Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Bancos’

Sentado, bandeira nacional e da U.E. dando o aval indispensável ao discurso, o senhor ministro, através da TV, banhou-nos de justiça: A partir de agora (porquê só agora?), acabava-se a lavagem de dinheiro. Tal e qual! Não eram renovados mais alvarás para tão higiénica actividade.

Alertou ainda, haver somas exorbitantes que estavam a ser lavadas em bancos, seitas, casinos e noutras lavandarias de igual respeitabilidade.

Deixou um oportuno alerta: Era de desconfiar quando alguém aparecia com muito dinheiro.

Tudo novidades! Não creio mesmo que alguma vez se tivesse ousado pensar que não era lícito o dinheiro quando surge às golfadas, ainda manchado de sangue.

Tal notícia levou a que no bairro, para não levantar suspeitas, ninguém ousasse pagar com notas de cinco euros, batatas só compravam aos meios quilos e a manteiga aos pacotinhos de 125g. Os vizinhos vigiavam-se desconfiados. A dona Gertrudes nunca mais vestiu o casaco de caraculo (100% polyester), e o Mário da mercearia nem estreou o chinó.

Para chatices, diziam, já bastava as que tinham, não viesse a bófia pedir-lhes contas e saber se tinham ou não o dinheiro para lavar.

Uma outra personagem, o senhor Júlio, ainda não se refizera do choque. “Lavar” dinheiro!?… Com o prato da sopa a meio caminho da notícia, perdera o apetite. Lavar dinheiro!…

Ele e a sua Joaquina que não haviam feito outra coisa em toda a sua vida: Lavar. Ele lavou barcos, lavou ruas, lavou carros, lavou tudo. Tudo o que encontrou sujo lavou, desengordurou, poliu. E a sua companheira, fez barrela, branqueou, esfregou casas, escadas, tudo. Tudo o que estava sujo, lavou. E o que é que têm hoje? Uma reforma suja, para não lhe chamar nojenta.

Mas essa de lavar dinheiro até podia servir de biscate, pensava o senhor Júlio que abandonou a sopa e foi até ao banco do jardim procurar alguém que o elucidasse sobre tão bizarra notícia.

E ia cogitando: “Isto deve estar muito mau! Os ricos a lavar… Eles que por onde passam só fazem imundice.”

E continuava sonhador: “O ministro desconfia dos bancos e das seitas é natural, ninguém sabe como conseguiram tanto dinheiro em tão pouco tempo; mas o Júlio!… O Júlio e a Joaquina todos conhecem cá no bairro. Foram sempre pessoas sérias. O senhor ministro pode confiar mais num dedo do Júlio do que em todos os banqueiros. Todos.”

E já idealizava uma lavandaria moderna, subsidiada pela U.E. máquinas de lavar, secar, passar… Um brinquinho!

Pobre senhor Júlio, de consciência asseada, que só soube amealhar miséria durante toda a sua vida. Não! Ele nunca conseguirá compreender, na sua bela simplicidade, que a sujidade não está no dinheiro, mas nas mãos de quem dele se apoderou.

E que esse dinheiro quando muda de bolso não troca de fato, ou se muda de farpela não altera o seu objectivo: Continuar do mesmo modo a espalhar o terror e a sordidez na bulimia sem limites do mais e mais, despedindo, fechando fábricas e entrando no sub mundo da especulação.

Tampouco se apercebe que os donos dos bancos são os banqueiros, os concessionários dos casinos, os grandes magnates, banqueiros também alguns deles, bondosas criaturas que acolhem no seu seio, digo, sua teta, todos os que estejam à venda, melhor ainda se estão em saldo, projectando-os na vida política como seus servidores.

E que os senhores do dinheiro possuidores dessas respeitáveis instituições de caridade, são os “jet-Set” que se pavoneiam pelas colunas sociais de mistura com ministros, proprietários sinistros e outros benquistos do poder, num mundo que o senhor Júlio nem imagina que exista.

Milhões e milhões de euros, lavados ou por lavar, continuam a entrar em circulação como de trocos se tratasse, sem que ninguém dê por eles. Ninguém?…

Não será nas grandes e galopantes fortunas que os vamos encontrar.

Claro que não!

Cid Simões

Anúncios

Read Full Post »

O chamado caso BPN é um exemplo lapidar de, como aqui escrevi em Dezembro de 2008, a realidade ultrapassa a ficção. Passados mais de 2 anos tenho algumas certezas, e muitas, muitas interrogações.

