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Posts Tagged ‘comunicação social’

«A recuperação do PCP é, aliás, um dos aspectos a analisar de forma atenta nestas eleições. Por que razão será que, ao fim de quase um quarto de século após a queda do Muro de Berlim, um partido que se afirma marxista-leninista cresce em câmaras, percentagem e número de votos à custa do voto jovem?»

São José Almeida (Público 5/10/2013)

Não encontram explicação. É natural. Já anunciaram as exéquias vezes sem conta, houve até quem afirmasse ter visto o féretro a caminho do crematório, e, no entanto, para espanto e terror de alguns, o PCP aparece-lhes vigoroso, firme e combativo. Gente pia, em grande parte, só poderá encontrar uma explicação, embora lhes custe admitir: ressurreição! E face a tão divino fenómeno celebrado por todos os crentes, só lhes resta ajoelharem-se perante o milagre e proclamarem em uníssono: Aleluia! Mas não. Desorientados ocultam o ressurgido, os mídia ignoram-no, fazem crer que está morto e nem sequer deixou rastro. E, para seu espanto, foi o único partido que subiu em votos, câmaras, eleitos, mandatos, percentagens e maiorias absolutas. Vade retro, Satanás! Que no Algarve, além de conquistar um município elegeu vereadores em quase todas as Câmaras, em algumas pela primeira vez. Hereges… o demónio está convosco! No Alentejo o “defunto” conquista capitais de distrito e a simbólica Grândola, além de outros municípios de relevo. O Alentejo é dos latifundiários acarinhados pelo PS e outros salafrários. Pois é! … E no distrito de Setúbal onde o PCP só lá deixou ao PS duas câmaras para amostra e os frustrados cangalheiros continuam a ignoram o feito. Para eles, por exemplo, Almada é como se não existisse com a sua maioria absoluta. T’arenego!  E Loures no distrito de Lisboa? E mais para cima Peniche, Alpiarça, Constância…

A CDU/PCP encontra-se de boa saúde e recomenda-se.

Tenham paciência, não desesperem.

A luta vai continuar

O jovem Bernardino Soares, eleito para a presidência da Câmara Municipal de Loures, é substituído no cargo de Presidente da Bancada Parlamentar do PCP na Assembleia da República pelo jovem vice-presidente João Oliveira, que por seu turno é substituído pela jovem deputada Paula Santos. A saída de Bernardino Soares chama ao grupo parlamentar do PCP o jovem David Costa. Olhando para a globalidade das bancadas do Parlamento, a representação do PCP é a mais jovem competente, combativa e com um indelével cunho de classe.

Cid Simões

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«A SOMBRA QUE ESCURECE O HORIZONTE»

Aviso à navegação:

“No Sul, a sombra que escurece o horizonte tem um nome mais conhecido: Partido Comunista Português (PCP).”

Atendendo à terminologia empregue, fácil é deduzir a quem se dirige este aviso. O “arco da governação” sabe que tem aplicado medidas do arco-da-velha e que pode ver reduzida, muito justamente, a sua expressão eleitoral, o que, obviamente, poderá favorecer o PCP. «As sondagens revelam uma proximidade na intenção de voto que parece indiciar que o voto do protesto se faça manifestar no PCP». Os periódicos de direita (há jornais de esquerda?), acenando com o papão comunista, não se atrevem a difundir as receitas do outro fascismo propaladas logo após o 25 de Abril – a injecção atrás da orelha nos velhos e criancinhas de tenra idade como suculento pequeno-almoço. Hoje, os métodos de intoxicação não são tão primários, mas o objectivo mantem-se: amedrontar o eleitorado para o manter no redil do “arco da traição” e para que «não regressem à esfera comunista».

Note-se que os articulistas não referem a CDU. Todo o articulado neste escrito gira à volta de uma preocupação «Há sinais de que o PCP pode ganhar ou reforçar a vereação em bastiões dos partidos do arco do poder» ou «nalgumas câmaras, atrapalhar os resultados socialistas.» Estas advertências têm várias leituras, para as quais devemos estar atentos: a) Fazer soar o toque a reunir nas principais “barricadas” por eles acima definidas e, se necessário e em último recurso, esmorecer a campanha de um deles, desviando os votos para o que no arco da governação esteja melhor posicionado se bater com o PCP. A táctica já é velha e nalguns casos resultou. b) Colocar a fasquia o mais alto possível nos resultados do PCP, resultados por eles enunciados, para que, mesmo que este melhor significativamente as suas posições, não atingindo embora os resultados que publicitaram, fazer crer que o PCP saiu derrotado.

