Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘euros’

  • Em 2011 os salários dos trabalhadores das empresas do PSI 20 – e com os restantes assalariados a situação é pior – desceram 11%. Isto em salários 44 (!!!) vezes menores que os dos gestores (e ainda há quem diga que os sacrifícios estão bem repartidos!).

  • O buraco do BPN actualmente estimado pela CGD é 38 vezes superior ao miserável orçamento da Cultura para 2012.
  • Segundo dados do Eurostat, Portugal tem a mais baixa taxa de emprego em áreas culturais da União Europeia a 27 (UE27).
  • E tem, em compensação, a mais alta taxa de empregos precários e a mais alta taxa de empregos temporários nessas áreas.
  • Portugal tem dos mais altos défices da UE27 entre exportações e importações de bens culturais.
  • Em 2007 70% dos portugueses não assistiram a uma única sessão de cinema, mais de 50% não assistiram a um espectáculo ao vivo, perto de 70% não visitaram qualquer espaço cultural, cerca de 60% não leram um livro.
  • No último ano o desemprego cresceu 40 por cento nos Açores, havendo mais de 12 mil jovens com menos de 25 anos desempregados. Muitas das vezes sem qualquer subsídio ou apoio.
  • Em 2011 o preço médio de venda do peixe em lota foi de um euro e 67 cêntimos e o preço da sardinha (40 por cento das capturas) foi de 68 cêntimos. Sabendo-se ao preço que se encontra na banca da peixaria, fácil é perceber as margens de lucro obtidas por quem não lança as artes de pesca ao mar.
  • Tudo aponta para a existência de uma desconformidade entre a actual rede de recepção e venda de peixe e aquelas que são as necessidades das comunidades piscatórias. Por um lado, aquela rede é composta por 20 lotas e 33 postos de vendagem. Por outro, o número de portos de pesca eleva-se a 90. Donde resulta, pois, que algumas dessas comunidades piscatórias são obrigadas a maiores deslocações para descarregar o pescado, com os custos daí inerentes.

Há algumas «verdades que andam ocultas sob um manto de desinformação» que importa conhecer, para ilustrar a «dimensão do crime que o Governo quer cometer»:

  • a TAP é o maior exportador nacional e a sua privatização significaria o desaparecimento de mais de mil milhões de euros de exportações;
  • a TAP representa mais de 100 milhões de euros anuais de receitas para a Segurança Social;
  • a TAP é um poderoso grupo económico português, onde pontificam empresas como a TAP, a SPdH, a Portugália, as Lojas Francas, a Cateringpor, a Megasys e tantas outras;
  • a TAP assegura largas dezenas de milhares de postos de trabalho directos e indirectos;
  • a TAP assegura a capacidade soberana nacional de transporte aéreo num País com nove ilhas no território, com milhões de emigrantes e no qual o turismo representa uma percentagem muito significativa do Produto Interno Bruto;
  • a TAP possui uma frota jovem (oito anos de idade média) de 55 aviões e uma capacidade reconhecida na manutenção aeronáutica.

Privatização da TAP – Um crime contra a economia e a soberania nacionais

Passividade e incapacidade, impotência e incompetência, assim podemos caracterizar o comportamento do Governo e do Ministério da Economia para com o sector da construção civil e imobiliário.

O avolumar da crise chegou entretanto a um ponto tal que atingimos uma fase aguda e a ruptura. Para aí apontam todos os indicadores:

  • 8543 empresas terem fechado portas em 2011 (mais 61 por cento do que em 2010), prevendo-se, caso nada seja feito, que mais 13 mil encerrem até final deste ano.
  • Só no primeiro trimestre deste ano foram eliminados 38 300 postos de trabalho (mais de metade da redução do emprego total no País), segundo dados do INE, que admitiu que até Dezembro esse número suba para 140 mil.
  • Tudo somado dá qualquer coisa como a liquidação diária de 23 empresas e de 426 postos de trabalho.
  • Este é um sector com uma importância vital – vale 18,2% do PIB, considerando globalmente construção civil e imobiliário –, com um «elevado grau de interdependência na cadeia de valor da fileira», a par da sua «densa transversalidade com outras fileiras e sectores industriais e de serviços».
  • Isto sem falar dos impactos no sector financeiro, com o crédito à construção e ao imobiliário a rondar os 38 mil milhões de euros e as imparidades a aproximarem-se dos 200 mil milhões de euros.

