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Posts Tagged ‘verdade’

   O capítulo 8 do livro «A verdade e a mentira na Revolução de Abril: A contra-revolução confessa-se», de Álvaro Cunhal, é dedicado ao 25 de Novembro. De forma objectiva, o livro do ex-secretário-geral do PCP põe a nu a história deste golpe militar contra-revolucionário que, 38 anos volvidos, continua a ser manipulada e branqueada por quantos têm como principal objectivo denegrir o PCP. Dada a sua extensão, o capítulo será publicado em três partes, na certeza de que será um valioso contributo para repor a verdade dos factos.

António Vilarigues

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O engano vestido de eloquência, e arte, atrai, e a verdade mal polida nunca persuade.”

Matias Aires

É uma minúscula Freguesia de um pequeno Concelho; e este microcosmo social e político absorve e cultiva toda a retórica e esmiúça as subtilezas da arenga política, nascida e levedada nos laboratórios das grandes urbes.

A campanha eleitoral espreita e vai demarcando o seu espaço ideológico, delineando estratégias, marcando ritmos. Abertas e orgulhosamente claras, ou vergonhosa e envergonhadamente encapotadas e obviamente torpes, as mensagens estão.

Cada vocábulo é um projéctil concebido à medida do alvo a atingir; a tortuosidade implícita nas frases ambíguas abre espaço à lengalenga enfadonha de lugares-comuns e, pior ainda, o não dito de raiz venenosa lança a dúvida contra a qual nãodefesa possível.

A trapaça, porque poluente, envolta em plásticos sujos de meias verdades, ou como Óscar Lopes tão bem a observa e define: “a consciência de que a intrujice ideológica, ou outra, actua quase sempre, não pela mentira em estado puro mas por meios de composição ou montagem, empolando pequenas coisas e minimizando as realmente características”, espalha-se qual mancha de óleo.

E os tartufos, usando argumentos sinuosos, deliberadamente imprecisos, jogam com subentendidos de difícil, se não impossível descodificação; apresentam-se, normalmente, como ignorantes na matéria que eles próprios chamam à liça; assumem-se como não participativos, e para estes farsantes, todo o cidadão que se disponibiliza para cooperar na vida democrática é de imediato rotulado: “são todos iguais”, intróito-escudo à prova de toda ou qualquer tentativa de conversa ou discussão coerentes.

Curioso é observar que epítetos comosão todos iguais ou o que eles querem é tacho” surgem nos locais onde é fraca a implantação das forças afectas a quem utiliza este discurso e, dada a incapacidade de pugnar por propostas justas, enveredam pelo trabalho de sapa, procurando minar o terreno alheio.

Estas calúnias, sem ponto de mira nomeado, mas de alvo bem definido, têm raízes profundas que buscam o seu sustento nas fossas do antigamente. Por curioso que pareça, não conheço alguém que tivesse sido incomodado por achincalhar a política e demonstrar desdém por esta actividade. Era furiosamente perseguido quem ousasse criticar os governantes, mas nunca por denegrir os políticos e muito menos a actividade política em geral.

Na impossibilidade de, abertamente, defender a política que sufragam nas urnas, há quem enalteça os movimentos de cidadania. Descoberta relativamente recente desta nossa qualidade de sermos cidadãos onde quer que estejamos, ou tentativa grosseira para fomentar o individualismo e esvaziar de conteúdo ideológico de quem quer que de boa os acompanhe.

Em minúsculas Freguesias ou Concelhos, no País, as populações desmobilizam. O terreno é propício à abstenção. Depois, depois os mesmos que propagam a confusão, ufanos, repetem a ladainha de que o povo está farto.

Farto de quê, e de quem?

Cid Simões

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