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Archive for the ‘revolução’ Category

Ouss

Master Sensei San

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(Para uma versão com música cliquem aqui! )

Para breve também na Madeira!

Sofia Vilarigues
http://eco-fenix.blogspot.com/

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A PARTIR DE JANEIRO DE 2011, A PETROGAL – GALP APESAR DE TER JÁ AUMENTADO O PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS AGORA EM DEZEMBRO DE 2010, PREPARA-SE PARA AUMENTAR MAIS E COM UM NOVO IVA OS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS EM 2011.

É VERGONHOSO O QUE ESTA EMPRESA SEM ESCRÚPULOS E DE ÍNDOLE IMORAL TOCANDO A FRONTEIRA DO CRIME SOCIAL, VAI FAZER AUMENTAR TODOS OS BENS ESSENCIAIS DADA A LOGÍSTICA PORTUGUESA ESTAR CENTRADA EM ESTRADAS EM VEZ DE CAMINHOS DE FERRO.

DESTA FORMA OS AGIOTAS QUE NOS (DES)GOVERNAM, GANHAM FORTUNAS EM IMPOSTOS:

– IMPOSTO SOBRE COMBUSTÍVEIS = 60%

– IMPOSTOS SOBRE PORTAGENS = 60%

– IMPOSTOS IA = 33% ACRESCIDO DE IVA A 23% (DUPLA TAXAÇÃO)

– IMPOSTO DE CIRCULAÇÃO (VARIÁVEIS)

– IMPOSTO SOBRE INSPECÇÕES PERIÓDICAS OBRIGATÓRIAS = IVA A 23%

(Inspecções Periódicas a Veículos mais caras.
Os valores fixados pela portaria dos ministérios da Economia e das Obras Públicas, Transportes e Comunicações serão ainda acrescidos de uma taxa de 23 por cento relativa ao Imposto de Valor Acrescentado (IVA) e aplicam-se que às inspecções obrigatórias quer às facultativas.)

A GALP (PETROGAL – EMPRESA MONOPOLISTA) TEVE LUCROS DE :

Lucros da Galp aumentam 48%

O lucro ajustado da Galp Energia subiu 48 por cento nos nove primeiros meses do ano, para 266 milhões de euros, face a período homólogo de 2009

Nas contas apresentadas, a Galp indicou ainda que os resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBIDTA) ajustados cresceram 41,1 por cento, para os 677 milhões de euros.

Lucro de 266 milhões de euros

TEMOS OS COMBUSTÍVEIS MAIS CAROS DO MUNDO

A PARTIR DE JANEIRO DE 2011 VAMOS FAZER UM BOICOTE TOTAL AOS POSTOS DA GALP,  EM DEFINITIVO ATÉ QUE SEJAM FORÇADOS A BAIXAR O PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS, POIS É ALI QUE LHES VAI DE FACTO DOER.

NÃO O FAZER, É UMA IRRESPONSABILIDADE E UMA VERDADEIRA PROVA DE COBARDIA, JUSTIFICANDO QUE O POVO PORTUGUÊS TÊM APENAS AQUILO QUE DE FACTO MERECE.

É ISSO QUE QUEREMOS?

BOICOTE TOTAL SEM LIMITE DE TEMPO

DESAFIO TODOS OS BLOGUES DE PORTUGAL A DIVULGAR E A INCENTIVAR ESTA INICIATIVA.

Ouss
Master Sensei San

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HOUVE ALGUÉM QUE SE ENGANOU!

 

Ouss

#Sensei

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·
Vejam o que The Economist publicou!

Situação do Brasil antes e depois.

