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António Vilarigues

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O mundo não foi feito mais em benefício de uns, que de outros: para todos é o mesmo; e para uso dele todos têm igual direito.
Matias Aires
(Reflexões sobre a vaidade dos homens – 1750)

Quem nos havia de dizer?!… Uma retoma  que nos apresentavam bem parecida, rosadinha, digo, laranjinha, aparentemente tão saudável, com um check-up aprovado na Assembleia da República… electrocardiograma com prova de esforço feito no difícil exercício de sobreviver!

Parecia vender saúde e, no entanto, fomos encontrá-la desfalecida num local pobre da cidade, o “Beco da Pouca Sorte”.

Eu vi tudo. Foi assim: – explicava um sujeito magrito – ela vinha pelo braço daquele ceguinho e, pumba! Caiu.”

O populacho delira com estes espectáculos porque pode participar, lançar as suas “bocas“, e aparecem a tal velocidade que ficamos sem saber se já lá estavam antes do acontecimento. Espectadores com lugares cativos no seu bairro, na grande cegada do Carnaval de todos os dias.

Deu-lhe um fanico? – interroga uma velhinha que antes de receber a resposta já dava a receita – soprem-lhe nas ventas“.

Devem ser gases. O clister de malvas alivia-me muito” – Confessa um mirone.

Ca’ganda padrada” – Sussurra o Tóze à garina que o acompanha.

“Atirem-lhe mas é com um balde d’água ao focinho” – indica um tipo de palito ao canto da boca.

Não há sangue no chão?” – pergunta sequioso um leitor de “O Crime“.

Chamem o 112!

Qual 112, nem meio 112, intervém um cliente da tasca em frente – dêem-lhe mas é um bagaço qu’ela arrebita logo.

Entretanto um tipo bem vestido procurava encontrar alguém a quem entregar um cartão: “Troika Unida Lda – funerais em toda a União Europeia”.

De retoma e de louco todos temos um pouco” – diz um tipo que não tinha percebido nada do que se estava a passar.

Um senhor bem parecido, perguntou ao ceguinho: “É a retoma da agricultura ou da indústria?

A resposta veio célere da vizinha que estava à janela: “Qual agricultura, qual indústria. É a Retoma cá do bairro, trabalha naquela esquina da meia-noite às sete da manhã. Vossemecê não vê que esta é uma retoma pobrezinha que o governo mandou cá p’ro Beco?

Assim como para os automóveis, a retoma dos pobres devia ter seguro contra todos os riscos. Não estávamos sujeitos a isto. Quando pensamos estar no melhor dos mundos, catrapus! Lá fica a retoma de pantanas. Andamos sempre com o “coração a cair aos pés“, calafrios constantes, uma aflição!” – disse muito irritado o magrito que assistiu ao fanico.

Os pobres nunca tiveram nada – é por isso que são pobres, – ouviu-se à mistura com uma gargalhada – e quando em 74 iam começar a ser menos pobres o Bochechas passou-lhes uma rasteira… O que é que eles têm agora para retomar? Nada!

Retoma próspera, boazona de belas nalgas, é a da Quinta da Marinha. Pavoneia-se pelos casinos, tem guarda-costas e guarda-peitos, vive na alta finança, protegendo todos os que retomaram o poder, uma retoma de fabricar ricos.

É por isso que acho errado afirmar-se que a retoma em Portugal não é uma realidade; Que o digam os Amorins, os Soares dos Santos ou os Belmiros.

A sua retoma (deles) dá-lhes tudo ao desbarato, como se estivessem numa loja que vai mudar de ramo.

Os que trabalham retomam os sacrifícios de todos os dias, os sempre bem instalados na vida, retomam mais prepotência, mais ganância, mais viscosidade.

A retoma é uma ampulheta em que um dos vasos só enche com o conteúdo do outro.

