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Posts Tagged ‘Pobreza’

A realidade com que Portugal está hoje confrontado – expressão de mais de 37 anos de política de direita, do processo de integração capitalista da União Europeia e da própria natureza da crise estrutural do capitalismo – reflecte o rumo de declínio económico e retrocesso social que teve, primeiro com os PEC’s do PS e depois com o Pacto de Agressão que PS, PSD e CDS assumiram com a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, factores de forte acentuação e aceleramento.

Uma política que, submetendo o país aos interesses do grande capital nacional e estrangeiro, arrastou Portugal para a mais longa recessão económica da sua história contemporânea, traduzida:

  • em níveis de desemprego que se aproximam de um milhão e meio de trabalhadores desempregados,
  • no alastramento da pobreza e o crescente empobrecimento de vastas camadas da população,
  • em níveis de investimento próximos dos verificados na década de 50 do século passado
  • e nos mais elevados níveis de endividamento e dependência externa desde os tempos do fascismo.

Uma política e um governo que, a não serem derrotados, ameaçam destruir as condições de vida da esmagadora maioria da população, arrasar com a economia nacional, comprometer a soberania, a independência e o futuro do país.

Em vez da inevitabilidade com que procuram iludir o caminho que está a ser seguido, aquilo a que o país assiste é a uma opção clara, programada e enganadora, da parte do actual governo.

Clara na medida em que cada euro roubado aos salários, às pensões, aos rendimentos dos micro e pequenos empresários ou agricultores servirá, como aliás tem servido, não para resolver qualquer dos problemas do país, mas para manter intocável o carácter rentista e parasitário dos grupos monopolistas que operam em Portugal.

Programada, porque a pretexto desta crise, aquilo que está neste momento a ser concretizado, é uma velha aspiração de ajuste de contas com direitos e conquistas alcançados com a Revolução de Abril, é a reconfiguração do Estado ao serviço do grande capital, é a intensificação da exploração dos trabalhadores, reduzindo salários e direitos e alargando o tempo de trabalho.

Enganadora, porque apresentada como caminho para “libertar” o país da troika e o tão propalado “regresso aos mercados”, corresponde, no fundo, ao caminho da perpetuação, durante as próximas décadas, do empobrecimento e da austeridade como modo de vida e futuro do país, fonte de lucros e privilégios do grande capital e a condenação de Portugal à dependência e subordinação ao capital transnacional e ao imperialismo.

O desânimo, a descrença, a falta de esperança, a abstenção, a desistência das escolhas políticas e eleitorais que melhor defendem os interesses do povo da política de direita, só ajudariam à continuação da política de direita contra os trabalhadores.

António Vilarigues

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«Eu não quero receber medalhas, quero justiça na economia, justiça na repartição da riqueza criada, quero emprego com direitos para gerar essa riqueza, quero que a dignidade do homem seja mais valorizada que os mercados, quero que o interesse colectivo e o bem comum tenham mais força que os interesses de meia dúzia de privilegiados.»

José António Pinto na Assembleia da República
(aqui)

Aproxima-se o Natal, há que burilar o verbo amar nos corações, exercitar os bons sentimentos com genuflexões de alma, embeber-se de piedade pelos pobrezinhos, os pretinhos, os velhinhos, os aleijadinhos, olhar todos os “inhos” com os olhinhos que reflectem os seus espiritozinhos. Coitadinhos!…

Dizer às crianças que o Pai Natal não tem brinquedos para todos os meninos nomeadamente os mais carenciados (belo eufemismo!) o que é para eles uma injustiça dado que o menino Jesus ainda não tinha aberto os olhinhos já os Reis Magos o presenteavam com ouro, incenso e mirra, o que lhe permitiu um bom pé-de-meia e bom cheirinho. Coitadinho!…

Claro que as crianças não conseguem entender porque é que o Pai Natal só tem brinquedos para os meninos que já não sabem que fazer a tudo o que possuem, obrigando os seus papás a malabarismos de linguagem para lhes explicar tão grande aberração; ou bênção? Coitadinhos!…

E porque são todos muito bonzinhos, os paizinhos, para colmatar tamanha injustiça, – ou justiça divina, vá lá saber-se – irão com os seus rebentos vasculhar nos gavetões, sótãos e saguões, procurando entre a tralha o que não servindo, serve aos filhos dos desempregados. Coitadinhos!…

Entretanto os funcionários públicos já foram avisados que não devem colocar o sapato na chaminé e muito menos a bota. O natalzinho dos funcionáriozinhos vai ser de chinelo roto. Coitadinhos!…

Começou a agitação nos corações de todos os que gostam muito dos pobrezinhos. Coitadinhos!

A festa natalícia aproxima-se, e há que proporcionar aos pobrezinhos, coitadinhos, a ceia de Natal. Há milhares de meninos que passam fome e os bons corações que explodem de emoção, não vão permitir que os pobrezinhos coitadinhos, não tenham ceia de natal, uma consoada repimpada que os faça esquecer por algumas horas a fome dos dias seguintes.