Quem são os 390, número referido na comunicação social, accionistas do BPN e/ou da Sociedade Lusa de Negócios (SLN)? O Banco de Portugal (BP) afirmava ter dificuldades em os conhecer (???). E hoje, qual é a situação?

O (BP) revelava no final de 2008 ter seis processos abertos e admitia, só nessa altura (?!), que as irregularidades remontavam ao ano 2002. A que conclusões chegou entretanto? De quem foi a responsabilidade por não ter fiscalizado em condições? Ou a culpa, para variar, vai morrer solteira?

Os órgãos sociais do BPN e da SLN, sublinhe-se, saíram durante anos a fio do bloco central do poder, com predominância para o PSD. Administradores executivos e não executivos, membros dos órgãos sociais, que nada viam, nada ouviam, nada liam, logo nada sabiam. Eram (são) todos uns incompetentes? Ou foi só um estranho fenómeno passageiro? Apetece perguntar: eram pagos pelos accionistas, a peso de ouro, para serem assim?

Perante este lamaçal de ilegalidades e trafulhices o governo decidiu intervir. Fê-lo de forma precipitada e não salvaguardando o interesse público. No concreto, sem proceder à nacionalização, como se impunha, de todos os bens do grupo SLN. Porquê? Para proteger os respectivos accionistas e o património da sociedade proprietária do BPN? Para nacionalizar os prejuízos deixando de fora os lucros dos mesmos do costume? Ao fazê-lo o governo desconhecia que estava a aumentar a dívida pública? Esta nacionalização do BPN, na sua forma e no seu conteúdo, foi feita para evitar que o assunto fosse a tribunal?

Governo, Presidente da República e Banco de Portugal ignoravam a existência de um buraco financeiro no banco? E a sua dimensão? Foram injectados até hoje, recorde-se, 4,8 mil milhões de euros. Fala-se da necessidade de mais 2,9 mil milhões, atingindo-se assim a astronómica soma de 7,7 mil milhões de euros. Ou quase 5 por cento do PIB de Portugal! Tudo isto num banco que, segundo se notícia, tem depósitos no valor de três mil milhões de euros. E se pretende privatizar por um estranho valor mínimo de 180 milhões!

Como é possível ao governo encontrar tais recursos para salvar um banco insolvente? O mesmo governo que deixou e deixa afundar centenas de empresas produtivas! Quando, onde e como, vão ser contabilizados estes valores obscenos? Quais os seus efeitos nos Orçamentos do Estado de 2012, 2013 e seguintes? Que novos «sacrifícios» vão ser pedidos?

E que operação está em marcha com a criação de 3 empresas Parvalorem, Parparticipações e Parups? São de capitais públicos? Estamos perante mais uma manobra de engenharia financeira que os contribuintes vão ter de pagar mais à frente?

O cidadão Aníbal Cavaco Silva, que é Presidente da República e candidato a novo mandato, também deve algumas explicações. E não basta mandar (de forma autoritária como é seu timbre) ler o sítio na Internet da Presidência da República e a sua declaração de rendimentos. Aliás, em rigor, a resposta não tem que ser dada pelo Presidente da República. E muito menos pelo sítio institucional. É ao cidadão Cavaco Silva que compete o esclarecimento.

O que é preciso esclarecer é se se trata de um enriquecimento ilícito ou de um negócio perfeitamente normal. Pode-se considerar normal um negócio particular que em cerca de dois anos proporciona um lucro de 140%? A quem vendeu Cavaco Silva as acções? A um banco? A uma empresa? A um particular? A Oliveira e Costa em nome individual? À entidade por ele representada? E por quanto se venderam à época as acções da SLN em negócios particulares? Foram todas vendidas ou adquiridas pelo mesmo preço que pagaram a Cavaco Silva?

Há mais vida, para além do BPN e da SLN. Mas quando estão em causa 5% do PIB de Portugal exigem-se respostas claras!

António Vilarigues

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In jornalPúblico– Edição de 7 de Janeiro de 2011

Este artigo foi escrito há 2 anos. Mas parece perfeitamente actual.