· Itens
· Nos tempos de FHC (Fernando Henriques Cardoso)
· Nos tempos de LULA
· Risco Brasil
· 2.700 pontos
· 200 pontos
· Salário Mínimo
· 78 dólares
· 210 dólares
· Dólar
· Rs$ 3,00
· Rs$ 1,78
· Dívida FMI
· Não mexeu
· Pagou
· Indústria naval
· Não mexeu
· Reconstruiu
· Universidades Federais Novas
· Nenhuma
· 10
· Extensões Universitárias
· Nenhuma
· 45
· Escolas Técnicas
· Nenhuma
· 214
· Valores e Reservas do Tesouro Nacional
· 185 Bilhões de Dólares Negativos
· 160 Bilhões de Dólares Positivos
· Créditos para o povo/PIB
· 14%
· 34%
· Estradas de Ferro
· Nenhuma
· 3 em andamento
· Estradas Rodoviárias
· 90% danificadas
· 70% recuperadas
· Industria Automobilística
· Em baixa, 20%
· Em alta, 30%
· Crises internacionais
· 4, arrasando o país
· Nenhuma, pelas reservas acumuladas
· Cambio
· Fixo, estourando o Tesouro Nacional
· Flutuante: com ligeiras intervenções do Banco Central
· Taxas de Juros SELIC
· 27%
· 11%
· Mobilidade Social
· 2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza
· 23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza
· Empregos
· 780 mil
· 11 milhões
· Investimentos em infraestrutura
· Nenhum
· 504 Bilhões de reais previstos até 2010
· Mercado internacional
· Brasil sem crédito
· Brasil reconhecido como investment grade
· É pouco ou quer mais?

·
FHC, o farol, o sociólogo, entende tanto de sociologia quanto o governador de São Paulo José Serra entende de economia.
Lula, que não entende de sociologia, levou 32
milhões de miseráveis e pobres à condição de
consumidores; que não entende de economia, pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.

Lula, o “analfabeto”, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos, e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade.


Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas,

elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares e não quebrou a previdência como queria FHC.

Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da

nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo.
Embora o PIG – Partido da Imprensa Golpista, que entende
de tudo, diga que não.

Lula, que não

entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis.

Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8.

Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista..
Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel,

Obama, Evo etc.
Bobo que é, cedeu a tudo e a todos
.

Lula, que não entende de mulher nem de negro

colocou o primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos), uma mulher no cargo de primeira ministra, e pode fazê-la sua sucessora.

Lula, que não entende de etiqueta, sentou

– se ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.

Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar

de Keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir, e hoje o PAC é um amortecedor da crise.

Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre.

Lula, que não entende de português nem de outra

língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual.

Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha empatia e relação dire

C ta com Bush – notada até pela imprensa americana – e agora tem a mesma empatia com Obama.

Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador, lá, nos “States”.

Lula, que não entende de geografia, pois não sabe

interpretar um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.

Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.

Lula, que não

entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.

Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com Israel.

Lula, que não entende nada de nada, é melhor que todos os outros

.
Alem
de receber o premio de estadista GLOBAL



·
Pense, o que este homem faria, se entendesse de alguma coisa??????????


Nota do postante:

AFINAL LULA DA SILVA NÃO ME PARECE SER NADA BOBO, COMO OS NEOLIBERAIS BILDERBERG QUEREM FAZER CRER.

PARECE ATÉ QUE ESTE PRESIDENTE DO BRASIL É BASTANTE MAIS COMPETENTE DO QUE MUITOS DESEJAVAM QUE FOSSE, POIS O BRASIL É UM PAÍS RICO, PORQUE RAZÃO HAVERIAM OS NEOLIBERAIS DE MANTER ESTE POVO SEMPRE NA FAVELA?

NÃO SABEM?

PARA EXTORQUIR COMO SEMPRE FIZERAM ATÉ À ÚLTIMA GOTA TODAS AS RIQUEZAS DOS OUTROS APOIANDO FANTOCHES NESSES GOVERNOS E ARMANDO OS SEUS FANTOCHES ATÉ AOS DENTES PARA QU EESTES MASSACREM O SEU PRÓPRIO POVO EM SEU BENEFICIO.

FIDEL, COMBATEU-OS NUMA ALTURA EM QUE SE JUSTIFICOU E JUSTIFICA.

CHAVES COMBATE-OS, EVENTUALMENTE ATÉ PODE EXAGERAR AQUI E ALI.

LULA, É ENGENHOSO E EXTREMAMENTE INTELIGENTE, PARA ALÉM DE SER IGUALMENTE MUITO HUMANO, COMBATE-OS USANDO-OS.

Tenho dito

Ouss

#Sensei


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Desce o rating para Portugal!!

