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Soviéticos libertaram «Fábrica da Morte»

Soldados soviéticos com algumas prisioneiras por eles  libertadas

Em Auschwitz chegou-se a aniquilar 6 mil seres humanos por dia

António Vilarigues

Um Olhar

«Os empregados da fábrica “X” foram assistidos pelos médicos ao tomarem conhecimento que tinham sido despedidos

rodapé na RTP1

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As estatísticas, quando honestas, são um precioso auxílio para aferirmos a extensão do clima social, mas a sua glacial expressão nunca reflecte a profundidade do que pretende demonstrar.

O desemprego aumenta, o poder de compra diminui, as responsabilidades fixas abocanham a quase totalidade dos salários, quando existem e, é na alimentação que as restrições mais se fazem sentir. (Mais de metade das crianças do ensino básico de Lisboa sofrem de privações a nível alimentar. “Instituto de Apoio à Criança”).

Não é através dos comentadores de serviço, perorando sobre macroeconomia, que nos podemos aperceber da angústia sofrida pelos que protagonizam os dramas do dia a dia; é nos pequenos gestos que nos fazem fremir e transbordar de emoção que se vive e sente o que os números calam e os analistas escondem.

O peixeiro há já bastantes anos que estaciona a carrinha no mesmo local e nos mesmos dias da semana, a freguesia esperava-o e, ao arribar, o senhor Fernando, em grande azáfama, fazia os preparativos para iniciar o negócio.

Para evitar atropelos, os fregueses que iam chegando certificavam-se de quem era o último, aguardavam a sua vez, nalguns casos esperando uma boa meia hora.

O peixe, tal como agora, era fresco, os preços razoáveis, em relação a outros comerciantes, e a decisão dos clientes rápida.

À tecnocracia do discurso oficial ou às estatísticas dos seus departamentos, não podemos exigir que reparem na expressão de um olhar, espelho que reflecte todas as nossas emoções, da mais esfuziante alegria ao desgosto mais pungente. Os números são cegos, os governantes vesgos.

O senhor Fernando continua a chegar com a regularidade costumada, mas já não é esperado; calmamente abre as caixas do pescado, coloca os preços, olha em redor e aguarda os clientes. Cheguei alguns passos atrás de uma senhora, ficando o peixeiro a aguardar que se decidisse; atento, reparei que fixava, não a mercadoria mas os preços; semblante carregado, vacilante, assim se quedou durante algum tempo.

Ao reparar em mim, fez-me sinal de que me poderia servir, lembrando-lhe eu que havia chegado depois e que aguardaria a minha vez.

Eu sei, disse-me, mas faça favor. Estou a pensar.

Continuou a fixar os preços e pensava… relacionava o dinheiro de que dispunha e as bocas que lhe exigiam o sagrado sustento. Deduzi, e não me devia afastar muito da verdade. As estatísticas não revelam a angústia, nem mostram os pais que, à hora da refeição, se dão por satisfeitos para que os filhos tenham um pouco mais de sustento.

Observei-a melhor: olhava mas não via; dir-se-ia hipnotizada, bloqueada.

Num desabafo quase sussurro, um lamento, entendi: está tudo tão caro!…

Sentia-se que havia perdido a capacidade de se indignar, olhou em redor como que a pedir ajuda e, sem nada dizer, retirou-se cabisbaixa, caminhando, lentamente, sem aparente destino.

Olhámo-nos eu e o peixeiro, tentando encontrar palavras ou coragem para tecer qualquer comentário.

- Por este caminho não sei onde vamos parar! Exclamou num tom magoado.

- Ainda agora a procissão vai no adro, retorqui.

Subitamente, fomos sacudidos pela travagem brusca de um carro. O motorista blasfemava contra a senhora que ainda há pouco nos deixara e que, sem alterar o passo, continuou o seu caminho.

O caminho do futuro radioso que nos têm prometido e no qual os ingénuos ou tolos têm acreditado.

E ainda agora a procissão vai no adro!

