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Encontrei-lhe um sentido poético: «Quinta dos Medos» recordando folguedos infantis, onde o susto surgia a justificar assombrações, com divertidos fantasmas, que espalhavam alegria e risos pela pequenada.

E como me enganei!…

O susto é efémero. Os medos radicam-se, crescem, tornam-se adultos e guardadores de vinhas. Matreiros, não se escondem no vinhedo mas dentro de nós, barram-nos o caminho, coartam-nos a liberdade.

Os medos multiplicam-se, perseguem-nos. Agressores com máscaras de passividade, encontramo-los nos olhares apreensivos, nos rostos macerados, na mão húmida que se deixa apertar, no discurso ponderado quando não adulador.

Os medos minam os sonhos, cavalgam no nosso inconsciente a personalidade a esboroar-se.

Na «Quinta dos Medos» adultos, trabalha um homem (como muitos outros), cinquenta e poucos anos, gosta do que faz e fá-lo bem.

A «Quinta» foi vendida a estrangeiros que a vão remodelar; rentabilizar… É o pânico!

A angústia saída de um grande susto emudeceu-o. A ansiedade deprime-o, os cabelos embranquecem, as rugas deixam marcas doídas de chibata. Força o sorriso, e as anedotas com que pretende ilustrar o seu dia-a-dia profissional perderam a seiva que transporta o humor, dificultando a imagem dinâmica e a boa disposição que pretende encenar.

O amanhecer torna-se num pesadelo. Passa a renegar tudo e todos; os acessos de agressividade saltam incontroláveis na pele de tambor de uma calma esticada.

Sente o perigo espalhado na aparente tranquilidade e como qualquer outro animal, crispa-se, ruge e aguarda.

E eis que surge lúgubre e melosa como todos os cangalheiros, a senhora «rendibilidade». Amável, carinhosa mesmo, de poucas falas e muitos sorrisos, deixando em aberto dois caminhos com o mesmo destino: A Rua!

«Que a viabilidade do empreendimento passa por uma reestruturação moderna; que não desejava utilizar meios coercivos, tão-pouco pretendia recorrer aos mecanismos legais de que dispunha; que todos lucrariam na rescisão amigável do contrato de trabalho…»

Tanta experiência, tanto ainda para dar, a juntar a tudo o que já deu!…

Oficialmente a reforma está distante. Se fosse possível dar dez anos da própria vida…

O choro convulsivo da primeira visita ao médico, uma dor funda no peito, a saliva espessa, amarga.

Apercebe-se que toda a sua actividade está sob vigia, os contactos com os clientes analisados, classificados, os resultados contabilizados.

Cartão magnético para acesso condicionado a locais onde até então circulava livremente.

Todos os mais modernos meios de gestão ao serviço da opressão e da competitividade.

A corrida aos ansiolíticos, a tudo o que a ciência tem produzido de mais aberrante para condicionar o ser humano por caminhos que não são os seus. É o primeiro refúgio.

Os tranquilizantes tornam-lhe a condução num pesadelo. Quando por momentos adormeceu ao volante, recomposto do susto, lamentou que não tivesse sido o fim. A falta de perspectivas, de ânimo para continuar, a atracção pelo abismo.

Vai receber a indemnização? Sujeitar-se a ser despedido?

As drogas vão-no deixando apático, indiferente, aceitando a vida assim, pérfida, inglória, injusta, como se normal fosse.

O medo vai diluindo toda a dignidade, corroendo a força e a vontade de se defender.

No século das grandes descobertas científicas, usando-as, usando-nos o medo é o rei perante o qual todos, todos se prostram.

TODOS?!

      É a medo que escrevo. A medo penso.

      A medo sofro e empreendo e calo.

      A medo peso os termos quando falo.

      A me renego, me convenço.

      A medo amo. A medo me pertenço.

      A medo repouso no intervalo

      De outros medos. A medo é que resvalo

      O corpo escrutador, inquieto, tenso.

      A medo durmo. A medo acordo. A medo

      Invento. A medo passo, a medo fico.

      A medo meço o pobre, meço o rico.

      A medo guardo confissão, segredo,

      Dúvida, fé. A medo. A medo tudo.

      Que já me querem cego, surdo, mudo. 

José Cutileiro (Rodrigues, 1980)

Cid Simões

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scream_lgO pânico do poder distingue-se do ataque de pânico ou de um período distinto de intenso temor. Sendo que os dois últimos não ultrapassam picos de 10 minutos e o primeiro, a sensação é constante, por isso, mais patológico e de consequências mais gravosas, por ao contrário, dos ataques de pânico e períodos curtos de temor, o pânico do poder, afecta não só o sujeito alvo, mas sim, terceiros.
Os efeitos somáticos e cognitivos daí resultantes e estudados pela psicologia moderna, são 13: palpitações ou ritmo cardíaco acelerado; sudorese; tremores ou abalos; sensação de falta de ar ou sufocamento; sensação de asfixia; náusea ou desconforto abdominal; sensação de tontura, instabilidade, vertigem e desmaio; sensações de irrealidade ou de despersonalização, medo de perder o controlo ou enlouquecer, medo de morrer, parestesias e calafrios ou ondas de calor.