António Vilarigues

Anúncios

Read Full Post »

Metão todos os Ministros, Cabos e Oficiais as mãos em suas consciências, e acharão, que tanta pena como o ladrão merece, quem lhe dá ocasião semelhante para o ser”.

Arte de furtar (1652)

Tipo de lábia fácil, insinuante, bem parecido, um tanto macilento, ferrete da última prisão, sentado na mesa junto à minha, onde tomava a bica, tentava vender-me uma ideia genial, um negócio chorudo, uma pechincha.

Admirei o talento que punha na exposição, na quase convicção nos argumentos que utilizava, embora com deficiências naturais de alguém que não havia cursado, de um autodidacta, em suma.

Senti alguma compaixão e, sorrindo, disse-lhe com simpatia que falhara: “O senhor faz-me promessas que de antemão sabe não poder cumprir.

De chofre, retorquiu: E depois? É algum crime? Reconhece nalgum dos políticos que nos têm governado uma postura diferente da minha e que tivessem sido punidos por semelhante comportamento? Eu sigo a moral vigente. Se o conseguir convencer das minhas patranhas, se aceitar os meus argumentos, se confiar em mim…

Confrontado com tamanha evidência, com flecha tão incisiva, hesitei mas lá fui dizendo que era uma violência feita à credibilidade que lhe concedesse, abuso e agressão à minha boa fé e formação moral.

Empolgante, voltou ao ataque: os políticos de serviço vendem-lhe um produto tal como eu lhe pretendo impingir o meu, o modo de pagamento é que é diferente. Eu cobro-lhe em dinheiro à vista; depois de eleito o politico-governante, cobra-lhe nos impostos, nos serviços a que deveria ter acesso e a que tem direito, nos salários que não chegou a ganhar nos empregos que não conseguiu ou na insegurança e intranquilidade que não tem. Não é maior o logro?

Veja por exemplo: da última vez que fui preso, tentava trocar uma moeda corrente por outra de valor superior; o lesado não perdia mais do que alguns euros. Não é menos prejudicial do que baixarem o poder de compra depois de lhe terem garantido precisamente o contrário ou extorquirem metade do 13º mês depois de afirmarem que tal não aconteceria?

E mais: sempre lhe disseram que, uma vez na UE, com trezentos milhões de clientes para os nossos produtos, teríamos trabalho, relativo bem-estar e uma felicidadezinha pelo menos à nossa medida, no entanto todos os dias há fábricas que fecham e, já há algum tempo, a Reuters revelava um estudo da UE, que ganharíamos com a deslocalização do nosso tecido produtivo para outros países, outros continentes.

Não acha que a venda do prémio da cautela, por metade do seu valor, comparado com os crimes praticados na base destas conclusões, é um episódio que nos faz sorrir pela sua candura?

Um pobre vigarista como eu que luta diariamente pelo seu rouba-pão nosso de cada dia é um querubim comparado com esses falsários.

Olhando-me de frente interrogou: está ou não de acordo?

Hesitei, gaguejei e não encontrei resposta.

Quer um outro exemplo?

– Um grupo de professores universitários há já algum tempo tiraram a gravata e, entre os aperitivos e a lagosta suada, propuseram-se, em bloco, defender a classe operária. Bastava recordar como acabaram todos, absolutamente todos, saídos do mesmo saco, para saber que nos ofereciam um produto que ASAE rejeitaria.

No entanto só eu e os meus colegas somos apodados de vigaristas.

Sabe meu caro senhor; tal como o pequeno comércio que está sendo engolido pelas grandes superfícies, os vigaristas artesãos estão a ser trucidados pelos profissionais encartados, formados pelas grandes escolas de Chicago e com altos cargos nos postos de decisão no país e na UE, e que recusam subvencionar a nossa reciclagem. É o fim!

Com elevada postura despediu-se, e como quem prestou um serviço indicou: pode pagar a minha bica! E adiantou: já agora levo o seu maço de tabaco. Bem-haja!

