baralhar, desorganizar e por fim controlar.
Até quando batalhar contra os moinhos de vento? Para quando o despertar para a realidade?
Com pão de trigo e linguiça, alguns vendem-se, outros desesperam.
Por isso a via ainda não controlada pelas elites actuais, que com as suas cada vez maiores multinacionais que fragmentam todo o processo produtivo em várias partes do mundo, gerindo melhor, laivos de revolta pelo cada vez mais Homo Manipulatus. A tal via ainda não controlada e que talvez mais assusta. A consciência do ser, parte integrante do Universo, tomando conhecimento que ele próprio é um Universo e que pode ter uma palavra a colocar, a questionar, sem melindres, livre no seu pensamento. Ganhando capacidade de discernimento de purgar o que está errado para ele, está mal para os outros e para o meio-ambiente que o envolve nesta singela etapa temporal de existência e dessa forma adquirindo experiência para outras, num processo constante de maturação.
” As operações psico-politicas subdividem-se em operações psico-políticas estratégicas, que concentram a propaganda em pequenos grupos de pessoas como, por exemplo, académicos ou especialistas, capazes de influenciar a opinião pública, e operações psico-políticas tácticas, que concentram a propaganda nas massas, por via de meios de comunicação em massa – jornais, rádio, televisão, manuais, material educativo, arte e entretenimento (Ways and Means of U.S. Ideological Expansion – A. Valyuzhenich, Fevereiro de 1971).”
Há coisas que o infantil ser humano desconhece, derivado de sua manifesta incapacidade cerebral apesar de muito bem disfarçada.
Zorze



Zorze,
Neste momento, olhando para a capacidade intelectual da espécie humana, poderia considerar que nos falta desenvolver até ao infinito.
A manipulação, aliada à alienação, à opressão, à ditadura do nepotismo, da submissão, do esclavagismo. Noutra dimensão, do corporativismo, da corrupção, da clivagem por diferentes motivos, mas, sempre promotora de uma realidade de classes, leva muito povo; mesmo pela fome, a vender-se por um pão com linguiça.
Poderemos continuar a procurar aquilo que só encontramos dentro de nós, e, pode ser que a questão também passe por aí, assumir que essa realidade sonhada é sonhada por todos, como para todos se define como positiva (que não positivista), mesmo quando olhamos a do nosso vizinho. Não será tempo de romper as amarras do preconceito deparando-nos, finalmente, com a inusitada experiência de fundir o desejo, utilizando essa energia para iluminar um caminho que só se entende fructifero enquanto comum?
Venezuela ou União soviética, hoje e ontem, dão e deram, ao homem, a possibilidade de acreditar que sim, que é possivel uma vida melhor. Outros muitos países o fizeram, degenerando, cometendo erros sistemáticos, mas não é a evolução isso mesmo?
Até Outubro poderemos ganhar a força necessária para mudar, essa força está em nós, vamos abraçar o mundo ou esperar que ele nos abrace?
Vamos denunciar a mentira imperialista, a mentira de que somos prescindíveis. Sem nós, povo, a acumulação é mentira, o capitalismo é mentira, a concentração de poder é mentira, vamos olhar para dentro, como classe, só assim nos daremos conta que, só nós podemos transformar o mundo, afinal somos natureza, ainda que por vezes pareça morta.
A revolução é hoje!
Zorzito
Não me considero menos livbre por ter tomado uma opção politica, tomei-a em Liberdade e consciência.
Como pessoas somos um formigueiro, eu Ana, sózinha, não mudo o mundo, assim em conjunto posso ir mudando qualquer coisa, tirando as pedras do caminho.
A Guerra é uma gaita, tens um pouco de razão, eu sou uma mulher pacifica, a acção mais desconcertante consiste em arregalar os olhos…
Temos de ir desmontado as coisas pouco a pouco, por vezes parece lento, quase parado, mas não é, á minha avó e a minha mãe não podiam votar, abrir contas, viajar para o estrangeiro sem aval do marido ou pai.
Eu posso.
O povo na idade Média era como gado, propriedade do dono da terra, hoje nem tanto.
As coisas vão mudando á conta de lunáticos como nós que tentam mudar o mundo…e mudamos.
Beijos