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Posts Tagged ‘António Aleixo’

Toda a glória de viver
das gentes é ter dinheiro
e quem muito quiser ter
cumpre-lhe de ser primeiro
o mais ruim que puder.
(Gil Vicente)

(da esquerda para a direita, clicar)
[Pedro_Santana_Lopes; Bosco_Mota_Amaral; Manuel_Dias_Loureiro; Miguel_Relvas; José Juís Arnaut; Jorge_Moreira_da_Silva]

ROUBAM-NOS A PAZ E O PÃO

Os cleptocratas não sujam as patas, são ratoneiros matreiros, descendentes directos do embuste e da perfídia. Têm, como modernamente se denomina, uma actuação “abrangente“; apresentam-se como pessoas sensatas, impolutas e pacatas.

Movimentam-se na “Bolsa” dos outros, claro, com apetência para as boas “Acções“, as más relegam-nas para parceiros terceiros.

Frequentam a alta sociedade – conceito virados do avesso – expelem promessas que rendem juros deixando os promissário em apuros.

Têm ao seu serviço operacionais profissionais, não actuam directamente, comandam do escritório “inteligente” que lhes reforça a astúcia impenitente.

Os cleptocratas são a nata do autocrata, não vivem em autogestão, têm como Deus e patrão o cifrão.

Seguem sabiamente o rasto do dinheiro com o olfacto apurado de um perdigueiro e seguram-no como o melhor dos cães de fila.

Com esta cáfila não se refila.

Mais difíceis de eliminar que à nojenta barata, possuem sensores de grande acuidade, o que lhes permite identificarem o Decreto, a Lei ou o Regulamento que sirva os seus desígnios.

Não deixe um negócio tão sólido fugir-lhe das mãos, um dos mais atractivos mercados cimenteiros da Europa, cujos resultados líquidos serão de 14 milhões de contos em 94 e de 15 milhões em 95, vendida abaixo da média dos mercados: a CIMPOR“. (Desculpem mas este paragrafo é de um velho artigo relacionado com outros ladrões do mesmo bando).

Os cleptocratas agem dentro da legalidade democrática construída à sua medida. Manobram com  os baixos salários e cortes de pensões, sugam onde faltam cêntimos para engrossar milhões.

Movimentam-se na área neoliberal, não assaltam bancos nem actuam por “esticão“, teleguiados sempre pelo cifrão, compra consciências de ocasião. Conhecem o preço de uma ilusão e explora o filão!

Açambarcam o trigo, controlam o pão.

Não os conhecemos pessoalmente nem tampouco com eles nos cruzamos, têm seguranças, deslocam-se em bólides ou em aviões privados, e como bons cleptocratas que se prezam vão à missa, rezam, confessam-se, compram as indulgências no paraíso em que vivem sem receio de mais tarde entrar no purgatório.

Cid Simões

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A Retoma que aí vem está neste estado

O pão que sobra à riqueza
Distribuído pela razão
Matava a fome à pobreza
E ainda sobrava pão

António Aleixo

Sete fôlegos tem a nossa Retoma. Desde há muito hospitalizada, em estado de coma, toda entubadinha, coitadinha, davam-na como perdida. Quando a febre subia, a pobre, delirando, recitava António Aleixo, sintoma de tal modo preocupante, que foi isolada dos outros pacientes e policialmente vigiada em permanência. Não se sabe como conseguiu resistir a tanto mal que lhe têm causado. Iludindo a vigilância, fugiu do hospital onde desde há muito se encontrava nos “Cuidados Intensivos”.

A nossa Retoma raspou-se, pôs-se ao fresco, apercebeu-se que a queriam liquidar. Desconhecem o seu paradeiro mas nós sabemos onde se encontra.

O retrato robot da nossa Retoma foi divulgado pela comunicação social. Os governantes oferecem muitos, muitos milhares de euros a quem indicar o seu paradeiro. Isto de distribuir o pão que sobra à riqueza, dá que pensar e, porque até há quem pense, o melhor é cortar o mal pela raiz e, com mais decretos e novas leis dar-lhe o golpe de misericórdia.

Se de um momento para o outro nos aparecesse uma Retoma amiga e ficássemos todos livres das listas de espera nos serviços de saúde, tivéssemos escolas e creches de qualidade, apoio aos idosos e reformas condignas, empregos fixos e bem remunerados, felizes, em suma, Hein?, o que é que acontecia? Uma ca-tás-tro-fe!

Eles não estão preparados para lidar com gente feliz. Não, não estão! Posso-vos garantir. A prova está em que espalhando a infelicidade, vimo-los sempre bem dispostos, sorridentes, têm apetite, fazem festas ao cão, dão beijinhos ao gato… Reparem na beatífica expressão daqueles sujeitos que nos anunciam a supressão de direitos sociais há muito adquiridos, comunicando-nos a extorsão desses bens, que nos pertencem, com um brilhosinho nos olhos que não deixa esconder quanta alegria usufruem ao semear mais dificuldades entre os que as já têm de sobra.

Como para qualquer sádico, o sofrimento alheio é indispensável para o seu equilíbrio emocional. São aberrações, desvios comuns a certas personagens, e se os temos que compreender, difícil é suportá-los.

Quando souberam que a nossa Retoma se tinha escapado, lançaram o alerta “laranja”; e além do “rosa” que outro poderia ser?

É sobejamente sabido que a felicidade, porque vem prenhe de justiça social e nos abre o caminho para novos horizontes, é subversiva, por vezes até revolucionária.

Até este momento ainda não conseguiram encontrar a nossa Retoma, muito provavelmente entrou na clandestinidade. Mas por favor não a confundam com a outra: a Retoma-Poder. Esta sabe-se onde reside: basta seguir um carro topo de gama, um avião particular, um processo prescrito. Ninguém a vê, mas está lá, invisível e actuante, enchendo a burra dos banqueiros.

Caso a encontrem, a Retoma que nos devolve a justiça, dêem-lhe albergue e todo o apoio que necessite. Ela reside em nós quando por ela lutamos.

A palavra passe é: “25 de Abril, Sempre!

Cide Simões

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