Pelo menos os vigaristas artesãos agradecem, os profissionais açulam-nos os cães.

Cid Simões

Read Full Post »

“A desconfiança a todos os níveis e as dívidas que
atingem limites assustadores fazem com que as
pessoas cortem na alimentação e outros bens”.
Miguel Goulão

Um pedacito de lápis que os miúdos deixaram sobre a mesa, o espaço da página não impressa de um anúncio de luxo num jornal e o sobrolho carregado que não serviria para publicitar o prazer de estar em férias.

Contabilizar os compromissos a satisfazer ao regressasse a casa é um exercício penoso mas necessário.

O jornal, o lápis, o homem e os números, números que, gemendo apreensões, vão escorrendo pelo papel.

Um gole de café requentado, um cigarro e mais cifrões (ou eurões?) que adicionava, lenta e penosamente, a outras parcelas, e outras e outras ainda, à pilha de algarismos que não parava de crescer.

Para descontrair, o “homem em férias”, displicente, folheou o jornal detendo-se, sem interesse, num ou noutro título: portagens, IVA, aumentos dos transportes colectivos e outras bagatelas que não cabiam no cesto do seu desinteresse; voava, ou pretendia planar, acima de preocupações tão comezinhas.

Vagueou o olhar pelo que o circundava, retendo-se numa garrafa de whisky, vazia há já dois ou três dias; empresta um certo estatuto ter um bom whisky em casa, de preferência bastante velho; Dá estatuto!

Mas… os números, sempre os números a fustigá-lo. O empréstimo feito ao banco, os juros daí decorrentes, contas que ficaram por saldar!

A euforia dos primeiros dias de pretenso repouso esfumou-se e, se o sol continuava, o relativo bem-estar fora de pouca dura, a realidade, aos poucos, impôs-se.

Férias, não são só tempo livre; pressupõem disponibilidade de espírito, tranquilidade que, partindo do presente, não pode deixar de ter em conta o futuro, e o futuro era já a garrafa vazia e, os meses de Setembro e Outubro, cheios de problemas, que alguns dias de desejado descanso vieram agravar.

Não havia tido em conta os imprevistos: amigos e conhecidos que se encontram, e não se pode deixar de acompanhar a bons restaurantes, contactos que se não devem perder porque ninguém sabe o dia de amanhã. E de compromisso em compromisso, esparrela em esparrela e um descontrolo sobre os euros – mil escudos são só cinco euros, a carteira foi minguando.

Não se fazer encontrado em locais de referência, onde políticos mediáticos e seus cortesãos aquecem as suas influências, teria custos elevados.

A engrenagem dos favores é complexa e implacável. A troca de um sorriso, o esboço de um cumprimento, são mais-valias a não menosprezar, podem mais tarde servir de pretexto para “trocar impressões”, insinuar-se, mostrar-se disponível, em suma, tirar daí proveito: negociar favores!

Quase a medo abre o jornal na página fatal: “movimento bolsista”. Os malditos papéis valem cada vez menos, melhor será despachá-los.

Colocar os filhos no ensino público, frequentar restaurantes modestos, levar a vida pacata do comum dos mortais são golpes rudes de suportar, geradores de incompreensões que se traduzem em desaguisados familiares e distúrbios psíquicos, dos quais, dificilmente, se libertam os que enveredam por caminhos escorregadios.

A pequena e média burguesia têm pés de barro e tentam, usando cordas sebosas, guindar-se ou confundir-se com os poderosos; exercício que os leva a cair, com frequência, na classe que sempre menosprezaram.

Insurgem-se contra os senhores que lhes alimentaram ilusões, culpabilizando, no entanto, os que no sopé da pirâmide lutam pelo pão de cada dia.

Nunca se olham ao espelho, o mal vem sempre dos outros. Desconhecem, no fulgor do efémero sucesso, que a instabilidade a que todos, absolutamente todos, estão sujeitos é uma constante, tão mais traumática, quanto mais alto se sonha subir.

Classezinha de frustrados, híbrida, fragmentada e presunçosa.

Coitada!