Os 10 Mais Ricos de Portugal segundo o Expresso.Economia

1. Américo Amorim: 2587,2 milhões de euros

2. Alexandre Soares dos Santos: 1917,4 milhões de euros

3. Belmiro de Azevedo: 1297,6 milhões de euros

4. Família Guimarães de Mello, 1006,6 milhões de euros

5. Família Alves Ribeiro: 779,7 milhões de euros

6. Perpétua Bordalo da Silva e Luís Silva: 679,7 milhões de euros

7. Rita Celeste Violas e Sá, Manuel Violas: 650,6 milhões de euros

8. Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo: 645,8 milhões de euros

9. Família Cunha José de Mello: 638 milhões de euros

10. António da Silva Rodrigues: 551 milhões de euros

Cid Simões

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Com esta política, a luta não vai parar. A luta vale a pena. A inevitabilidade não existe. Existem alternativas.

Iniciativas da CGTP-IN que se vão realizar neste primeiro trimestre:

– Encontro sobre Educação/Ensino, em 17-Jan.

– Conferência da Inter Reformados, em 18-Jan.

– Encontro sobre o SNS, em 31-Jan.

– Conferência da InterJovem, em 02-Fev.

– Dia Europeu pela Igualdade Salarial, em 22-Fev.

– Seminário sobre o “Desenvolvimento Sustentável e o Trabalho Digno“, em 06-Mar.

– Dia Internacional da Mulher, em 08-Mar.

– Jornada de Acção Europeia da CES, em Mar.

– Iniciativa em Defesa do SEE, contra as privatizações, em Mar.

Grande Jornada Nacional de Acção e Luta, com expressão em todos os Distritos do País, para dia 16 de Fevereiro

com o lema:

CONTRA A EXPLORAÇÃO E O EMPOBRECIMENTO. TRABALHO COM DIREITOS!

SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA SOCIAL PARA TODOS!

António Vilarigues

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Com o país sob ataque cerrado interna e externamente, o seu povo vai sendo asfixiado mês a mês.
O salário cada vez mais curto e as despesas a subir, seja em; impostos, combustíveis, alimentação, material escolar e todos eles combinados entre si, vão cortando sem piedade o oxigénio dos orçamentos familiares.

Rendimentos familiares portugueses esses, que endémicamente sempre andaram muito abaixo da média europeia, são os que constantemente estão sob pressão dos políticos do “arco governativo”, dirigentes de associações empresariais, banqueiros e empresários, de que os portugueses vivem acima das suas possibilidades. Ou seja, na verdade quem vive muito acima das suas possibilidades e das que o país consegue realmente pagar, são os que dizem que quem vive com os salários mais apertados, vivem acima das suas possibilidades.
Portugal apresenta as maiores desigualdades mundiais na distribuição da riqueza, pegando só na amostra das empresas do índice bolsista PSI-20, a décalage do rendimento mensal entre o admnistrador de topo até ao funcionário de nível mais baixo, a desigualdade é das maiores da europa.
Portugal tem muitas posições com salários e regalias bem chorudas bem acima da média europeia, desde; empresas públicas da admnistração central e local, funções governativas e respectivas assessorias, fundações de todo o tipo e tachos de toda a espécie.

Afinal quem vive acima das suas possibilidades ?

Portugal vive num ciclo de corrupção e interesses infernal. Para o liquidar de raíz, os portugueses fora desse ciclo, que são a grande maioria, teriam que fazer essa chatice que é votar e votar bem seria fora dos partidos auto-apelidados de arco governativo, ou seja, PSD/CDS e PS.
Porque grande parte dos deputados e governantes desses partidos, trabalham para as grandes multinacionais que interessa reduzir o custo do trabalho e maximizar o lucro.
Os grandes escritórios de advogados que através dos seus deputados ensarilham como podem a legislação nacional
Na área da construção civil e das obras públicas onde se sucedem obras supérfluas e sem sentido, onde o esbulho do erário público é demasiadamente evidente.
No sector financeiro e na área da saúde privada inter-ligada entre si, destruindo o sector público da saúde e gradualmente transformando o utente para cliente, esta é das mentalidades mais preversas que se estão a instalar.
O dinheiro existe, anda é há décadas a ser mal canalizado segundo os interesses da população portuguesa e a enriquecer pornográficamente alguns.