Cid Simões

Hypocrysis

Já entramos no ponto, onde já não há vergonha alguma, tal como, um certo pudor na maneira como se fazem as coisas… Já é quase tudo à descarada e às claras.
Até aos velhotes que trabalharam uma vida inteira lhes catam partes das reformas, das quais metade fica na farmácia.
Em Portugal, roubam os subsídios de férias e de natal aos trabalhadores, fazendo crer que os portugueses grandes malandros e calinas, vivem acima das suas possibilidades. País, como dizia, esse grande democrata e empresário vestido de grande autoridade moral e ética, Patrick Monteiro de Barros, que os portugueses trabalhavam 11 meses e recebiam 14.
Na verdade a questão dos subsídios, é um mito. O que conta na realidade é o bolo anual de rendimento que cada português recebe por via do seu trabalho. Discutir em quantas prestações mensais o recebe é desviar a essência da questão.
Ou seja, o rendimento anual do trabalhador português é baixo, em Portugal trabalha-se para se ser pobre.
Outro mito sob forma de argumento que se utiliza para vincular os portugueses à crise, é a de que durante anos compraram carros, viajaram para as Maldivas e para a República Dominicana, via crédito. Na realidade, estas dívidas nada têm a ver com o Estado, são dívidas privadas e pessoais que cada um individualmente contrai e cada um as tem de pagar a bem ou mal.

Em boa verdade, para nosso mal, o que tem ocorrido na realidade, é que temos tido um Estado gerido por corruptos sem ética de ser e até se algumas leis fossem cumpridas no seu espírito, falaríamos de criminosos que deviam estar encarcerados no sistema prisional da República.
A coisa é demais, os fulanos mascarados de deputados cozinham as leis de uma nação orientando-as para os interesses que representam, conglomerados empresariais, associações onde vestem aventais e fazem juras de obediência com aventais e bebem com cuspe o sangue dos pulsos uns dos outros, esta merda é demais.

Na prática a Lei, na sua essência está inquinada, está feita para que tudo fique assim, sem grandes pés-de-ventos.
Há algum tempo atrás, dizia o procurador-geral da República que tinha os mesmos poderes da Rainha da Inglaterra. Isto está de tal maneira, que o nosso sistema judicial nem vai ser capaz de condenar o Rei Ghob, quanto mais os criminosos que se encheram com o BPN.
Devido ao BPN o Estado já enterrou directa e indirectamente à volta de 8.500 milhões de euros, o suficiente para pagar os subsídios de natal e férias aos malandros e calinas portugueses que fazem de conta que trabalham e que auferem um rendimento médio de 620 euros, vivendo acima das suas possibilidades com as suas vidas de luxo.

Outro exemplo, mais do que gritante, é surreal no mínimo, o governo regional da Madeira. Caso houvesse leis e sistema judicial capaz, toda a família Jardim já deveria estar presa e por muitos anos. Aquilo é uma corrupção total. Até para abrir uma loja chinesa tem de se ter a bênção da mulher jardim.
E toda a gente a ver isto e achar uma piada imensa.

No caso EDP, agora uma empresa nacional vendida ao desbarato, que foi uma das imposições da troika, que deveria ser privatizada, na verdade e ao arrepio das directivas comunitárias, foi re-nacionalizada pelo Estado chinês. Por outro lado, com argumento de ser agora uma empresa privada, ninguém tem nada a ver com escandaloso ordenado de Eduardo Catroga porque tem um currículo notável. Podia até ter 50!
Mas o que é que interessa ao agora cliente da EDP que produz um produto de primeira necessidade pagar na sua factura os investimentos que faz mundo fora para gerar lucros aos seus accionistas privados?
Bem se veja, que alguns andam a tratar da sua vida.

Muitas pessoas não têm a noção da realidade, pois vivem na azafama do seu dia-a-dia para alimentar toda esta corja. Passa ao lado o que ontem a Standard & Poor’s fez à Europa, onde nas entrelinhas é dito formalmente que Portugal não vai conseguir pagar a sua dívida sem necessitar de mais um empréstimo, que a Itália vai colapsar e não haverão fundos de resgate suficientes para ajudar a economia italiana e por aí adiante.
Fica a questão para exercitar o intelecto meio inerte – Se foram os políticos que nos levaram a este estado, será que vão ser os actuais que carregam o mesmo ADN nos irão fazer sair desta crise inventada? Obviamente que não.