Milhares de voluntários pedem para os necessitados, gente programada para ter pena dos pobrezinhos uma vez por ano, como se a pobreza fosse um fenómeno cíclico que surge anualmente precisamente pelo natal.

O aviltamento a que são sujeitos os que recebem a esmola, não impressiona esses corações de plástico que, confrontados com a baixeza dos seus gestos, replicam que “é melhor isto que deixar os pobrezinhos sem consoada”. O porquê de haver pobreza é uma questão filosófica de difícil digestão, “pobres sempre houve e sempre há de haver”, Deus assim quer… e depois ainda há o céu que aos ricos é negado. Os pobres têm o paraíso no céu e os ricos na terra. Este é o grande castigo infligido aos ricos e a maior riqueza de que beneficiarão os pobres que serão para a eternidade os senhores do paraíso e arredores.

Um em cada quatro portugueses em risco de pobreza

«Um quarto da população portuguesa encontrava-se em risco de pobreza ou de exclusão social em 2012, situando-se este valor, de 25,3% da população total, em linha com a média da União Europeia, de 24,8%, segundo dados do Eurostat. Relativamente a Portugal, registou-se uma subida de quase um ponto percentual entre 2011 e 2012, com o número de pessoas a enfrentarem risco de pobreza ou exclusão social a subir de 24,4% para 25,3% da população, o equivalente a 2,7 milhões.» por Lusa.

Cid Simões

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O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções
Karl Marx

Sempre que o Ano Novo nos está a bater à porta, são chamados a botar palpites em todos os órgãos de manipulação social – jornais ditos de referência, rádios, televisões e outros megafones do grande capital – especialistas em esoterismo, adivinhos, magos, bruxos, videntes, feiticeiros, todos os profetas da nossa praça, com faculdades divinatórias de amplo leque, que vão dos cartomantes ao especialista em necromancia: os poderes supranormais conglomeram-se para predizerem o que trará dentro de si o bebé anonovo.

Os meus vaticínios têm sido testados; nunca falhei! Então, porque razões me ignoram?

Não me embrenho nas catacumbas do ocultismo, nem me ajoelho de mãos postas procurando respostas do além-mundo. Sou muito mais terra-a-terra: olho em meu redor, observo rostos e leio nas expressões os seus anseios, nos olhares sem expressão as inquietudes e no próprio andar o desânimo ou cansaço.

Nunca falho! Reafirmo! Já sei: dizem que sou agoirento. Mesmo com semelhante epíteto não desisto e, agoirento ou não, sem me socorrer dos astros, porque nem tão-pouco astrólogo sou, afirmo com a maior das convicções que para o ano os ricos serão ainda mais ricos e, como consequência, os pobres serão cada vez mais e mais pobres. Se isto não for verdade que nunca mais possa escrever sequer uma letra!

A corrupção continuará sem freio nos dentes. Ainda não roubaram tudo. Vamos assistir a mais desemprego, injustiça social e ainda muito mais canalhice governamental. É uma certeza irrefutável, não precisam de consultar os videntes.

Não necessitamos de fazer apelo aos búzios para afirmar que iremos continuar a privatizar e depois dos aviões será a vez dos nossos sonhos. Não desesperem.

Qualquer bola de cristal, mesmo da Marinha Grande, deixa-nos ver os portugueses a emigrar cada vez mais e eu, mesmo sem bola, antevejo mais compatriotas a saírem para tomarem o lugar dos que na década de sessenta também fugiram à fome.

O governo dará mãos livres ao patronato para despedir ainda mais para assim reduzir o número de desempregados. O crescimento económico será negativo, é um oximoro, crescer para trás, mas os malabaristas da linguagem têm destes truques. Entretanto não haverá crise para os Bancos e os Jet7 vão continuar a sugar os Jet/zero, mais conhecidos por Zé-povinho.

A nível internacional, assistiremos à continuação do genocídio na Palestina, ao massacre do povo sírio e ao esboroar do estado social onde quer que o imperialismo dite as suas regras.

Os povos vão intensificar as lutas pelos seus direitos e a democracia deles intensificará a repressão.

Se tudo isto não acontecer emigro para Marte ou qualquer outra parte.

Cid Simões

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A Constituição da República Portuguesa atribui aos trabalhadores um conjunto de direitos fundamentais, individuais e coletivos, garantes da sua dignidade como seres humanos, quer como cidadãos, quer como trabalhadores. Estes direitos fundamentais, nos termos do artigo 18.º da Constituição da República Portuguesa, impõem-se às entidades públicas e privadas, não podendo a extensão e o alcance do seu conteúdo ser diminuídos pela lei ordinária.

Os princípios fundamentais do Direito do Trabalho consignados na Constituição da Republica Portuguesa acolhem um conceito de Direito do Trabalho como direito de compensação e proteção do trabalhador enquanto contraente mais fraco da relação de trabalho, reconhecendo o manifesto desequilíbrio entre os poderes da entidade patronal e do trabalhador, o que está na base da relevância constitucional dada a estes direitos.

