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Posts Tagged ‘cgtp’

  • Aderir à greve geral significa não comparecer ao trabalho a 24 de Novembro. A única consequência legal é a perda da remuneração desse dia.
  • O direito à greve ganhou força de lei. Qualquer impedimento ao exercício desse direito, no dia da greve geral, deverá ser comunicado ao piquete de greve e ao sindicato.
  • A greve suspende as relações emergentes do contrato de trabalho e desvincula os trabalhadores dos deveres de subordinação e de assiduidade. Não prejudica a antiguidade, nem contagem do tempo de serviço, nem a concessão de subsídios de assiduidade.
  • O pré-aviso da CGTP-IN abrange todos os trabalhadores por conta de outrem no território nacional, independentemente do vínculo e da natureza jurídica da entidade empregadora, sejam ou não sindicalizados. Os pré-avisos sectoriais reforçam e especificam o pré-aviso da central.
  • Não há qualquer obrigação de comunicar antecipadamente à entidade patronal a intenção de aderir à greve. Trabalhadores não sindicalizados deverão justificar, posteriormente, a sua ausência com a indicação de adesão à paralisação.
  • É proibido substituir trabalhadores em greve por pessoas que, à data da convocação da luta, não trabalhavam no estabelecimento ou serviço. Também não é permitida a admissão de pessoal, nem a subcontratação de empresas, para tal substituição.
António Vilarigues
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Manifesto

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Cerrar fileiras contra o crime organizado.

Não há espaço para a neutralidade; ser neutro é ser conivente no crime.

Não nos encontramos face a um qualquer artesão na arte de furtar. Estamos a ser saqueados, reduzidos à indigência, por malfeitores com poderosas ligações internacionais. Cleptocratas de voracidade inexcedível.

Capazes dos mais repugnantes crimes, ignoram a Constituição e promulgam leis com as quais legalizam o saque de que somos vítimas.

São os fora-da-lei que atropelam a própria democracia de que se arvoram defensores.

Mas

QUANDO OS TRABALHADORES PERDEREM A PACIÊNCIA

As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência

A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juízes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências

Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obsolescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
declaro vaga a presidência”!

Mauro Iasi é Professor da UFRJ

Cid Simões

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MANIF. SÁBADO 19

E porque amanhã é sábado


Esbaforido, sem se preocupar no estado em que se encontrava a divina e ciclópica tarefa em que se havia empenhado, aproveitou a primeira nívea nuvem ao seu alcance, e descansou ao sétimo dia deixando gravado nos botões do celestial manto: “Quem vier atrás feche a porta.”

Nunca mais tivemos descanso. A empreitada por vezes parece superior às nossas forças mas não podemos desesperar. Sábado para nós não será dia de repouso, e porque só construindo nos construímos, não faltaremos à chamada.

Está em jogo a nossa dignidade diariamente espezinhada, a própria sobrevivência posta em causa porque não acautelada quando nos chutaram do paraíso e viemos cair neste vespeiro.

Sábado é dia de unidade e de luta pelos direitos que nos pretendem sonegar, e é também de alegria por afirmarmos a justeza dos princípios que defendemos e a força que possuímos.

Não temos tido nem um décimo da cobertura mediática de que beneficiou – e muito bem – a manifestação do dia 12.

Não sejam enrascadinhos, não faltem, mobilizem. A unidade demonstrada no dia 12 deve se correspondida sábado 19.

Façamos por isso!

Cid Simões

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Luta e coerência ontem e hoje

Encontrava-os quase todas as manhãs junto ao carro estacionado em frente à sua residência. Jovens, bem-parecidos e simpáticos, lançavam-lhe um “bom-dia vizinho” cordial, próprio de quem deseja que tudo se passe o melhor possível.

Que simpáticos! Em que andar residirão? É já tão pouco comum que no burburinho cotidiano alguém nos dê a salvação. Retribuía com igual franqueza e entrava na cidade.

Procurou saber junto da porteira em que apartamento vivia o jovem casal e, em retorno, envolto num sorriso comum a qualquer imbecil, ficou a saber que havia já algum tempo que os “vizinhos” residiam na viatura frente à porta do prédio.

Na manhã seguinte, retribuiu a saudação já com algum distanciamento e comentou com os colegas de trabalho, quadros de uma grande empresa, o insólito acontecimento; colegas que durante algum tempo, em estilo de chacota, lhe perguntavam: “então, como vão os teus vizinhos?

E esses lobos manhosos com pele acrílica a imitar a de cordeiro não sentiam o drama; tão-pouco procuravam saber o que teria levado a que aquele casal se encontrasse em semelhante situação.