Durante os ataques ou na vivência permanente do pânico, o indivíduo sente-se estranho ou irreal, interroga-se, várias vezes e por vezes de forma alucinante e repetitiva:
– “E se perco o controle?”
– “E se enlouqueço?”
– “E se tenho um ataque do coração ou morro?”
– “E se tenho isto em público e sofro uma humilhação?”

De referir, que o pânico, é uma das ferramentas de sobrevivência, desenvolvidas pela espécie animal para servir de alarme e se acautelar do perigo.
Todos já experimentaram a sensação de pânico.

MaskeNo pânico permanente, existem vários, afloremos o pânico do poder com as suas várias fases.
Normalmente começa pela ânsia do poder, fomentando no sujeito os níveis de ansiedade.
Se com sucesso na conquista, e passada a fase da euforia, entra na obsessão de o manter, ultrapassando assim a linha da ansiedade, começando a ter laivos de patologia.
Desconfiando perder o controlo das situações, que se vão, normalmente multiplicando a velocidades alarmantes, cria centros de informações, afectando recursos para pesquisar e processar toda e qualquer informação, a si, referente. Elabora estratégias para silenciar quem se lhe opõe, usando os meios de que dispõe. Os meios que outrora lhe foram confiados por um povo que na figura depositou as suas esperanças. Ingenuamente, pode-se dizer. Pois a maioria ainda acredita no Pai Natal, em sua forma mental-metafórica.
Aqui o líder político, entra noutro estádio. A desconfiança.
Desconfia de tudo e todos. Começa a ver nos seus mais próximos, os candidatos à sucessão. No marketing, só ele aparece. Os vices e lacaios, desaparecem dos cartazes e dos holofotes. O líder agora é a figura central, o resto são sombras.
Perde a noção da realidade.
Abomina os possíveis candidatos e nesta fase entra na insanidade completa. Aqui é a fase perigosa. O estrebuchar, porque, as consequências são aleatórias e imprevisíveis.
Normalmente, é o fim.

Os ciclos mudam, no aspecto temporal e no modo de silenciamento. Hoje, desenvolvida a área da comunicação, apenas faz com que os ciclos sejam mais rápidos.
Para as agremiações do verdadeiro poder, descarta-se facilmente um suposto líder visível, descansados através de listas enormes de candidatos vorazes, loquazes e capazes de habilidades do arco-da-velha.
Só têm que vender a alma às várias confluências de interesses que governam temporáriamente o planeta e seguir o plano. Induzir na Humanidade, a mentalidade do dinheiro e do status.
Escravizar sub-liminarmente.
Falta ainda aqui toda a complexa envolvência espiritual…

Assim a Humanidade vai se esquecendo de suas essências fundamentais…

Zorze

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O quase infinito pode caber nesta música.

Variando os contextos, da susceptibilidade de quem ouve, principalmente de quem está fora de si, procurando incessantemente o seu centro, o seu posicionamento no Universo, que anda perdido.

Talvez a maior parte.

Se certezas houvesse, num qualquer momento passado, não as teve e nas dúvidas se embrenhou, para daí renascer novamente, apalpando o desconhecido, mais certo na convicção das experiências que passou. São os ciclos da natureza, que também é humana. Fazemos todos parte de um todo, cada um na sua individualidade, suspirando um alcançar não definido.

Talvez a magia da vida possa ser isso, o incerto.

Vivemos tempos fascinantes, dizemos isto repetidamente em várias épocas.

Vivemos os verdes anos da Humanidade.

Nesses campos verdes, a Humildade, é a semente mais importante a plantar e com a força do Amor a regaremos. Seus frutos serão uma partilha de vida entre todos, moldada geneticamente por respeito da diferença, constatando que afinal somos mais iguais do que pensávamos.

Com a energia que trazemos quando nascemos e que vai sendo destruída paulatinamente por toda a envolvência social, económica e psíquica. Muitas vezes até uma questão de sorte se trata. Do lugar natal ou do berço familiar. Daí se faz a mesologia de um indivíduo e sua interpretação do mundo.

Uma nova abordagem de aprendizagem será aprender a libertar-se de novo, de desamarrar nós, partir grilhetas e arrebentar com amarras.

Não são blibios que vos libertam, histórias contadas por uns para muitos, heil’s, amen’s, alá’s, livros sagrados e avés.

Nas nossas essências já somos livres, mesmo que alguns de vós tenham baixado os braços, mesmo alguns que já vergados e vergastados pela insanidade de outros, mas que, ainda pingam laivos de vida.

Ergam-se e não tenham medo.

As cicatrizes saram.

Sonhar é permitido.

Questionar tudo é um direito.

Sendo um dever, ensinar outros.

Quanto mais consciências acordadas, melhor será o mundo que partilhamos por momentos.

Ouse e sem medo, pois é, com os erros que aprendemos.

Zorze

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