Acontece que sucessivas alterações à legislação têm fragilizado a proteção do trabalhador, atacando os seus direitos e desequilibrando, ainda mais, as relações de trabalho. Na verdade, este pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade não pode ser analisado, na opinião dos aqui subscritores, sem ter em consideração as sucessivas alterações que têm vindo a desvirtuar a matriz constitucional do Direito do Trabalho.

Aliás essas alterações legislativas «não cumprem os desígnios constitucionais, infringindo vários dos seus princípios e normas, designadamente, entre outros, o princípio da dignidade da pessoa humana, o princípio do direito ao trabalho e à estabilidade no trabalho, o princípio da conciliação da vida profissional com a vida familiar, o princípio da liberdade sindical, o princípio da autonomia coletiva

Importa referir que a Constituição, sobre este assunto, não é acrítica ou inócua. A Constituição da República Portuguesa assumiu, desde a constituinte, a obrigação de proteger a parte mais vulnerável das relações laborais. Na altura, e com especial relevância no atual momento, a parte mais vulnerável das relações laborais são os trabalhadores. O Tribunal Constitucional não pode nem deve ficar alheio a esta realidade.

Nestes termos, entendem os subscritores, que a Lei n.º 23/2012, de 25 de Junho, contém um conjunto de disposições, a seguir indicadas, que colidem com a Constituição da República Portuguesa, violando diretamente princípios e normas nelas consagradas.

António Vilarigues

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Quando o actual primeiro-ministro, na altura candidato, fazia uma conferência de imprensa em tom dramático onde anunciou que o seu partido iria chumbar o PEC 4 do governo socialista, mesmo que dizer, a consequente queda do governo, afirmava com um ar muito cheio de si – O país não pode ficar a pão e água!

De facto, o que ele queria dizer e que as pessoas não entenderam nas entrelinhas, era que o país iria ficar na verdade, à míngua.

Ninguém pode acusar este governo, no esmero e dedicação, pois estão a consegui-lo a velocidade alucinante.

O velho discurso da tanga, que não há dinheiro, os portugueses são uns malandros e que com o seu salário médio entre os 600 e 700 euros, vivem acima das suas possibilidades. A segunda parte deste discurso é que estes sacrifícios são necessários para num futuro qualquer vivermos todos melhor e mais felizes.

Em resumo, primeiro o discurso da tanga e depois a história da carochinha.

Quando muitos avisaram, que a linha política ultra-neo liberal que este governo seguiu, iria ser o caminho directo para a destruição da economia nacional, vêm agora os primeiros engasgos dos governantes relativamente às datas; é em 2013, não afinal, talvez 2014, queria dizer porventura, vamos lá 2015.

Governam à vista, os principais factores de decisão não dependem deste governo e têm de vender o que resta do património nacional.

Por outro lado, falham nas previsões das folhas de Excel uma após outra, onde nelas não entram factores psicológicos da sociedade como a desmotivação, a retirada forçada de rendimento às famílias (que já era muito, diga-se de passagem), a diminuição do consumo levando por um lado a menos receita fiscal e por outro, a falência em catadupa de pequenos negócios, de micro, pequenas e médias empresas, gerando mais desemprego numa espiral descendente.

O imposto demasiadamente elevado nos combustíveis e na electricidade, que assassina qualquer tipo de crescimento das empresas. Entende este governo, que são os despedimentos mais fáceis, um enorme factor de crescimento.

Enquanto os portugueses trabalham para pagar os impostos, os juros e comissões da troika, os desvarios criminosos dos governos PS, PSD e CDS das últimas décadas, os empréstimos que o Estado foi forçado a contrair para não deixar cair o BPN, para que alguns pudessem comprar iates e mansões com financiamentos que o Estado não irá mais recuperar de titulares escondidos nos labirintos das off-shores espalhadas pelo o mundo fora.

Sem dúvida que é mais fácil, retirar uma parcela da reforma de quem descontou toda uma vida de trabalho, cortar nos abonos de família, diminuir as comparticipações dos medicamentos para os reformados (um luxo!), financiar especuladores bolsistas às centenas de milhões de euros e complicar financiamentos de alguns milhões a empresas e industrias com carteiras de encomendas para adquirirem matéria-prima para a produção.

A pão e água? Não! À míngua…

# Zorze

Publicado em simultâneo no Extrafísico.

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Nova classe de pobres…

pobreza

Pessoas com emprego mas sem um salário para fazer face ás despesas do agregado familiar.
Os idosos e as famílias mais numerosas constituem os principais grupos de risco de pobreza em Portugal, ao mesmo tempo que o fosso entre ricos e pobres continua a aumentar.

Nesta nova classe, encontramos também, muitos portugueses que trabalham a recibos verdes, sem possibilidade de pagar a Segurança Social, e que se vêem a braços com situações dramáticas e que muitas vezes têm de pedir apoio a estruturas sociais para poderem sobreviver… Falta coragem politica para resolver o problema.

A pobreza pode ser entendida como carência material; tipicamente envolvendo as necessidades da vida quotidiana como alimentação, vestuário, alojamento e cuidados de saúde. A Pobreza neste sentido pode ser entendida como a carência de bens e serviços essenciais.

Estou indignado com o rumo do país…

“Revolution is near!”

# Ludo Rex

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