Uma das manhãs, olhando-os de soslaio, quis-lhe parecer que a jovem estava grávida; veio a saber que esse seria o seu terceiro filho e que os outros se encontravam com os avós; além disso, soube também que já haviam tido uma vida como a sua, repleta de sonhos próprios a todos os que amam a vida.

Algum tempo depois, soube que a multinacional onde trabalha equacionava a possibilidade de reduzir a produção: e os “lobos” andavam irrequietos, menos eloquentes não mais lhe perguntaram pelos “vizinhos”. Pela comunicação apelidada de social, soube que a empresa onde trabalhava um casal amigo, ambos engenheiros, ia deslocalizar-se para a China.

Do sector financeiro à indústria e comércio os despedimentos colectivos surgiam em catadupa. Amoleceu o ar empertigado de yuppie triunfante e, de semblante carregado, reflectia a intranquilidade envolvente. É certo que tinha algum património e com pais e sogros relativamente bem instalados não se antevia, pelo menos de imediato, a viver numa viatura. Mas… e se essas almofadas um dia lhe faltassem?

Pelas manhãs, ao sair para o trabalho, procurava ter a iniciativa de dar os bons dias aos que passou a considerar seus vizinhos, e sentia uma necessidade enorme de com eles entabular conversa. O que lhes teria acontecido, qual a trajectória para tamanho infausto, como encaravam o futuro ou em que lhes poderia ser útil?

Bloqueado, não conseguiu saltar a barreira do medo, medo de ver reflectido o seu futuro na dos seus vizinhos.

O Inverno entristecia a noite com a chuva miudinha puxada a vento. Ao regressar a casa, deparou com a polícia municipal a rebocar todos os veículos mal estacionados. O carro dos seus vizinhos já lá não estava.

Deixou de ter um espelho; ficou com um pesadelo.

Pois é!

Cid Simões

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Aproximam-se tempos de grandes lutas
Temos que cerrar fileiras

Abel Manta

Aderimos a uma causa impelidos pela emoção. A emoção é o húmus do nosso descontentamento e a injustiça a madre e o alimento que lhe dá consistência e impele à acção. A consciência vamo-la construindo e burilando na realidade onde nos movimentamos e, destarte passando à firmeza da acção consciente. É um processo delicado, moroso, que necessita de criterioso acompanhamento para impedir o individualismo latente em cada um de nós e, se não atentos, se instala facilmente inquinando as relações entre os que se nutrem dos mesmos ideais.

Vivíamos nos meados da década de sessenta. As preocupações corporizavam-se. Refractários e desertores engrossavam o fluxo migratório de um povo que fugia à repressão e às degradantes condições sociais. A guerra colonial começava a inquietar grande parte da população e, alguns por ignorância, cretinismo ou maldade supunham que iríamos aplicar um correctivo aos pretos, – era deste modo que se referiam aos autóctones africanos – e regressaríamos ajoujados de condecorações para exibir nas paradas de glorificação à lusitana valentia.

A CGTP dava os seus primeiros passos na clandestinidade. Nas cooperativas, clubes desportivos — onde quer que se pudessem organizar mesmo sob uma legalidade vigiada — os trabalhadores promoviam-se culturalmente realizando debates com escritores, actores, pintores, músicos, alguns padres progressistas, poetas e muitos outros intelectuais democratas que se opunham ao fascismo. As bibliotecas eram os núcleos de todas estas actividades onde se fomentava a leitura e se divulgava livros proibidos e outros que, embora passados pelos crivos da censura, continham ainda alguma substância.

Cada vez mais isolada a nível interno e internacional, acossada pelos movimentos de libertação das colónias e por uma população que despertava e um operariado industrial e agrícola cada vez mais politizado, a besta fascista abria as garras, rosnava: a repressão atingia o paroxismo e, desde sempre, o Partido Comunista era o seu principal alvo.

É neste clima de sufoco que sou abordado por um empregado da livraria onde me deslocava com frequência e com o qual mantinha uma relação de conivência, reservando-me ele livros colocados no índex ou em vias de o serem. Nunca nos havíamos tratado por tu, mas dando a ideia de falarmos de livros coloca-me de chofre a questão: “Precisamos da tua ajuda. Temos que encontrar urgentemente um lugar seguro para um camarada.

A vida de qualquer um de nós encontra-se suspensa no imprevisível: uma palavra, uma frase, um encontro e o rumo que lhe damos faz de nós outro indivíduo para melhor ou pior, consoante a escala de valores por que nos regemos.

Até então as minhas tarefas eram semi-clandestinas, organizando, embora com forte vigilância da PIDE, sessões culturais, bibliotecas, contactos com intelectuais progressistas, ou no local de trabalho encabeçando reivindicações.