Parece uma novidade, sobretudo para quem não escuta os inúmeros alertas que constantemente tem vindo a oferecer o PCP (e hoje também, aqui), sublinhando que, a destruição do nosso aparelho productivo; a crescente dependência económica de capitais transnacionais; a subjugação aos desígnios de seis ou sete países da sucursal do imperialismo (UE) que nos coloca como uma Califórnia Europeia; o excessivo endividamento do estado e da população; a falta de investimento público; a privatização das poucas empresas públicas que nos restam, só podem derivar num país sem independência e subjugado à opinião destas agências que mais não são que pivôts daqueles que pretendem dirigir global e uniformemente, a vida dos povos.

Numa clara estratégia de condicionamento (basta lêr o texto deste pseudo-formador de opinião desse tentáculo da contra-revolução), tendo começado na Grécia e sem que saibâmos onde estribará –ainda que não será difícil adivinhar que países estarão eximidos destas exigências-, constituindo o PEC uma aproximação ou apenas a preparação da consciência dos Portugueses para o aprofundar do espólio aos direitos conquistados em Abril e contidos na exemplar Constituição de aí resultante e que neste se apreciam, vemos agora como a Portugal, e aos Portugueses, se lhes exigem maiores sacrifícios que aqueles insustentáveis formulados pelo governo PS e apoiado pelo resto do elenco de uma obra que, qual novela fora da caixa, nos tem vindo a entreter durante os 34 últimos anos.

Assim, dos auspícios que interpretam aqueles que se negam a acreditar nesta patranha e que durante tantos anos se têm podido escutar, poderiamos haver inferido que o resultado das políticas aplicadas em Portugal só teria como corolário uma nova, ainda que só na forma, realidade: o bloco central.
O bloco central não será o estado novo, como não o foi com anterioridade, mas, a repressão não necessitará inflamar os nós dos dedos para no cominar onde nos abriguemos. Contudo, devassa, a gula de uns poucos, persevará no intento de nos amordaçar até ao sonho.

Legitimando, suave, dócilmente, a falta de argumentos reais que nunca tiveram para defenderem posições análogas, o PS, o PSD, o CDS e, não seria de estranhar, o BE, adoptarão um pacto que, mais que de estabilidade e patriótico, não passará do franquear efectivo da vontade daqueles que pensam exercer a democracia quando acodem às urnas para utilizar o voto como garante da sua emancipação.

Da mesma forma que na Grécia, como que apostando na consecução de um azimute há muito traçado, já com a participação especial de algumas “estrelas” sem convite mas que são actores da productora, a União Europeia teceu algumas considerações que, mais que reiterar o PEC, vêm no sentido de potenciar a exploração selvagem dos trabalhadores, minimizando-o, e, tudo isto, sem esquecer as alterações aprovadas durante o passado ano relativas ao abaratamento do valor do trabalho.

Porém, estamos em Abril, um mês que, àparte de nos alertar para a mentira, permite à memória estabelecer um paralelismo entre 2010 e 1974 e, ainda que por vezes, qual arquivo corrupto (influências da realidade), nos dêmos conta que a mente tende a ceder para 73, 72, com apenas a constatação de que existe uma força enorme, crescente, que não conluie com este refugo, podemos acreditar que mudar continua nas nossas mãos.

Será necessário, não obstante, coragem. Coragem, para assumir o resultado das nossas decisões, e essa não vence só dentro de cada um, não vence sem falarmos, não vence sem solidariedade, vence no assumir da igualdade de classe.

Finalmente, concluindo, e como para exemplo vale um botão, uma espécie de declaração de intenções, um pensamento ao qual um camarada encontrou a forma e que considero necessário incorporar a cada passo:

“Oi”

gostava
de possuir a capacidade dos poetas

que sintetizam
num verso
                  um compêndio de elementos
denunciando
(assim)
o que muitos chamam
(de)
vida

mas que não passa afinal
de uma mentira
aceite

devido(a)  ao medo
de nos (auto) conhecermos
(a nós próprios)