Cid Simões

<!–[if !mso]> <! st2\:*{behavior:url(#ieooui) }st3\:*{behavior:url(#ieooui) }st4\:*{behavior:url(#ieooui) }st1\:*{behavior:url(#ieooui) } –>

“A desconfiança a todos os níveis e as dívidas que atingem limites assustadores fazem com que as pessoas cortem na alimentação e outros bens”.

Miguel Goulão

Um pedacito de lápis que os miúdos deixaram sobre a mesa, o espaço da página não impressa de um anúncio de luxo num jornal e o sobrolho carregado que não serviria para publicitar o prazer de estar em férias.

Contabilizar os compromissos a satisfazer ao regressasse a casa é um exercício penoso mas necessário.

O jornal, o lápis, o homem e os números, números que, gemendo apreensões, vão escorrendo pelo papel.

Um gole de café requentado, um cigarro e mais cifrões (ou eurões?) que adicionava, lenta e penosamente, a outras parcelas, e outras e outras ainda, à pilha de algarismos que não parava de crescer.

Para descontrair, o “homem em férias”, displicente, folheou o jornal detendo-se, sem interesse, num ou noutro título: portagens, IVA, aumentos dos transportes colectivos e outras bagatelas que não cabiam no cesto do seu desinteresse; voava, ou pretendia planar, acima de preocupações tão comezinhas.

Vagueou o olhar pelo que o circundava, retendo-se numa garrafa de whisky, vazia há já dois ou três dias; empresta um certo estatuto ter um bom whisky em casa, de preferência bastante velho; Dá estatuto!

Mas… os números, sempre os números a fustigá-lo. O empréstimo feito ao banco, os juros daí decorrentes, contas que ficaram por saldar!

A euforia dos primeiros dias de pretenso repouso esfumou-se e, se o sol continuava, o relativo bem-estar fora de pouca dura, a realidade, aos poucos, impôs-se.

Férias, não são só tempo livre; pressupõem disponibilidade de espírito, tranquilidade que, partindo do presente, não pode deixar de ter em conta o futuro, e o futuro era já a garrafa vazia e, os meses de Setembro e Outubro, cheios de problemas, que alguns dias de desejado descanso vieram agravar.

Não havia tido em conta os imprevistos: amigos e conhecidos que se encontram, e não se pode deixar de acompanhar a bons restaurantes, contactos que se não devem perder porque ninguém sabe o dia de amanhã. E de compromisso em compromisso, esparrela em esparrela e um descontrolo sobre os euros – mil escudos são só cinco euros, a carteira foi minguando.

Não se fazer encontrado em locais de referência, onde políticos mediáticos e seus cortesãos aquecem as suas influências, teria custos elevados.

A engrenagem dos favores é complexa e implacável. A troca de um sorriso, o esboço de um cumprimento, são mais-valias a não menosprezar, podem mais tarde servir de pretexto para “trocar impressões”, insinuar-se, mostrar-se disponível, em suma, tirar daí proveito: negociar favores!

Quase a medo abre o jornal na página fatal: “movimento bolsista”. Os malditos papéis valem cada vez menos, melhor será despachá-los.

Colocar os filhos no ensino público, frequentar restaurantes modestos, levar a vida pacata do comum dos mortais são golpes rudes de suportar, geradores de incompreensões que se traduzem em desaguisados familiares e distúrbios psíquicos, dos quais, dificilmente, se libertam os que enveredam por caminhos escorregadios.

A pequena e média burguesia têm pés de barro e tentam, usando cordas sebosas, guindar-se ou confundir-se com os poderosos; exercício que os leva a cair, com frequência, na classe que sempre menosprezaram.

Insurgem-se contra os senhores que lhes alimentaram ilusões, culpabilizando, no entanto, os que no sopé da pirâmide lutam pelo pão de cada dia.

Nunca se olham ao espelho, o mal vem sempre dos outros. Desconhecem, no fulgor do efémero sucesso, que a instabilidade a que todos, absolutamente todos, estão sujeitos é uma constante, tão mais traumática, quanto mais alto se sonha subir.

Classezinha de frustrados, híbrida, fragmentada e presunçosa.

Coitada!

Read Full Post »