Estamos a chegar ao ponto, que manifestações pacíficas, palavras de ordem ou que todos façam figas resulte numa mudança.
Estamos a chegar ao ponto, de um balázios bem metidos no meio dos olhos.
Estamos a chegar ao ponto, de pendurá-los numa forca, com julgamentos sumários.
Estamos a chegar ao ponto, de expropriar à força bens num contexto de interesses colectivos.
Dentro da convicção de que a Lei está ferida de morte, outras Leis poderão ser escritas.
Ao ponto que chegou, isto já não vai com flores…

Vejam bem…

Publicado em simultâneo Extrafísico.

O Labirinto da Conspiração: Maçonaria e Opus Dei

Há mais de 25 anos, a 30 de Junho de 1986, José Goulão escrevia na conclusão do seu livro «O Labirinto da Conspiração – P2, MÁFIA, OPUS DEI»:

«Seitas secretas atacam a Ocidente. Pela calada; mascaradas; subvertendo ideais e conceitos enraizados. Utilizando em proveito de muito poucos a generosidade e a boa-fé de milhões.

(…) O sistema transnacional de subversão está activo. Nas seitas secretas os patrões, os meios e os fins são idênticos. Só mudam os nomes e, por vezes, o estilo de actuação. (…) Os nomes comuns, as ligações, surgem a cada passo. Os ciclos conspirativos abrem-se e fecham-se no nosso dia-a-dia sem que sintamos a sua presença. E à nossa volta sucedem-se os factos surpreendentes, chocantes, inesperados, absurdos, sem que os consigamos explicar à luz dos meios de análise comuns.

Há uma sociedade secreta que condiciona a nossa vida. Não é sobrenatural; é apenas profundamente clandestina. O alerta é: a explicação de muitas situações surpreendentes e aparentemente inexplicáveis que ocorrem no nosso meio político e social pode ser encontrada nos compromissos secretos estabelecidos à sombra da interligação de seitas clandestinas que afirmam «não fazer política» ou que o seu reino «não é deste mundo». Há sempre muito que ler nas entrelinhas da política dominante a Ocidente.

Enquanto as seitas secretas actuarem incólumes, impunes, usufruindo de uma clandestinidade tolerada e até encorajada pelas classes dominantes, subservientes a interesse políticos e económicos transnacionais, continuaremos a viver em regime de liberdade vigiada e condicionada pelos inimigos da liberdade».

(sublinhados meus)

Palavras mais actuais que nunca. Palavras que ajudam a explicar o porquê de certos políticos, analistas, comentadores e jornalistas procurarem desvalorizar e até ridicularizar os recentes acontecimentos em torno da maçonaria e dos serviços secretos no nosso país.

As questões de fundo só muito raramente foram afloradas:

  • A total incapacidade da Assembleia da República em fiscalizar os serviços secretos, com todas as consequências que daí decorrem. Em democracia, só podem existir secretas com uma fiscalização eficaz. Não existindo esta, ficam em roda livre – com a cumplicidade do Parlamento, como salientava o editorial do jornal «Público» de 4 de Janeiro.

  • Muitos ex-PIDEs e ex-bufos foram chamados pelo regime democrático a integrar serviços da República onde poderiam aplicar as suas conhecidas “competências”. Quem promoveu? Quem fiscalizou? Quais as consequências?

  • É sabido que os relatórios elaborados por esses serviços eram (e são) remetidos diária, semanal e mensalmente a quem nos governa. É sabido que aí voltou a surgir o conceito de «inimigo interno». Do que se tratava (trata?)? De comunistas e seus aliados, sindicatos, associações de estudantes, comissões de trabalhadores, organizações sociais as mais diversas. Explicitamente referidos como tal.