.
a mentira
a que me refiro
é
essa

(que)
advém da frustração

de vegetar(mos)

num cercado alugado
pelo preço
da
existência

a nossa

e a
de quem espelha
os nossos
passos

de quem deslegitima
o medo
daqueles que não
se
negam

.
somos

ao
afirmar-mo-nos

impúberes
perenes

irascíveis
no pátio desta engrenagem
que decide (pretende decidir)
se caminha(re)mos
solitários
ou
amados
livres
ou
vencidos?!

o
cada um
sabe de si
e deus
sabe de todos

será!?

o
aproveitemos
(en)quanto pudermos
que a vida
são dois dias

e isso leva-nos a algum lado?!

somos
seremos (porventura)
um (mero)
número?!

não o acreditamos

(e) por isso
(de) contra isso
lutamos

e
lutaremos!

.
como
gentes

que
inteiras

se
procuram

em cada
gesto

cada
acto

cada
nova
acção

——————-

Mário Pinto
BDE

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Entrevista a Fernando Nobre

Na direcção de uma organização humanitária, Fernando Nobre não esconde o mal que as ajudas humanitárias podem fazer aos países pobres: como a FAO despeja neles os excedentes europeus subsidiados; como o Live Aid prolongou a fome na Etiópia; porquê a Índia recusou ajuda humanitária após o tsunami; como na crise económica os lucros das grandes empresas se tornam «obscenos». Fernando Nobre conhece a fome onde ela é mais dura mas também viu com os próprios olhos como a revolta das populações pode fazer cair um regime como um «castelo de cartas». / Raquel Varela

Ariobaldo de Oliveira, geógrafo, denuncia que a FAO compra maciçamente o excedente dos países europeus e norte-americanos e lança-os em África, na Ásia e na América Latina, destruindo os mercados locais, os agricultores locais, que não conseguem competir com esses alimentos subsidiados. A própria Care International denunciou esta situação.

Eu sei bem, em questões humanitárias, quão perverso é, para os mercados locais, quando milhares de toneladas de cereais chegam ao mercado e fazem que os agricultores locais, perante tamanha oferta gratuita, já não possam escoar os seus produtos nesses mercados. As instituições humanitárias muitas vezes estão armadilhadas, sobretudo quando beneficiam de financiamentos de grandes aglomerados internacionais – refiro-me à União Europeia. A União Europeia até há bem pouco tempo exigia que os alimentos que iam para as ajudas humanitárias fossem comprados no mercado europeu. Isso era uma maneira de escoarmos excedentes, fossem viaturas, fossem medicamentos.

O que lhe posso garantir hoje é que nesta casa, a AMI, trabalhamos essencialmente com fundos próprios ou com fundos de particulares. Quando em 1998, tivemos uma intervenção de emergência na Guiné-Bissau, eu parti de imediato para Dakar onde temos um parceiro para projectos de desenvolvimento local. Com esse nosso parceiro fui ao mercado de Dakar e durante um dia inteiro andámos nos vendedores locais, a comprar farinha, arroz, açúcar, leite em pó. Tudo foi comprado no mercado local de Dakar. E posso garantir que o camião de 20 toneladas que saiu de Dakar e entrou na Guiné-Bissau depois de 600 km a circundar a Gâmbia foi todo carregado de produtos comprados no mercado local de Dakar.

Lembra-se do Live Aid, de ajuda à Etiópia? Alex de Waal, em Famine Crimes, demonstra que o Live Aid acabou por prolongar a fome na Etiópia.

A ajuda alimentar quando não controlada até à pessoa pela instituição que angaria o apoio tem um destino perverso. Na Etiópia a ajuda alimentar era dada se as populações aceitassem o Governo. É uma situação pertinente em que as Associações Humanitárias cada vez mais têm de pensar. Estamos perante situações de uma necessidade aguda. E os alimentos são uma arma poderosíssima.

Mesmo que eles não desviem alimentos, a ajuda humanitária acaba sempre por pôr em causa a agricultura local.

Sempre. O que é preciso é ferramentas agrícolas necessárias para que o ciclo produtivo e de autoabastecimento se possa restabelecer.

Adam Smith dizia que um povo não pode ser independente sem soberania alimentar. Cito Adam Smith e não Karl Marx. O Movimento dos Sem Terra no Brasil diz que não precisa de alimentos, precisa de desenvolver a agricultura, exige uma reforma agrária, tractores, um mercado industrial interno.