É evidente que o PCP-CDU se baterá em todas as frentes, sabendo que os arqueiros do PS/PSD/CDS têm em comum os mesmos objectivos e as flechas apontadas para o mesmo adversário político. O PCP-CDU sabe por experiência adquirida que, à boca das urnas, qualquer um deles pode pela sorrelfa dar indicação de voto num do tal arco que se encontre melhor colocado para tentar travar o PCP-CDU o que, com a dinâmica que leva, não se lhes tornará fácil.

Cid Simões

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Sentado, bandeira nacional e da U.E. dando o aval indispensável ao discurso, o senhor ministro, através da TV, banhou-nos de justiça: A partir de agora (porquê só agora?), acabava-se a lavagem de dinheiro. Tal e qual! Não eram renovados mais alvarás para tão higiénica actividade.

Alertou ainda, haver somas exorbitantes que estavam a ser lavadas em bancos, seitas, casinos e noutras lavandarias de igual respeitabilidade.

Deixou um oportuno alerta: Era de desconfiar quando alguém aparecia com muito dinheiro.

Tudo novidades! Não creio mesmo que alguma vez se tivesse ousado pensar que não era lícito o dinheiro quando surge às golfadas, ainda manchado de sangue.

Tal notícia levou a que no bairro, para não levantar suspeitas, ninguém ousasse pagar com notas de cinco euros, batatas só compravam aos meios quilos e a manteiga aos pacotinhos de 125g. Os vizinhos vigiavam-se desconfiados. A dona Gertrudes nunca mais vestiu o casaco de caraculo (100% polyester), e o Mário da mercearia nem estreou o chinó.

Para chatices, diziam, já bastava as que tinham, não viesse a bófia pedir-lhes contas e saber se tinham ou não o dinheiro para lavar.

Uma outra personagem, o senhor Júlio, ainda não se refizera do choque. “Lavar” dinheiro!?… Com o prato da sopa a meio caminho da notícia, perdera o apetite. Lavar dinheiro!…

Ele e a sua Joaquina que não haviam feito outra coisa em toda a sua vida: Lavar. Ele lavou barcos, lavou ruas, lavou carros, lavou tudo. Tudo o que encontrou sujo lavou, desengordurou, poliu. E a sua companheira, fez barrela, branqueou, esfregou casas, escadas, tudo. Tudo o que estava sujo, lavou. E o que é que têm hoje? Uma reforma suja, para não lhe chamar nojenta.

Mas essa de lavar dinheiro até podia servir de biscate, pensava o senhor Júlio que abandonou a sopa e foi até ao banco do jardim procurar alguém que o elucidasse sobre tão bizarra notícia.

E ia cogitando: “Isto deve estar muito mau! Os ricos a lavar… Eles que por onde passam só fazem imundice.”

E continuava sonhador: “O ministro desconfia dos bancos e das seitas é natural, ninguém sabe como conseguiram tanto dinheiro em tão pouco tempo; mas o Júlio!… O Júlio e a Joaquina todos conhecem cá no bairro. Foram sempre pessoas sérias. O senhor ministro pode confiar mais num dedo do Júlio do que em todos os banqueiros. Todos.”

E já idealizava uma lavandaria moderna, subsidiada pela U.E. máquinas de lavar, secar, passar… Um brinquinho!

Pobre senhor Júlio, de consciência asseada, que só soube amealhar miséria durante toda a sua vida. Não! Ele nunca conseguirá compreender, na sua bela simplicidade, que a sujidade não está no dinheiro, mas nas mãos de quem dele se apoderou.

E que esse dinheiro quando muda de bolso não troca de fato, ou se muda de farpela não altera o seu objectivo: Continuar do mesmo modo a espalhar o terror e a sordidez na bulimia sem limites do mais e mais, despedindo, fechando fábricas e entrando no sub mundo da especulação.

Tampouco se apercebe que os donos dos bancos são os banqueiros, os concessionários dos casinos, os grandes magnates, banqueiros também alguns deles, bondosas criaturas que acolhem no seu seio, digo, sua teta, todos os que estejam à venda, melhor ainda se estão em saldo, projectando-os na vida política como seus servidores.

E que os senhores do dinheiro possuidores dessas respeitáveis instituições de caridade, são os “jet-Set” que se pavoneiam pelas colunas sociais de mistura com ministros, proprietários sinistros e outros benquistos do poder, num mundo que o senhor Júlio nem imagina que exista.

Milhões e milhões de euros, lavados ou por lavar, continuam a entrar em circulação como de trocos se tratasse, sem que ninguém dê por eles. Ninguém?…

Não será nas grandes e galopantes fortunas que os vamos encontrar.

Claro que não!