Porque será?…

Read Full Post »

 

O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções
Karl Marx

Sempre que o Ano Novo nos está a bater à porta, são chamados a botar palpites em todos os órgãos de manipulação social – jornais ditos de referência, rádios, televisões e outros megafones do grande capital – especialistas em esoterismo, adivinhos, magos, bruxos, videntes, feiticeiros, todos os profetas da nossa praça, com faculdades divinatórias de amplo leque, que vão dos cartomantes ao especialista em necromancia: os poderes supranormais conglomeram-se para predizerem o que trará dentro de si o bebé anonovo.

Os meus vaticínios têm sido testados; nunca falhei! Então, porque razões me ignoram?

Não me embrenho nas catacumbas do ocultismo, nem me ajoelho de mãos postas procurando respostas do além-mundo. Sou muito mais terra-a-terra: olho em meu redor, observo rostos e leio nas expressões os seus anseios, nos olhares sem expressão as inquietudes e no próprio andar o desânimo ou cansaço.

Nunca falho! Reafirmo! Já sei: dizem que sou agoirento. Mesmo com semelhante epíteto não desisto e, agoirento ou não, sem me socorrer dos astros, porque nem tão-pouco astrólogo sou, afirmo com a maior das convicções que para o ano os ricos serão ainda mais ricos e, como consequência, os pobres serão cada vez mais e mais pobres. Se isto não for verdade que nunca mais possa escrever sequer uma letra!

A corrupção continuará sem freio nos dentes. Ainda não roubaram tudo. Vamos assistir a mais desemprego, injustiça social e ainda muito mais canalhice governamental. É uma certeza irrefutável, não precisam de consultar os videntes.

Não necessitamos de fazer apelo aos búzios para afirmar que iremos continuar a privatizar e depois dos aviões será a vez dos nossos sonhos. Não desesperem.

Qualquer bola de cristal, mesmo da Marinha Grande, deixa-nos ver os portugueses a emigrar cada vez mais e eu, mesmo sem bola, antevejo mais compatriotas a saírem para tomarem o lugar dos que na década de sessenta também fugiram à fome.

O governo dará mãos livres ao patronato para despedir ainda mais para assim reduzir o número de desempregados. O crescimento económico será negativo, é um oximoro, crescer para trás, mas os malabaristas da linguagem têm destes truques. Entretanto não haverá crise para os Bancos e os Jet7 vão continuar a sugar os Jet/zero, mais conhecidos por Zé-povinho.

A nível internacional, assistiremos à continuação do genocídio na Palestina, ao massacre do povo sírio e ao esboroar do estado social onde quer que o imperialismo dite as suas regras.

Os povos vão intensificar as lutas pelos seus direitos e a democracia deles intensificará a repressão.

Se tudo isto não acontecer emigro para Marte ou qualquer outra parte.

Cid Simões

Read Full Post »

Desenho de Fernando Campos (o sítio dos desenhos)

São criminosos todos os que berrando “democracia” e tendo à sua disposição os mídia, publicitam, veneram e elegem os robôs que nos oprimem.

São criminosos os que, nas campanhas eleitorais, prometem o bem-estar ao povo, e que, depois de eleitos, não só não cumprem como procedem de modo totalmente contrário às promessas propaladas.

São criminosos os que sendo eleitos em grande parte por assalariados governam em benefício dos que os exploram.

São criminosos os que alienam o património pertença do povo que o adquiriu com os impostos fruto do seu labor.

São criminosos os que hoje declaram que é no mar que está grande parte da nossa riqueza, e ontem pagaram para que se abatesse a nossa frota pesqueira.

São criminosos os que destruíram a industria naval de alta tecnologia e de significado relevante para a nossa economia, continuando a destruir o pouco que resta e, nos esbulharam mil milhões de euros para adquirir submarinos. Aquisição agravada pela corrupção em que mergulhou o negócio.

São criminosos os que pagaram para manter as terras em pousio tornando-nos cada vez mais dependentes de bens essenciais à nossa sobrevivência.

São criminosos por terem destruído sectores fundamentais do nosso complexo industrial, lançando no desemprego técnicos altamente qualificados, que dificilmente tornaremos a formar, quando deles necessitarmos.

São criminosos por impelirem à emigração os nossos jovens, muitos com formação superior, obrigados a procurar o seu futuro noutros países. Jovens, que desde a gestação à formação académica nos ficaram por muitos milhares de euros, e que de mão beijada, vão enriquecer outras nações.