O argumento está certo, mas estamos a falar de um Brasil que tem mercado por si só. Para a maioria dos países com mercados muito mais pequeninos é essencial a possibilidade de exportar para haver organização agrária. Quando se é um país como a Índia, a China ou o Brasil, tem-se um mercado interno para a fase de arranque da tal reforma agrária, mas também só numa primeira fase. Hoje a competição no Mundo entre os países mais débeis e os mais desenvolvidos é uma corrida que eu comparo muitas vezes com um perneta a competir com um campeão olímpico em 100 metros, um campeão olímpico dopado ainda por cima!

Porque é que a Índia recusou a ajuda alimentar depois do tsunami?

Quando há um descarrilamento ou uma inundação, a comunicação social cai-me imediatamente em cima para saber se a AMI vai a correr para a Índia e eu respondo que eles não estão bem a ver o que é a Índia. A Índia não precisa de uma AMI para fazer face a uma calamidade dessas.

Na altura a Índia veio denunciar que em troca da ajuda humanitária os países exigiam liberalizações do mercado.

É evidente! O drama também está aí! Como também lhe posso dizer que é o que está em causa com as ONGs. Por exemplos se os Camarões não aceitassem a entrada das ONGs a ajuda bilateral era imediatamente suspensa. Nós sabemos que há mecanismos de pressão para que os países mais frágeis deixem entrar nos mercados certos produtos, mesmo quando não os querem.

O economista José Martins, da UNICAMP, diz que o facto de o Estado ter investido agora dinheiro nos activos «tóxicos» dos bancos vai fazer que, a curto prazo, diminua a produção agrícola, porque o Estado investe uma parte do dinheiro a comprar excedente e vai deixar de o fazer. Muitos agricultores vão deixar de produzir alimentos.

Não tenho dúvidas em relação a isso. Ele é economista, eu sou médico. Agora também lhe digo que os Estados hoje são extremamente frágeis, não perante a economia, mas perante a alta finança, perante este cataclismo anunciado.

O mesmo economista diz que estamos em risco de ter uma crise grave no crédito público.

Se estiver com uma pneumonia e estiver com um febrão e tomar aspirina vai fazer baixar a temperatura. Agora se não lhe der o antibiótico adequado, vai chegar o dia, em poucos dias, em que a infecção se espalha, há uma septicemia, uma infecção generalizada do corpo. Isto é uma metáfora médica, mas aplica-se também à sociedade. Não são aspirinas que vão resolver a questão. E o problema da questão é que os Estados sofreram com essa desregulamentação que foi imposta pelo mercado. Agora, privatizam-se os lucros e estatizam-se as perdas.

O socialismo dos ricos, como alguém já disse…

E estamos hoje perante uma armadilha. E até o sistema voltar a ser desarmadilhado vai haver um custo altíssimo. O Estado não se mostra exemplar na punição dos prevaricadores. Tem que se dar o exemplo de sanidade e salubridade pública, porque se não o povo tira as suas conclusões. Ainda há pouco tempo tive conhecimento da história de uma senhora que foi parar à prisão porque roubou numa loja um boião de creme para a pele para uma doença que tinha. Agora se alguém rouba um creme para a cara é um ladrão, é apanhado em flagrante e corre o risco de passar nem que seja uma semana ou 48 hora na prisão. Mas alguém que desvia dezenas de milhões de euros, que faz uma gestão danosa, ainda recebe um bónus.

Segundo a FAO, no ano passado, mais de 100 milhões de pessoas entraram para o grupo dos que passam fome.

Infelizmente esses 100 milhões de novos pobres não se situam apenas nos países menos avançados ou em vias de desenvolvimento. Muito recentemente foi sabido que esta crise também está a afectar muito directamente cerca de 1800 mil norte-americanos, que são obrigados a deixar as suas casas e a viver nos seus carros, em roulottes, debaixo das pontes. Claro que os mais frágeis dos países mais frágeis ainda mais gravemente são atingidos, não nos iludamos.