  • É sabido que, sublinhe-se, participar, ou ter participado, nas actividades das citadas organizações era (ainda é?) condição sine qua non para ser excluído dos processos de candidatura a funcionário destes serviços.

  • E não consta que qualquer governante tenha mandado corrigir estas situações. Nem que o Conselho de Fiscalização do Serviço de Informações tenha detectado estas «anomalias». E muito menos que tenha proposto a sua correcção.

  • E, já agora, o que andam a fazer no meio das manifestações agentes policiais com comportamentos PROVOCADORES, VIOLENTOS, DE INCITAÇÃO AO CONFRONTO?

A total incapacidade da Assembleia da República em fiscalizar os serviços secretos é uma vergonha e um perigo para a democracia!

O Presidente da República, no âmbito das suas competências, não tem nada a dizer?

António Vilarigues

Um ano novo?

«Há duas maneiras de matar: uma que se designa abertamente com o verbo matar; outra, aquela que fica subentendida habitualmente sob este eufemismo delicado: “tornar a vida impossível”. É a modalidade de assassinato lento e obscuro, que requer uma multidão de cúmplices invisíveis. É um auto-de-fé sem chamas, perpetrado por uma inquisição difusa.»

Eugène D’Ors, La vie de Goya

Um outro ano será de certeza, mas porque trará por arrasto os vícios e malefícios do ano que se fina; novo, novo de certo não será.

O dito “Ano Novo” transportará no seu bojo tudo o que herdou de bom ou mau quando à nascença o seu progenitor expirar.

E não poderia ser de outro modo. Como é que na sequência deste ano caquéctico, repleto de pústulas, poderá surgir um outro escorreito, saudável, no seio do qual nos dê gosto ou seja desejável viver?

Em crescendo, às dezenas de milhar, os que sobrevivem da sua força de trabalho expressam na rua angústia e revolta; estranho seria que assim que mudasse o calendário, saltitantes, – ano novo vida nova – esquecendo os atentados de que foram vítimas durante o ano que suportaram, rasgassem a última página do calendário sorridentes, felizes.

Vive-se o desconforto das manhãs húmidas e de viscosidade que se nos cola à pele e nesse mal-estar paira um resmungar colectivo que convida ao conflito.

O descontentamento é tecido com agulhas de sofrimento, processo lento e, no entanto, seguro que atravessa horizontalmente dias, meses, anos, sem ter em conta o almanaque.

O novo ano anuncia-se, abrem-se as janelas para o ver chegar, mas perde-se o jeito de o saudar; não surge triunfante como se poderia esperar, antes sonso, desajeitado, sem o rosto da esperança ou o porte viril que nos transmitiria a confiança destroçada.

A noite está escura e o som dos camiões do lixo não são bom presságio. Ao longe ouvem-se os morteiros e a alegria manifesta-se fugaz no colorido e na luz do fogo-de-vista. Volta a escuridão sem artifícios, é a realidade que se impõe, o negrume da tristeza que acompanha a insegurança.

Adivinha-se a madrugada impenetrável. O novo dia chega-nos denso, incerto. Vultos disformes deslizam fugazes, hesitantes no caminhar sem sentido, sem destino.

O nevoeiro que se apodera de nós invade a noite. É o primeiro dia do novo ano que se anuncia. Sem horizontes.

cid simões

2012

“Quando se diz que a Humanidade chegou a um período de transformação, e que a Terra deve elevar-se na hierarquia dos mundos, não veja nestas palavras nada de místico, mas, ao contrário, a realização de uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra toda a má vontade humana”.

De acordo com os Maias e os Aztecas o Sexto Ciclo do Sol é para começar em 21/12/2012. Este Ciclo é também conhecido como a “Mudança das Eras”.
Conforme as suas previsões é para ser o início de um ciclo que é baseado na harmonia e no equilíbrio.
Ao que, o planeta Terra está a passar por uma grande mudança na percepção da consciência e da realidade.
Os Maias têm 22 calendários no total, que abrangem muitos ciclos de tempo no Universo e no Sistema Solar. Alguns desses calendários ainda não foram revelados.
O Quinto Mundo Maia terminou em 1987. O sexto mundo começa em 2012. Portanto, estamos actualmente “entre mundos”. Este tempo é chamado de “Apocalipse” ou revelando.
Isto significa que a verdade será revelada. É também o momento de se realizar transformações individuais e colectivas.