O vídeo em baixo é uma entrevista – fora dos grandes canais televisivos – ao professor universitário Paulo Morais, ex-vice da Câmara Municipal do Porto (PSD), onde explica concisa e sintéticamente o modus vivendi da corrupção lusa, ganha maior relevância por ser de alguém que esteve dentro do sistema.

O que fazer para os portugueses acordarem ? Será com desenhos, talvez …

Clica aqui para ver a entrevista.

Publicado em simultâneo no Extrafísico.
Zorze

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Após um ano de governação, Portugal está mais miserável, menos soberano, mais endividado e com uma horda cada vez maior de pobres, são os factos reais duma caminhada pré-anunciada para o buraco.

Após o exemplo grego, o governo português seguiu o mesmo caminho, para erguer as finanças públicas, destruiu a economia, não faltaram os avisos…
Perante a constatação da realidade dos números, contorcem-se pelas formas de conhecimento que conhecem, a realidade mostra-se como sempre é, e que factos são factos.
Enquanto visitam centros tecnológicos onde são vaiados pelas populações, ao contrário de crescimento e emprego que tanto advogam na teoria e que na prática tudo fazem ao contrário, fazem olho pequeno para o contínuo aumento de pais com os seus filhos a cutucar os baldes de lixo.

Este governo que tanto procura a credibilidade dos mercados e investidores, que tempo procura a acautelar os seus?
Quanto tempo gasta no seu exercício governativo para os seus cidadãos, cada vez em maior número, que remexem as lixeiras não com fins ambientais, mas de sobrevivência?

Cortam direitos adquiridos a olho cego, confiantes ao mesmo tempo que estão a desenvolver o país, deixam os portugueses; sem motivação, baixa auto-estima, liquidam objectivos de carreira. A pergunta que todos fazem – Para que trabalhar mais? Ou mais horas?

A filosofia deste governo é suicida e bloqueadora. Com a redução/roubo de parte significativa do rendimento das famílias a juntar esta mentalidade depressiva, reduz na mesma linha todo o rendimento do Estado. Menos receita fiscal, principalmente nos impostos directos sobre o consumo. Mais encargos sociais, nomeadamente para quem vive a violência social do desemprego, num país que tem cada vez menos para oferecer e sem perspectivas no médio/longo prazo, ao contrário das normais fantasias  próprias de quem governa.

A clara incapacidade de visão de conjunto deste governo chega ao ponto de encerrar o maior centro de maternidade do país – a Maternidade Alfredo da Costa – ao mesmo tempo que sobe a décalage de falecimentos relativamente a nados-vivos, tão propícia ao colapso da Segurança Social.
Como explicar aos filhos, um governo composto por um Relvas, um ministro da Saúde dos Seguros Médis e uma ministra da justiça psico-neurótica entre tantos outros.

Quem trabalha, sente que trabalha para o boneco, apenas para pagar as dívidas. Quem não trabalha e que queria trabalhar, desespera com a visão que não existe uma a luz ao fundo do túnel e depois os outros, frutos de um país feito em cacos, com tendência a agravar-se.

O actual governo português, tem muito que se congratular… Com a mediocridade.

O verdadeiro rating do actual governo português é merda, pois, é um governo de merda!

# Zorze

Publicado em simultâneo no Extrafísico.