Tendo em conta as tarefas que desenvolvia e o local onde as exercia, não seria propriamente alguém que passasse despercebido ou não estivesse já referenciado.

Esta proposta elevava a um nível qualitativamente superior as tarefas que me eram confiadas, implicava riscos para os quais não me sentia suficientemente preparado e, além do mais, com uma dificuldade acrescida: tinha dois filhos e dependeria da minha mulher a decisão final.

Voltei com a urgência possível para confirmar a nossa disponibilidade e organizar o acolhimento do camarada. Uma satisfação contida e o sabor da adrenalina que noutras ocasiões já havia mastigado.

Trabalhos rotineiros nos primeiros tempos de adaptação, a aprendizagem envolta em cuidados novos e simulações diversas. A memorização de matrículas de automóveis da PIDE e uma atenção constante a comportamentos envolventes mantinham todos os sentidos em permanente alerta.

Só mais tarde e aos poucos fui sentindo que o trabalho clandestino acarretava enormes riscos e responsabilidades, exigindo um esforço constante, muita ponderação, um grande equilíbrio emocional como quem caminha no gume da faca para evitar a queda. Eram os cuidados a ter com a vizinhança, o afinar da linguagem atenuando a agressividade e temperando os nervos no fogo lento em que passámos a viver.

A nível profissional vivia sob um clima de repressão, em virtude da liderança em movimentos de contestação que não rejeitava sempre que necessário. Um outro emprego, a meio-tempo, para equilibrar o orçamento obrigava-me a um esforço suplementar. Eram as reuniões da secção cultural de que fazia parte, a procura de livros para a biblioteca, contactos para as realizações culturais e o apoio ao camarada que vivia no sótão da minha casa e, bem entendido, uma atenção redobrada com a família.

O cansaço condicionava a nossa actividade intelectual e a vida no lamaçal opressivo em que o fascismo nos mergulhava levava-nos a questionar se os riscos a que estávamos sujeitos se justificavam, face aos perigos constantes a que éramos submetidos na actividade clandestina.

É sob este estado de espírito que uma tarde saímos no meu Citroën 2CV a caminho de … eu não sabia onde. O funcionário transportava como bagagem duas tábuas atadas com um cordel. Claro que me apercebi que o nosso destino não seria nenhuma carpintaria e que as tábuas não eram mais que um disfarce, no meu entender bem conseguido.

Atento a alguma movimentação anormal, a viajem prosseguia como habitualmente e o diálogo, reduzido ao essencial, tornava o percurso ainda mais penoso. Frases obsessivas percorriam-me a mente: “justifica-se o risco que estou correndo?” “Servirá para quê o que estou fazendo? “Que acontecerá à minha mulher e aos meus filhos se me prenderem?”.

Seguindo as indicações que ia recebendo, chegámos a um local na Quinta da Lomba onde o funcionário desceu e, dentro do estabelecido, depois de confirmarmos as horas em ambos os relógios, eu deveria estar nesse mesmo local, precisamente daí a dez minutos e, no caso de um de nós lá não estar, voltaríamos cinco minutos depois e não tornaríamos a aparecer se o encontro não se efectuasse.

Para não ficar parado e gastar esses dez minutos, fui andando pelas imediações do local de encontro, atento às horas e a todas as movimentações. Num caminhar firme, levando à mão uma velha bicicleta, um homem em fato-macaco chamou a minha atenção e aproximei-me ultrapassando-o, dado que se encontrava no meu caminho.

Percorreu-me uma emoção havia muito não sentida e, de olhos marejados, prossegui com dificuldade os poucos segundos que me restavam para o reencontro. No porta-bagagens da bicicleta, atadas com uma corda, seguiam as tábuas que sem mim dificilmente aí teriam chegado. Senti-me um elo dessa grande corrente revolucionária que é o meu Partido, recuperei, nesse breve mas decisivo instante, a vontade de continuar, a necessidade de avançar porque nessa luta estava o futuro dos meus filhos e o dos filhos de todos os oprimidos.

A imagem do camarada da bicicleta e a bagagem que eu lhe havia feito chegar para continuar pelos mais variados modos o seu caminho serviu para alimentar a minha perseverança nos momentos de grandes dificuldades e perigos em que a debilidade espreitava.

A opressão é um lodo onde o caminhar cansa e sufoca; nele germinam vermes que nos sugam a alma e corroem a vontade; os estímulos que recebemos surgem de imagens e encontros que nos marcaram e de rostos e exemplos que não nos é possível esquecer.

Saber controlar a revolta conduzindo-a de acordo com o espaço e o tempo é mérito do revolucionário; um passo em falso e perdem-se anos de organização e sofrimento.


Cid Simões

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