São criminosos por ficarmos sem o controlo económico e político, deixando o Estado regido pela banca que nos faz rodar em função dos seus interesses. Para continuar o esbulho, os novos bárbaros acabados de arregimentar, continuam a “diminuir a presença do Estado na economia – deixar a economia para os privados”.

São criminosos por emperrarem o sistema judicial, tornando-o ineficaz, deixando os criminosos de mãos livres, nomeadamente os designados por “colarinho branco”, impedindo-nos de viver num ‘Estado de Direito’.

São criminosos por continuarem a destruir o SNS entregando ao privado o mais abjecto dos negócios; o negócio da saúde. Cumprindo o enunciado de uma ex-ministra da Saúde de que “quem quer saúde pague-a”.

São criminosos porque nos seus actos manifestam frieza e insensibilidade, face ao sofrimento e sacrifícios que impõem, só possível a alienados ou perversos.

São criminosos os que com eles pactuam, admitindo ou fingindo ignorar a crueldade dos seus actos.

São criminosos os que legislam, votam e aplicam leis contrárias à condição humana.

São criminosos porque nos entregaram às mãos dos banksters a quem servem e reverenciam.

Quando forem julgados mil razões há para os incriminar.

Cid Simões

Read Full Post »

Bartoon, jornal «Público» – Edição de 28 de Maio de 2010

Há quem pense que devem ser os trabalhadores e o povo a pagar a crise. Crise, em relação à qual, sublinhe-se, não têm qualquer responsabilidade.

As direcções do PS e do PPD/PSD, José Sócrates e Pedro Passos Coelho, querem fazer deste país, um país do «come e cala». Um Portugal onde o povo estivesse disposto a aceitar tudo, resignado, sem protesto, sem luta e sem esperança.

Em 2008 o défice estava em 2,8% e hoje está em 9,3%. Porque é que aumentou tão rapidamente o défice do Estado? Será que o Estado resolveu aumentar exponencialmente as despesas nos serviços públicos? Será que os trabalhadores da Função Pública foram substancialmente aumentados? Será que houve uma política audaciosa de investimento?

Não. A realidade foi que o Estado e a banca pública tiveram de ir em socorro do sistema financeiro. Na altura o PCP advertiu: não venham depois apresentar a factura do regabofe do BPP, do BPN e do BCP aos mesmos do costume. Contraíram a economia, caiu o PIB, cortaram as receitas, aumentou o desemprego, aumentaram os gastos com a subida do desemprego e com as ajudas aos banqueiros. E, cereja em cima do bolo, mantiveram-se as célebres derrapagens das contas públicas.

Porque será que agora já ninguém fala no BCP, no BPP e no BPN, nem nas dificuldades de outros Bancos no auge da crise financeira? Sejamos claros: os défices públicos aumentaram não pelos desmandos do sector público, mas sim pelos desmandos do sector privado, designadamente do sector financeiro.

O mundo não mudou nos últimos quinze dias. A realidade é que temos uma governação ao sabor das circunstâncias. E um poder político que assume ser um instrumento nas mãos dos grandes monopólios financeiros, dos grandes grupos económicos e dos interesses das grandes potências europeias. Quanto engano, quanta falsidade, quanta mentira estava patente no discurso das promessas de um mundo melhor dos partidos que têm estado no governo em todos estes anos.

Por isso estaremos sábado, dia 29, em Lisboa, a demonstrar que não nos calamos!

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In Jornal do Centro – Edição de 28 de Maio de 2010

António Vilarigues

Read Full Post »

Au! Au! Au!

Queremos mentiras novas”
(paredes que falam)

Um tanto autista, o senhor Presidente, com toda a autoridade que o cargo lhe confere e porque não nos auspicia dias melhores, faz um apelo à nossa auto-estima para enfrentarmos o auto-de-fé da nossa autofágica e agonizante economia.

Os portugueses devem auto-afirmar-se, demonstrar autoconfiança, deixar de se auto-agredir, auto-admirando-se. O trabalhador deve ser audaz, ao mesmo tempo que austero, e não pensar em aumentos.

Os autocratas, não sendo totalmente australopitecos, devem fazer autocrítica, seguida de autocensura por se autogovernarem.

Os trabalhadores devem auto-incriminar-se, auto-punir-se, auto-censurar-se, auto-destruir autodefesas, apagar o auto-domínio e deixar-se de auto-elogios … ficando só a “au!, au!, auto-estima”.