Segundo Josué de Castro, em 1960 havia 80 milhões de pobres. Hoje há 800 milhões e ele já na altura anunciava que a fome não é uma inevitabilidade, que o problema não tem a ver com superpopulação, mas com determinadas relações sociais.

Leio com muita atenção os livros que publicou na altura, como a Geopolítica da Fome. Ele foi director-geral da FAO. O que este Planeta tem gerado em termos agrícolas dava perfeitamente para nutrir pelo menos 13 a 14 mil milhões de pessoas. Ora nós somos um pouco mais de 6 mil milhões. A fome deve-se a questões estruturais, muito profundas, de comércio justo, que não existe. Deixe-me só dizer-lhe isto: se em 1960 se falava de um fosso Norte/Sul que estava avaliado, na altura, num produto per capita, no Norte, de 5 mil dólares, e no Sul, de 400 dólares, hoje, no Norte estamos a 25 mil dólares e cerca de 350/400 dólares ou menos no Sul. Não é por um país como Angola ter um crescimento de dois dígitos que isso significa automaticamente minorar a pobreza nesse país, se a riqueza não for redistribuída harmoniosamente pela sua população.

Tenho este número impressionante: os lucros da Monsanto, em plena crise, duplicaram, de 339 milhões para 700 milhões de euros, num ano.

Nós sabemos qual foi o aumento e a especulação que foi posta no mercado dos alimentos. Repare, todos os gestores das grandes empresas sabem melhor do que eu onde é que devem investir. Como nós todos fisiologicamente precisamos dos alimentos para sobreviver é sempre um investimento seguro. É assombroso termos visto em simultâneo a derrocada de um sistema financeiro e, em paralelo a esse movimento, os lucros obscenos que daí decorreram. Guardo a este respeito uma imagem muito nítida. Eu estava no Afeganistão na altura em que os países do Sudeste Asiático decidiram não exportar mais arroz e o Paquistão decidiu guardar a farinha toda. Quando eu ia a sair do Afeganistão para entrar no Paquistão, por estrada, observei que a fronteira tinha acabado se ser encerrada naquele momento, porque os pais tinham mandado os seus filhos para o outro lado da fronteira para poderem passar saquinhos com dois quilos de farinha. E no momento em que eu estava a chegar à fronteira, um guarda paquistanês – eles andavam com umas varas de bambu a tentar fustigar os miúdos que tentavam passar com os saquitos de farinha –, tinha empurrado para debaixo de um carro uma menina de oito anos, que morreu logo. Havia uma tensão enorme na fronteira. O preço do pão no Afeganistão, onde eu estava, tinha aumentado 120%. Lucro e depois fome. É preciso estar nos sítios para perceber como esses números obscenos, que citou, se repercutem na vida das pessoas.

Há vários historiados e economistas, como Immanuel Wallerstein, que dizem que nós devíamos recuperar o conceito de países periféricos ou semiperiféricos, ou seja, que só há uma economia global, que não há esta coisa de patamares de desenvolvimento, que uns hão-de alcançar os outros. Não há primeiro, segundo ou terceiro mundo, e os pobres são-no por causa da política dos países centrais.

Estamos a usar um eufemismo para dizer o mesmo. É um jogo de palavras. Na ajuda humanitária falávamos de países subdesenvolvidos, depois começou-se a falar dos países em vias de desenvolvimento e agora já se fala dos países menos avançados. Mas o facto é que os países menos avançados em 25 anos quase duplicaram, passam de 27 para 49, só um saiu, mas veja os que entraram. Só há um mercado global, sim. Mas não há só pressões económicas, não vamos ser ingénuos, há pressões políticas e militares. Permita que lhe fale, porque isso ainda hoje é tabu, mas toda a gente sabe que foi assim: nas décadas de 60, 70, 80, houve os chamados mecenatos económicos. Eram economistas, pessoas muito inteligentes, mandados por empresas para fazerem estudos de mercado e de desenvolvimento falseados, que apontassem para desenvolvimentos estrondosos. Na base desses estudos falsos e falsificados, essas empresas garantiam colossais empréstimos juntos dos grandes grupos financiadores, sabendo de antemão que os países nunca poderiam pagar os empréstimos que estavam a fazer, iam endividar-se ao ponto que estamos hoje em que não conseguem pagar a dívida, pagam os juros dos juros da dívida, para que esses países que julgavam que se tinham tornado independentes rapidamente ficassem asfixiados. Mesmo nas votações das Nações Unidas basta esticar um pouco mais a corda e eles têm que votar em função dos interesses globais instalados. Não vamos ter ilusões. Acho que há soluções, mas o sistema tal e qual ele está estruturado hoje faz que esses países fiquem para trás. Oitenta por cento dessa dívida foi investida na compra dos líderes corruptos que governavam esses países. Exemplo concreto das armas, o genocídio no Ruanda em 1994 deu-se em grande parte devido à importação de 500 mil catanas na véspera do genocídio. O Governo da altura, que mandou vir as catanas e se endividou para comprar tamanho volume de catanas, ninguém se perguntou o que ia fazer com 500 mil catanas naquele país, assim de repente.

