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Posts Tagged ‘riqueza’

 

O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções
Karl Marx

Sempre que o Ano Novo nos está a bater à porta, são chamados a botar palpites em todos os órgãos de manipulação social – jornais ditos de referência, rádios, televisões e outros megafones do grande capital – especialistas em esoterismo, adivinhos, magos, bruxos, videntes, feiticeiros, todos os profetas da nossa praça, com faculdades divinatórias de amplo leque, que vão dos cartomantes ao especialista em necromancia: os poderes supranormais conglomeram-se para predizerem o que trará dentro de si o bebé anonovo.

Os meus vaticínios têm sido testados; nunca falhei! Então, porque razões me ignoram?

Não me embrenho nas catacumbas do ocultismo, nem me ajoelho de mãos postas procurando respostas do além-mundo. Sou muito mais terra-a-terra: olho em meu redor, observo rostos e leio nas expressões os seus anseios, nos olhares sem expressão as inquietudes e no próprio andar o desânimo ou cansaço.

Nunca falho! Reafirmo! Já sei: dizem que sou agoirento. Mesmo com semelhante epíteto não desisto e, agoirento ou não, sem me socorrer dos astros, porque nem tão-pouco astrólogo sou, afirmo com a maior das convicções que para o ano os ricos serão ainda mais ricos e, como consequência, os pobres serão cada vez mais e mais pobres. Se isto não for verdade que nunca mais possa escrever sequer uma letra!

A corrupção continuará sem freio nos dentes. Ainda não roubaram tudo. Vamos assistir a mais desemprego, injustiça social e ainda muito mais canalhice governamental. É uma certeza irrefutável, não precisam de consultar os videntes.

Não necessitamos de fazer apelo aos búzios para afirmar que iremos continuar a privatizar e depois dos aviões será a vez dos nossos sonhos. Não desesperem.

Qualquer bola de cristal, mesmo da Marinha Grande, deixa-nos ver os portugueses a emigrar cada vez mais e eu, mesmo sem bola, antevejo mais compatriotas a saírem para tomarem o lugar dos que na década de sessenta também fugiram à fome.

O governo dará mãos livres ao patronato para despedir ainda mais para assim reduzir o número de desempregados. O crescimento económico será negativo, é um oximoro, crescer para trás, mas os malabaristas da linguagem têm destes truques. Entretanto não haverá crise para os Bancos e os Jet7 vão continuar a sugar os Jet/zero, mais conhecidos por Zé-povinho.

A nível internacional, assistiremos à continuação do genocídio na Palestina, ao massacre do povo sírio e ao esboroar do estado social onde quer que o imperialismo dite as suas regras.

Os povos vão intensificar as lutas pelos seus direitos e a democracia deles intensificará a repressão.

Se tudo isto não acontecer emigro para Marte ou qualquer outra parte.

Cid Simões

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Desenho de Fernando Campos (o sítio dos desenhos)

São criminosos todos os que berrando “democracia” e tendo à sua disposição os mídia, publicitam, veneram e elegem os robôs que nos oprimem.

São criminosos os que, nas campanhas eleitorais, prometem o bem-estar ao povo, e que, depois de eleitos, não só não cumprem como procedem de modo totalmente contrário às promessas propaladas.

São criminosos os que sendo eleitos em grande parte por assalariados governam em benefício dos que os exploram.

São criminosos os que alienam o património pertença do povo que o adquiriu com os impostos fruto do seu labor.

São criminosos os que hoje declaram que é no mar que está grande parte da nossa riqueza, e ontem pagaram para que se abatesse a nossa frota pesqueira.

São criminosos os que destruíram a industria naval de alta tecnologia e de significado relevante para a nossa economia, continuando a destruir o pouco que resta e, nos esbulharam mil milhões de euros para adquirir submarinos. Aquisição agravada pela corrupção em que mergulhou o negócio.

São criminosos os que pagaram para manter as terras em pousio tornando-nos cada vez mais dependentes de bens essenciais à nossa sobrevivência.

São criminosos por terem destruído sectores fundamentais do nosso complexo industrial, lançando no desemprego técnicos altamente qualificados, que dificilmente tornaremos a formar, quando deles necessitarmos.

São criminosos por impelirem à emigração os nossos jovens, muitos com formação superior, obrigados a procurar o seu futuro noutros países. Jovens, que desde a gestação à formação académica nos ficaram por muitos milhares de euros, e que de mão beijada, vão enriquecer outras nações.

São criminosos por ficarmos sem o controlo económico e político, deixando o Estado regido pela banca que nos faz rodar em função dos seus interesses. Para continuar o esbulho, os novos bárbaros acabados de arregimentar, continuam a “diminuir a presença do Estado na economia – deixar a economia para os privados”.

São criminosos por emperrarem o sistema judicial, tornando-o ineficaz, deixando os criminosos de mãos livres, nomeadamente os designados por “colarinho branco”, impedindo-nos de viver num ‘Estado de Direito’.

São criminosos por continuarem a destruir o SNS entregando ao privado o mais abjecto dos negócios; o negócio da saúde. Cumprindo o enunciado de uma ex-ministra da Saúde de que “quem quer saúde pague-a”.

São criminosos porque nos seus actos manifestam frieza e insensibilidade, face ao sofrimento e sacrifícios que impõem, só possível a alienados ou perversos.

São criminosos os que com eles pactuam, admitindo ou fingindo ignorar a crueldade dos seus actos.

São criminosos os que legislam, votam e aplicam leis contrárias à condição humana.

São criminosos porque nos entregaram às mãos dos banksters a quem servem e reverenciam.