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O documentário Catastroika financiado por cidadãos gregos e de outros países, rompe com o discurso do politicamente correcto, apanágio dos média que as massas incautas consomem e que tomam como verdade real.
Elaborado pela mesma equipa grega que produziu Dividocracia, o documentário em baixo segue os temas das privatizações das empresas públicas com mais detalhe, empresas em sectores chave de economias – nos dias de hoje em pseudo-soberanias – sectores tais como; comunicações, energia, transportes e água, fundamentalmente.
Empresas que durante décadas construíram suas infra-estruturas financiadas pelos cidadãos, na figura jurídica de contribuintes de Estados, para agora sob o pretexto de uma complexa crise iniciada por uma zona cinzenta e obscura financeira, alimentada pela completa desregulação dos mercados, o santo-graal de merda, onde estes vampiros ultra neo-liberais beberam o seu modus vivendi de actuação.
Na verdade, o que vivemos, não é algo desordenado, mas sim, algo muito bem planeado e construído. O que leva sempre à seguinte questão – Será que contaram com os imponderáveis?
Assistimos meio anestesiados, meio conformados, ao maior roubo da história dos tempos. A liquidação total do que foi construído e financiado pelas populações durante décadas, para passar de repente e sem pagar o preço certo,  a mãos privadas, de que não sabe muito bem quem são. Ao mesmo tempo que se vai criando a ideia do funcionário público como abominável e sugador dos recursos.
Quando na verdade, como comprovam os factos, nos países outrora privatizados, desde a energia às comunicações, desde os transportes aos sistemas de saúde, nada melhorou, pelo contrário, a qualidade dos serviços públicos deterioram-se, a corrupção não baixou e a desburocratização não se concretizou. Ficaram apenas a ser geridos por múltiplos conselhos de administração que objectivam em primeira linha o lucro ao accionista que financia (com dinheiro de terceiros, diga-se de passagem ), tão somente.
O documentário termina com uma questão pertinente – Você quer ser livre, ou viver tranquilo? As duas ao mesmo tempo são impossíveis, logo tem de haver uma escolha.

#Zorze

Publicado em simultâneo no Extrafísico.

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Quando o actual primeiro-ministro, na altura candidato, fazia uma conferência de imprensa em tom dramático onde anunciou que o seu partido iria chumbar o PEC 4 do governo socialista, mesmo que dizer, a consequente queda do governo, afirmava com um ar muito cheio de si – O país não pode ficar a pão e água!

De facto, o que ele queria dizer e que as pessoas não entenderam nas entrelinhas, era que o país iria ficar na verdade, à míngua.

Ninguém pode acusar este governo, no esmero e dedicação, pois estão a consegui-lo a velocidade alucinante.

O velho discurso da tanga, que não há dinheiro, os portugueses são uns malandros e que com o seu salário médio entre os 600 e 700 euros, vivem acima das suas possibilidades. A segunda parte deste discurso é que estes sacrifícios são necessários para num futuro qualquer vivermos todos melhor e mais felizes.

Em resumo, primeiro o discurso da tanga e depois a história da carochinha.

Quando muitos avisaram, que a linha política ultra-neo liberal que este governo seguiu, iria ser o caminho directo para a destruição da economia nacional, vêm agora os primeiros engasgos dos governantes relativamente às datas; é em 2013, não afinal, talvez 2014, queria dizer porventura, vamos lá 2015.

Governam à vista, os principais factores de decisão não dependem deste governo e têm de vender o que resta do património nacional.

Por outro lado, falham nas previsões das folhas de Excel uma após outra, onde nelas não entram factores psicológicos da sociedade como a desmotivação, a retirada forçada de rendimento às famílias (que já era muito, diga-se de passagem), a diminuição do consumo levando por um lado a menos receita fiscal e por outro, a falência em catadupa de pequenos negócios, de micro, pequenas e médias empresas, gerando mais desemprego numa espiral descendente.

O imposto demasiadamente elevado nos combustíveis e na electricidade, que assassina qualquer tipo de crescimento das empresas. Entende este governo, que são os despedimentos mais fáceis, um enorme factor de crescimento.

Enquanto os portugueses trabalham para pagar os impostos, os juros e comissões da troika, os desvarios criminosos dos governos PS, PSD e CDS das últimas décadas, os empréstimos que o Estado foi forçado a contrair para não deixar cair o BPN, para que alguns pudessem comprar iates e mansões com financiamentos que o Estado não irá mais recuperar de titulares escondidos nos labirintos das off-shores espalhadas pelo o mundo fora.

Sem dúvida que é mais fácil, retirar uma parcela da reforma de quem descontou toda uma vida de trabalho, cortar nos abonos de família, diminuir as comparticipações dos medicamentos para os reformados (um luxo!), financiar especuladores bolsistas às centenas de milhões de euros e complicar financiamentos de alguns milhões a empresas e industrias com carteiras de encomendas para adquirirem matéria-prima para a produção.

A pão e água? Não! À míngua…

# Zorze

Publicado em simultâneo no Extrafísico.

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