De facto, em 2007 começou um processo de catarse global de consequências imprevisíveis, independentemente das múltiplas opiniões económicas, políticas, sociais e até climatéricas. Tem ganho forma uma inevitabilidade, que é antiga e que vem dos tempos antigos, ninguém prevê o dia de amanhã, nessa linha, qualquer comentário ou previsão, tem a credibilidade que tem, muito próximo do zero.

Os Maias também dizem que em 2012 teremos ido além da tecnologia como a conhecemos. Teremos ido além do tempo e dinheiro. Teremos entrado na quinta dimensão depois de passar pela quarta dimensão.
À medida que caminhamos pela quarta dimensão efectuando nossa transformação íntima, vamos experimentando uma mudança na consciência. A quarta dimensão é mais um estado de espírito do que um lugar real.

O Planeta Terra e o Sistema Solar entrarão em sincronização galáctica com o resto do Universo. O nosso DNA sofrerá um “upgrade” (uma espécie de reprogramação) vinda do centro de nossa galáxia. Ou seja, em 2012, o plano do nosso Sistema Solar vai alinhar exactamente com o plano da nossa galáxia, a Via Láctea. Este ciclo tem leva aproximadamente 26.000 anos para se completar.

O tempo está realmente a acelerar (ou a entrar em colapso). Tempo no entanto não existe – apenas o agora existe – como todas as pessoas conscientes o sabem.
Tal como é comprovado pela Ressonância Schumann (um conjunto de picos do espectro do campo electromagnético) que é normalmente de 7,83 ciclos por segundo. No entanto, desde 1980 essa ressonância vem subindo lentamente.
Agora está em mais de 12 ciclos por segundo. Isto significa que há o equivalente a menos de 16 horas por dia em vez das antigas 24 horas. É por isso que o tempo parece estar a correr tão rápido. Pode-se dizer que não é “tempo”, mas a própria Criação, que está acelerando.

Resumindo, o tempo é relativo nas inúmeras variações; sejam físicas, espaciais e espirituais, e dentro destes em cada um também variam.
Como corolário, fica a pequena nota, de que o planeta em que vivemos e partilhamos actualmente é um pequeníssimo ponto da nossa galáxia, sem esquecer, de que existem muitas e muitas galáxias. Apenas para nos posicionarmos na nossa ordem de grandeza.

Publicado em simultâneo no Extrafísico.

# Zorze

A ladainha “Feliz Natal e Próspero Ano Novo”

E com esta frase, que se pretende mágica, vamos despachando, a torto e a direito, amigos e conhecidos ou mesmo aquele em quem tropeçámos e para reforçar as devidas desculpas, desejamos-lhe “um feliz natal e um próspero ano novo“.

Nascemos a ouvir esta ladainha e como se estivéssemos programados a expressão sai-nos assim, fria, sem conteúdo como qualquer slogan publicitário que, por obsessivo, bloqueia a sua percepção.

Das prateleiras retiram-se os bolorentos cartões de “boas-festas” com as já fastidiosas árvores de natal alindadas, despidas ou iluminadas e ainda o bonacheirão pai natal de trenó, com ou sem renas e, mais recentemente, a caixa do correio electrónico fica entulhada de megabytes de bonequinhos saltitantes ou música celestial com o mesmo refrão em todas as línguas: “feliz natal e próspero ano novo“.

A comunicação social reedita os clichés poeirentos dos anos anteriores, “o amor às criancinhas e aos velhinhos, os doentinhos retidos no leito e os detidos nos calabouços, os imigrantes e emigrantes longe dos entes queridos, os sem abrigo e os mal abrigados…” enfim, um nunca acabar de piedosas referências que nos pretendem enternecer.

