
O dinheiro deveria ser como os alhos que não se podem guardar,
com o tempo chocham.
O pobre carteirista encartado, ainda teve ilusões quando lhe encheram os ouvidos com os 300 milhões de clientes.
É certo que para outros gatunos abriram-se novas perspectivas com o Mercado Único e a livre circulação de capitais; mas para um modesto artesão madrugador, que arrisca o pêlo na confusão do “Metro“, sem conseguir mais que um porta-moedas com alguns escassos cobres que mal dão para a sopa, 300 milhões de clientes é muito milhão!
Profissão de grande desgaste, especialização e alto risco, nunca soube que algum destes profissionais tivesse enriquecido, tão pouco houve conhecimento que lhes tivessem dado acesso a qualquer curso de especialização para lhes permitir o acesso a off-shores, mais conhecidos, vejam bem, por paraísos fiscais.
Em suma, o pilha-galinhas, o carteirista ou o pilharete continuam como qualquer um de nós: preocupados com o futuro.
Bom, bom, está para a fina-flor do entulho, os bicheiros, os patrões dos jogos de influências, (nunca se chegou a conhecer o preço de uma amizade com um qualquer ministro), mágicos da corrupção, gente bem que esmifra gente de bem…
Bem-cheirosos, bem-nutridos, bem-dispostos, bem-parecidos (melhor seria se desaparecidos), com fotos nas colunas sociais ou policiais, é pouca a diferença; gentaça condecorada com todas as “Ordens” e desordens do espúrio; Conselheiros de Estado acumulando a de gestores na área do arrecado; ministros e ex-ministros sinistros mergulhados em escândalos viscosos, gestores de empórios para os quais fabricaram leis e contractos que revertem em seu beneficio. E os media que deles vivem ou a que pertencem não os tratam de escória ou lixo porque não sabem onde começa ou acaba a influência da quadrilha.
E tudo isto vem de longe e nada tem de novo pois já em 1994, é bom não esquecer, dos 186 inquéritos aos subsídios do Fundo Social Europeu (FSE), entregues nas directorias de Lisboa e Porto, em 125 “não há rastos de investigação ou esta é apenas embrionária“; os restantes diluíram-se no tempo e caíram no fosso da prescrição. «Desde 2007, de entre centenas de processos de corrupção foram condenados 249 indivíduos. De entre os 249 condenados, 14 foram presos»
E a rapina continua a coberto da legalidade forjada pelas próprias ratazanas.

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[MAIS DE MEIO MILHÃO DE EUROS!]
Este outro gang depois do esbulho continua incólume.
Todos estes operacionais foram colocados em altos cargos como prémio pela extorsão a que nos sujeitaram.
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Quem os conhece bem é o Padre Manuel da Costa, retratando-os, melhor, radiografando-os, na sua celebre “ARTE DE FURTAR“. Diz-nos, o Padre Manuel, que nunca ninguém se queixou que o dinheiro lhe pegasse doença a não ser “fome de lhe darem mais“, concluindo subtil e sublime destarte:
“DONDO COLHO QUE NAÕ HE BOM O DINHEIRO PARA PAÕ; QUE SE FORA PAÕ, NUNCA HOUVERA DE MATAR A FOME“
Cid Simões