Agora é surpreendente que quando foi a Cimeira EU/África, todos os líderes europeus falavam da corrupção em África, mas nenhum dizia quantos líderes corruptos lá foram postos pela Europa…

Evidentemente, esse é o tal cinismo das relações globais. Na altura dessa cimeira eu estava em África, no Mali. Da janela do meu hotel via um banco e ao lado uma enorme lixeira onde andam pessoas a catar o lixo. Quando houve a Cimeira do Milénio, o objectivo era que os países mais avançados, ditos civilizados, fizessem que 0,7% do nosso PIB fosse investido em acções de desenvolvimento. Na altura estávamos a 0,33%, hoje estamos a 0,28%. Mas em vez de tentarmos chegar aos 0,7% diminui-se de 0,33% para 0,28%.

Mas a Cimeira do Milénio também surgiu nessa altura para responder a uma onda de mobilizações europeias de pessoas que exigiam o fim deste drama humano…

Infelizmente, como sabe, um ano depois deu-se o 11 de Setembro, e deixou-se de falar de desenvolvimento, para se passar a falar única e exclusivamente de combate ao terrorismo. Desde o início da guerra do Iraque já se terá gasto um trilião de dólares, quer dizer, três vezes o que seria necessário, segundo os cálculos das Nações Unidas, para podermos atingir os 8 objectivos da Cimeira do Milénio em 15 anos. É evidente que isso não foi conseguido. Agora o que eu digo muitas vezes é que se não for em nome do humanismo façam-no em nome da inteligência. Porque eu não tenho a mínima dúvida… Os pobres ainda estão calados, ainda falam em surdina. As grandes revoluções mundiais foram sempre imprevisíveis. Eu só percebi como é que o Irão, com o poder militar que tinha, caiu como um castelo quando atravessei o país todo de carro. Os iranianos que eu conhecia em Bruxelas eram a elite educada. Mas depois de ter atravessado o Irão de Norte a Sul de carro percebi como é que o Ayatollah tinha força. Quando as populações se levantam em massa não há poder militar que lhes resista, a menos que se aceite e tenha a coragem de matar milhares e milhares de pessoas.

Quando se fez aquele programa no Iraque de troca de alimentos por combustível, 5 anos depois a UNICEF publicou um relatório arrasador. O programa tinha provocado perto de 2 milhões de mortes, dos quais 500 mil crianças. Eu estive no Iraque a convite do Crescente Vermelho, mas na altura Madeleine Albright, confrontada com esse número arrasador da UNICEF, teve esta resposta: «É pena, mas não há nada a fazer.» Mas se fossem os filhos ou os netos dela talvez houvesse alguma coisa a fazer.

Andamos tanto a reivindicar um humanismo europeu, mas chamamos e expulsamos imigrantes conforme precisamos de mão-de-obra, como se de bananas se tratasse.

A União Europeia está a elaborar uma legislação de imigração selectiva. Queremos quais? Queremos os quadros. Vamos contratar médicos no Paquistão, no Uruguai, em África… Vamos então sugar os quadros de países onde eles são indispensáveis para o seu próprio desenvolvimento. Que Europa é esta? Dos valores? Das trocas equilibradas? Estamos perante um fenómeno assustador.

Alfredo Poeiras

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