E, no entanto, todos sabem que para milhões de portugueses esses votos caem em urna sem fundo. O Natal sonhado passa distante da felicidade que nos desejam e quanto ao próximo ano a prosperidade não terá lugar, principalmente para a maioria dos que trabalham, dos que se encontram em risco de serem despedidos e muito menos para os desempregados.

Este modo supérfluo de comportamento reflecte o desapego que, cada vez mais, se radica na relação para com os que nos rodeiam.

É indispensável mudar de discurso, deixar cair o bla-blá-blá das boas intenções, encarar a realidade de frente. Garantir a todos a quem nos dirigimos que podem contar connosco para encontrar um caminho justo às dificuldades que nos soçobram.

Afirmar-lhes que não baixaremos os braços na luta contra a injustiça provocada pelas classes que se apropriaram da nossa força de trabalho e com essa mais-valia nos oprimem.

Garantir-lhes que tudo faremos para travar o passo aos partidos da direita e aos mascarados de esquerda que nos têm roubado, consoada após consoada, e que, de ano para ano, nos arrastam para o fosso social que é urgente recusar.

Comprometermo-nos que seremos solidários não com palavras que o vento leva, mas com acções que ficam gravadas no tempo, abrindo caminho para um futuro de dignidade, rompendo esta sociedade desumana onde milhões de concidadãos vegetam com rendimentos de fome para que crápulas se conspurquem com milhões.

Não podemos esperar sentados por um Natal ou um Novo Ano à nossa dimensão, se humanos nos quisermos afirmar.

Cid Simões

A Europa e o Goldman Sachs

Há dias, o sítio “Cubadebate” publicou o artigo que adiante se transcreve, omitindo-se somente algumas linhas que mencionam os órgãos de comunicação ligados ao tratamento do tema e aos seus protagonistas. Não sendo já uma novidade, as espúrias e criminosas relações entre os banqueiros e os governos de serviço ao grande capital, o texto vale a leitura pelos dados informativos que fornece.

 

O Goldman Sachs é um poderoso banco estadunidense, com representação em todo o mundo. Ele ganhou fortunas apostando contra os fundos de hipotecas subprime que vendia aos seus próprios clientes e a bancos de Londres e alemães. E continuou colectando dólares e euros aos montes. O Lehman Brothers foi a pique, mas não o Goldman Sachs. E-mails trocados entre os seus principais executivos, tornados conhecidos em Abril de 2010, mostrou-os divertindo-se a provocar os clientes. David Viniar, director financeiro, gabava-se de ter ganho US $ 50 milhões em um único dia!

E punição para uma tal destruição? Muito pouco, quase nada. Pesquisa promovida pela Comissão de valores (SEC), com audições no Senado, arrastada por meses e meses e, no final, eles foram punidos (!) com uma modesta coima de US $ 550 milhões. Para continuar a operar, feliz, com derivativos financeiros, sem controles governamentais, com consultadorias e comunicações, petróleo e serviços de investimentos.

Os Citigroup e Bank Of America necessitaram do apoio financeiro de Barack Obama. O Goldman Sachs não precisou, pois tinha ganho antes da crise e continuou embolsando. No primeiro trimestre de 2010 teve lucros de US $ 3,3 bilhões. Os seus “colegas” também ganharam: o Citigroup 4.400 milhões de dólares, o JP Morgan 3.3 bilhões e o Bank of America 2.800 milhões.

O Goldman Sachs tira proveito dos antigos gestores e executivos com longos anos de serviço, que passaram a assumir cargosem governos. Osucessor de Silvio Berlusconi no Palazzo Chigi, Mario Monti, foi gerente do banco desde 2005, além de ter sido comissário europeu. Este “Super Mário” estreou-se com um pacote de ajuste, o sétimo contra os italianos nos últimos tempos. O país está super-endividado por um equivalente a 120 por cento do PIB. Berlusconi e os seus antecessores viveram numa festa, sem qualquer intervenção da Comissão Europeia, onde trabalhava Monti.  Com o “Decreto Salva Itália”, eles querem fazer um ajuste de 24.000-30.000 milhões de euros, com cada vez mais impostos, com empresas públicas a privatizar e apertando as regras do sistema de reformas (que passará a exigir 42 anos de contribuições).(…)