Sempre em autocontemplação pela auto-estrada da auto-suficiência, recusando a autognose, sem se autodefinir, os autodenominados e auriluzentes governantes auscultam o eco da sua auto-satisfação.

A auréola da banca portuguesa é cada vez mais aurífera; Os bancos privados bem podem auto-elogiar-se por se autofecundarem, com tamanha autodeterminação. E, em auto-reflexão, orgulhosos com o seu auto-retrato, não pensam automoralizar-se.

Os banqueiros têm razões de sobra para se auto-estimarem e auto-promoverem, ao auferir tão chorudos aumentos, e os governantes perderam toda a autonomia e o auto-respeito ao auxiliarem este autêntico saque ao já magro bolo, devorado só por alguns.

Auto-estimem-se! Pedem-nos. Automotivem-se, auto-instruam-se, auto-ajudem-se, autoprotejam-se, automaticamente, como autómatos. Assim sendo, entramos em autogestão, com total autonomia, sem necessitar de governantes.

Sua excelência Victor Constâncio, senhor de magnifico auto domínio, correndo em automóvel de alta cilindrada, autor da autópsia da nossa economia não quer aumentos para os outros; augurei-lhe os melhores resultados nas suas novas funções e que lhe auspiciava uma longa ausência.

Desejou-me muita au! au! Auto-estima, que me tornasse auto-sustentável e para me auto-abster de viver, fazendo apelo à autopiedade e que mantivesse a minha autodisciplina sempre em auto-observação.

– Era tão bom ter um autoclismo do tamanho da Barragem do Alqueva!…

Não era?

Cid Simões

Read Full Post »

O Deus Teixeira dos Santos da Banca

Dia de todos os Santos
Dia de todos os Santos

Ou me engano muito ou ainda vão ser os Bancos, o pilar do capitalismo, a sua grande arma de controlo e de gestão de negócios, negociatas e mafiosices, o submundo do sistema sobre o qual brilham as luzes do poder, o seu cancro que o vai acabar por o corroer e matar, tanta é a ganância e a escuridão desses meandros. O caso do BPN é um primeiro exemplo caseiro, mas ou me engano muito e outros se seguirão. Começamos por levar com uma factura de 700 milhões, mas garantindo que o consórcio ao qual pertencia o banco, ainda fica com o lucro. Não deveriam as contas, de todos aqueles a quem se conhecessem culpas nos negócios ilícitos agora revelados, ser congeladas evitando-se que ainda mais capitais “fujam” para paraísos fiscais? Não deveriam os outros activos do consórcio ser também nacionalizados para diminuir o prejuízo do estado, ou seja de todos nós? Porque há-de o estado nacionalizar o prejuízo e deixar o lucro para os privados?
Esta banca que ainda recentemente apresentou lucros de centenas de milhões no terceiro trimestre deste ano, (o BES foram mais de 350 milhões), que continua a pagar impostos mais baixos que qualquer outra empresa, que surge muitas vezes associada a casos de corrupção e de negócios menos claros, (basta lembrar o caso dos Sobreiros ou a operação furacão), que ganha fortunas em especulação, é a mesma banca a quem o governo disponibiliza mais 4 mil milhões de euros. Dinheiro que não havia para dar aumentos aos funcionários públicos, para sustentar a segurança social, a saúde, a educação e todas as outras obrigações do estado para com os seus cidadãos. Fechavam museus por não haver dinheiro para pagar um guarda, Centros de Saúde por falta de enfermeiras e escolas por não terem auxiliares. Existem mais de dois milhões de pobres em Portugal e não havia dinheiro para os ajudar. Fechavam empresas e pequenos negócios e o governo nada podia fazer para o impedir nem ao desemprego e miséria que isso trazia associado. De onde surgiu agora todo este dinheiro? E o défice? E a divida publica? Nada disso é agora importante?
Até quando vamos nós deixar que o nosso dinheiro e as nossas vidas continuem a ser utilizadas como bonecos para enriquecer alguns nababos? Quando vamos exigir que todo esse dinheiro seja colocado ao serviço de todos e não só de alguns? Quando vamos exigir a nacionalização da Banca, das comunicações, dos combustíveis e de todas as actividades que forem consideradas essenciais para o futuro do país? Ontem já era tarde e é urgente que o cheiro a revolução percorra este país.

Um filme tirado do net pra alegrar as Jovens Almas Censuradas

Read Full Post »