Cid Simões

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São muitas as lutas, mas escassa a sua cobertura mediática. Com algumas excepções, as lutas dos trabalhadores e populações recebem pouca atenção, ou atenção pouco esclarecedora.

Mas a realidade impõe-se à censura.

Não deixa de ser irónico que os mesmos meios de comunicação que silenciaram e silenciam a esmagadora maioria das manifestações ocorridas no nosso país sejam agora «obrigados» a informar que no ano passado se realizaram 3.012 acções de rua em Portugal (mais de 8 por dia, todos os 366 dias do ano…).

O que representa um aumento de 300% (trezentos por cento) em relação ao ano de 2011!!!

Os dados são do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2012.

António Vilarigues

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A entrevista de Salim Lamrani, Professor na Sorbonne IV, jornalista, especialista em relações Cuba-EUA com Yoani Sanchez, uma dissidente cubana com lugar reservado nos media hegemónicos ocidentais, é esclarecedora. As suas palavras nesta entrevista explicam por que foi tão meteórica a sua ascensão e a promoção que tem.

Qualquer comentário é desnecessário

Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob’s (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time (2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.

Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time (2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo para 2008.

Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos – segundo a própria blogueira – pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?

Ler Texto Integral

António Vilarigues

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O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções
Karl Marx

Sempre que o Ano Novo nos está a bater à porta, são chamados a botar palpites em todos os órgãos de manipulação social – jornais ditos de referência, rádios, televisões e outros megafones do grande capital – especialistas em esoterismo, adivinhos, magos, bruxos, videntes, feiticeiros, todos os profetas da nossa praça, com faculdades divinatórias de amplo leque, que vão dos cartomantes ao especialista em necromancia: os poderes supranormais conglomeram-se para predizerem o que trará dentro de si o bebé anonovo.

Os meus vaticínios têm sido testados; nunca falhei! Então, porque razões me ignoram?

Não me embrenho nas catacumbas do ocultismo, nem me ajoelho de mãos postas procurando respostas do além-mundo. Sou muito mais terra-a-terra: olho em meu redor, observo rostos e leio nas expressões os seus anseios, nos olhares sem expressão as inquietudes e no próprio andar o desânimo ou cansaço.

Nunca falho! Reafirmo! Já sei: dizem que sou agoirento. Mesmo com semelhante epíteto não desisto e, agoirento ou não, sem me socorrer dos astros, porque nem tão-pouco astrólogo sou, afirmo com a maior das convicções que para o ano os ricos serão ainda mais ricos e, como consequência, os pobres serão cada vez mais e mais pobres. Se isto não for verdade que nunca mais possa escrever sequer uma letra!

A corrupção continuará sem freio nos dentes. Ainda não roubaram tudo. Vamos assistir a mais desemprego, injustiça social e ainda muito mais canalhice governamental. É uma certeza irrefutável, não precisam de consultar os videntes.

Não necessitamos de fazer apelo aos búzios para afirmar que iremos continuar a privatizar e depois dos aviões será a vez dos nossos sonhos. Não desesperem.

Qualquer bola de cristal, mesmo da Marinha Grande, deixa-nos ver os portugueses a emigrar cada vez mais e eu, mesmo sem bola, antevejo mais compatriotas a saírem para tomarem o lugar dos que na década de sessenta também fugiram à fome.

O governo dará mãos livres ao patronato para despedir ainda mais para assim reduzir o número de desempregados. O crescimento económico será negativo, é um oximoro, crescer para trás, mas os malabaristas da linguagem têm destes truques. Entretanto não haverá crise para os Bancos e os Jet7 vão continuar a sugar os Jet/zero, mais conhecidos por Zé-povinho.

A nível internacional, assistiremos à continuação do genocídio na Palestina, ao massacre do povo sírio e ao esboroar do estado social onde quer que o imperialismo dite as suas regras.

Os povos vão intensificar as lutas pelos seus direitos e a democracia deles intensificará a repressão.

Se tudo isto não acontecer emigro para Marte ou qualquer outra parte.

Cid Simões

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  O fascizante estribilho «os portugueses vivem acima das suas possibilidades», pela sua recorrência nos meios de comunicação social, faz lembrar aquele outro propalado durante o governo de Salazar: «Angola, é nossa!».
Embora possa haver pouca similitude entre os intervenientes de um estribilho e outro, haverá, certamente, um ponto de contacto nos seus desfechos.

Pela luta Angola libertou-se da amarra colonial.

Pela luta Portugal há-de encontrar a via de se libertar da canga ideológica que o amordaça.

Até lá, no contexto das lutas quotidianas, importa recolher informação, convertendo-a em conhecimento com a seguinte preocupação: transformá-lo numa arma de luta.

António Vilarigues

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