Outros homens seus

“Onde está o poder mundial”? A resposta deve ter um nome e um local: na sede do banco de negócios Goldman Sachs. O banco norte-americano alcançou um feito raro na história política do mundo: colocar os seus homens na cabeça de dois governos europeus e do banco que governou os destinos das políticas económicas da União Europeia. Mario Draghi, o actual Presidente do Banco Central Europeu; Mario Monti, Presidente do Conselho de Ministros italiano, que substituiu  Silvio Berlusconi; Lucas Papademos, o novo primeiro-ministro grego, todos pertencem ao conglomerado do Goldman Sachs.

Outros meios de imprensa divulgaram que Draghi era o encarregado por este banco para vender produtos financeiros “Swap” na Europa, que estiveram no cerne da crise que estalou em 2007-2008. E agora os seus patrões recompensaram-no, com uma posição-chave no continente europeu? Esses “swaps” permitiram ao governo grego a maquilhagem da sua dívida em 2000, para os seus números manipulados permitirem a entrada do país na zona euro. Vendidos por Draghi e comprados pela Grécia, o titular do Banco Central grego era Lucas Papademos, aquele que recebeu agora em Atenas o cargo de chefe de governo, após a derrocada do “socialista” Yorgos Papandreou.

É de supor que agora o titular do BCE e o premier grego estarão de acordo mais facilmente, dada a sua estreita relação e o facto de obedecerem aos mesmos chefes. Papademos estudou em universidades americanas e de lá saltou para altos postos de gestão no banco. Papandreou também foi aluno nos Estados Unidos, embora depois tenha tomado o lado da social-democracia. Os magnatas das finanças são hábeis em colocar os ovos em várias cestas. Eles apostam nos “swaps”, ADO, subprime, dólar, euro, iene, marco ou qualquer outra coisa, mas sempre saem em vantagem.

Dias atrás Papademos apresentou o enésimo plano de ajustamento para os helenos, que foi aprovado: impostos mais elevados, garantindo 7,1 por cento mais nas receitas e um corte dos de salários e seguros sociais de 5 bilhões de €. O primeiro ministro não chorou como a ministra do Trabalho italiana Elsa Fornero, ao informar as más notícias sobre estes ajustes no seu país.

As medidas na Grécia motivaram a sétima greve geral dos sindicatos que tendem a mobilizar-se activamente e a chocarem com a polícia. É um caso muito avançado em toda a Europa nos movimentos de indignados, geralmente mais passivos nesta matéria.

 

Você também, Geithner?

 

O domínio que o Banco Goldman Sachs exerce sobre os poderes políticos não é limitado às fronteiras da Europa. A sua sede foi sempreem Nova York, com tentáculos até à Casa Branca, através da Secretaria do Tesouro.

O actual ocupante desta última unidade, Timothy Geithner, foi gerente da empresa de Henry Kissinger em primeira instância, do FMI em seguida e posteriormente do Goldman. Esta semana foi para a Europa para conversar com as autoridades da União sobre como podem desactivar os “incêndios” no velho continente, antes que os próprios fogos norte-americanos se propaguem outra vez.

O Secretário do Tesouro cruzou o Atlântico para se encontrar com Draghi em Frankfurt, com as autoridades francesas, com o futuro presidente do governo de Espanha, Mariano Rajoy e mais tarde em Milão com Monti, o presidente do Conselho de Ministros italiano. Como se vê, o cartel dos Goldman´s boy´s está muito activo; ele alega estar a reparar os danos de uma crise que ele mesmo causou.

Antes de Geithner no Tesouro esteve Henry Paulson, com George W. Bush, depois de ter sido director da Goldman Sachs de1974 a1998. Paulson trabalhou com Lawrence Summers, também da equipe do banco, que foi funcionário de Bill Clinton junto com Robert Rubin, do Citibank, passando em2009 aconselheiro económico de Obama.