Quando forem julgados mil razões há para os incriminar.

Cid Simões

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A Constituição da República Portuguesa atribui aos trabalhadores um conjunto de direitos fundamentais, individuais e coletivos, garantes da sua dignidade como seres humanos, quer como cidadãos, quer como trabalhadores. Estes direitos fundamentais, nos termos do artigo 18.º da Constituição da República Portuguesa, impõem-se às entidades públicas e privadas, não podendo a extensão e o alcance do seu conteúdo ser diminuídos pela lei ordinária.

Os princípios fundamentais do Direito do Trabalho consignados na Constituição da Republica Portuguesa acolhem um conceito de Direito do Trabalho como direito de compensação e proteção do trabalhador enquanto contraente mais fraco da relação de trabalho, reconhecendo o manifesto desequilíbrio entre os poderes da entidade patronal e do trabalhador, o que está na base da relevância constitucional dada a estes direitos.

Acontece que sucessivas alterações à legislação têm fragilizado a proteção do trabalhador, atacando os seus direitos e desequilibrando, ainda mais, as relações de trabalho. Na verdade, este pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade não pode ser analisado, na opinião dos aqui subscritores, sem ter em consideração as sucessivas alterações que têm vindo a desvirtuar a matriz constitucional do Direito do Trabalho.

Aliás essas alterações legislativas «não cumprem os desígnios constitucionais, infringindo vários dos seus princípios e normas, designadamente, entre outros, o princípio da dignidade da pessoa humana, o princípio do direito ao trabalho e à estabilidade no trabalho, o princípio da conciliação da vida profissional com a vida familiar, o princípio da liberdade sindical, o princípio da autonomia coletiva

Importa referir que a Constituição, sobre este assunto, não é acrítica ou inócua. A Constituição da República Portuguesa assumiu, desde a constituinte, a obrigação de proteger a parte mais vulnerável das relações laborais. Na altura, e com especial relevância no atual momento, a parte mais vulnerável das relações laborais são os trabalhadores. O Tribunal Constitucional não pode nem deve ficar alheio a esta realidade.

Nestes termos, entendem os subscritores, que a Lei n.º 23/2012, de 25 de Junho, contém um conjunto de disposições, a seguir indicadas, que colidem com a Constituição da República Portuguesa, violando diretamente princípios e normas nelas consagradas.

António Vilarigues

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A Retoma que aí vem está neste estado

O pão que sobra à riqueza
Distribuído pela razão
Matava a fome à pobreza
E ainda sobrava pão

António Aleixo

Sete fôlegos tem a nossa Retoma. Desde há muito hospitalizada, em estado de coma, toda entubadinha, coitadinha, davam-na como perdida. Quando a febre subia, a pobre, delirando, recitava António Aleixo, sintoma de tal modo preocupante, que foi isolada dos outros pacientes e policialmente vigiada em permanência. Não se sabe como conseguiu resistir a tanto mal que lhe têm causado. Iludindo a vigilância, fugiu do hospital onde desde há muito se encontrava nos “Cuidados Intensivos”.

A nossa Retoma raspou-se, pôs-se ao fresco, apercebeu-se que a queriam liquidar. Desconhecem o seu paradeiro mas nós sabemos onde se encontra.

O retrato robot da nossa Retoma foi divulgado pela comunicação social. Os governantes oferecem muitos, muitos milhares de euros a quem indicar o seu paradeiro. Isto de distribuir o pão que sobra à riqueza, dá que pensar e, porque até há quem pense, o melhor é cortar o mal pela raiz e, com mais decretos e novas leis dar-lhe o golpe de misericórdia.

Se de um momento para o outro nos aparecesse uma Retoma amiga e ficássemos todos livres das listas de espera nos serviços de saúde, tivéssemos escolas e creches de qualidade, apoio aos idosos e reformas condignas, empregos fixos e bem remunerados, felizes, em suma, Hein?, o que é que acontecia? Uma ca-tás-tro-fe!

Eles não estão preparados para lidar com gente feliz. Não, não estão! Posso-vos garantir. A prova está em que espalhando a infelicidade, vimo-los sempre bem dispostos, sorridentes, têm apetite, fazem festas ao cão, dão beijinhos ao gato… Reparem na beatífica expressão daqueles sujeitos que nos anunciam a supressão de direitos sociais há muito adquiridos, comunicando-nos a extorsão desses bens, que nos pertencem, com um brilhosinho nos olhos que não deixa esconder quanta alegria usufruem ao semear mais dificuldades entre os que as já têm de sobra.

Como para qualquer sádico, o sofrimento alheio é indispensável para o seu equilíbrio emocional. São aberrações, desvios comuns a certas personagens, e se os temos que compreender, difícil é suportá-los.

Quando souberam que a nossa Retoma se tinha escapado, lançaram o alerta “laranja”; e além do “rosa” que outro poderia ser?

É sobejamente sabido que a felicidade, porque vem prenhe de justiça social e nos abre o caminho para novos horizontes, é subversiva, por vezes até revolucionária.

Até este momento ainda não conseguiram encontrar a nossa Retoma, muito provavelmente entrou na clandestinidade. Mas por favor não a confundam com a outra: a Retoma-Poder. Esta sabe-se onde reside: basta seguir um carro topo de gama, um avião particular, um processo prescrito. Ninguém a vê, mas está lá, invisível e actuante, enchendo a burra dos banqueiros.

Caso a encontrem, a Retoma que nos devolve a justiça, dêem-lhe albergue e todo o apoio que necessite. Ela reside em nós quando por ela lutamos.

A palavra passe é: “25 de Abril, Sempre!

Cide Simões

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