Por isso, alguns autores têm apontado a ligação do banco com ministros e chefes de governo. “Raposas para cuidar das galinhas: homens de Goldman Sachs tomam as rédeas da Europa”, publicou A.G. em “El Confidencial, 17/11. Aqui citou um artigo publicado no Le Monde, referindo as relações políticas entre Monti, Draghi e Papademos.

Entre os muitos vasos comunicantes desta entidade bancária com baseem Nova Yorkcom a política internacional, menciona-se também Paul Deighton, que trabalhou durante 22 anos no banco e agora é director-geral do Comité de organização dos Jogos Olímpicos de Londres 2012.”

Para quê este banco estadunidense e os colegas Citigroup, Bank Of America, etc, usam a sua influência política? O negócio está à vista. Em primeiro lugar,
para garantir a impunidade por crimes cometidos no desencadear da crise. Em segundo lugar, para garantir bons pacotes de auxílios estatais, enquanto durar a situação de emergência. E terceiro, para ganhar mais contratos com as acessórias a governos e empresas, durante a crise e a futura saída [?!] da mesma.

Enquanto isso, desmentindo todas as declarações e todos os compromissos, os controles e regulamentos para o capital financeiro e a especulação dormem algures em alguma gaveta no G-20. Achave atirou-a ao mar o Goldman Sachs e nesse mar também faz negócios: tem acções na Desiré, uma empresa britânica que procura petróleo nas Malvinas.

Da dívida soberana à perda de independência

Foi um instante… Um segundo atómico, que se está a tornar explosivo…

A questão que se põe é, e os imponderáveis e todas as variáveis que se colocam em momentos incertos no futuro próximo?
Se constatarmos que existe uma Agenda nesta crise presente, pois ela vai crescendo ponto-a-ponto, onde se vai percebendo que existe uma espécie de mão inteligente que a vai guiando, não de forma desordenada, não de forma atabalhoada, sem rostos e nomes que por detrás dos governos eleitos “formalmente”, das agências de rating e dos gestores dos grandes fundos de investimento que operam nos mercados, foram calculados os riscos da imprevisibilidade das consequências que poderão gerar esta linha de actuação?

Mesmo considerando as mais variadas teorias de conspiração, existe um campo vastíssimo para a mais pura incerteza, imprevisível e até, caótica dos tempos que nos aguardam brevemente. Os actuais líderes europeus, parecem baratinhas tontas, tentando cada um mostrar-se mais inteligente do que o outro, nos quais se sub-entende que navegam completamente à vista, manietados, pelos sistemas legais que fomentaram. Hiper-endividados, por força da ilusão de criarem uma moeda única que lhes daria mais força negocial junto dos tais mercados, onde se transaccionam milhões e milhões de dinheiro virtual por dia, sem se saber as respectivas proveniências do dinheiro. Tanto pode ser um fundo de pensões de uma grande empresa estatal, como de um grande mafioso que movimenta mulheres afectas à actividade de prostituição, ou de comércio de orgãos humanos para transplante, ou tráfico de droga e armas, ou até de serviços secretos institucionalizados que recebem “rendas” para espécies de máfias operarem. Ninguém sabe ao certo, por força da complexização dos sistemas legais, do brutal desenvolvimento do “online-transaction” e das zonas off-shores onde os grandes escritórios de advogados blindam labíriticamente os rastos das proveniências do dinheiro e que fazem com que o dinheiro seja todo legal.

Por exemplo, no passado mês de Novembro, onde o Estado português, subjugado aos mercados, pois não tem o tal dinheiro, para pagar os salários e o subsídio de Natal – já com a redução – teve de se financiar. Por outras palavras, com a completa desregulação dos mercados, fruto das políticas neo-liberais seguidas a nível mundial, o funcionário público português tem no seu bolso, muito provavelmente, dinheiro manchado de sangue, oriundo de actividades criminais, branqueado através do financiamento internacional, de forma legal e pronto a voltar ao circuito, através das promoções do Jumbo e do Continente, do bacalhau para a noite de Natal, para os empréstimos que têm de pagar, o seguro do carro, a playstation para o míudo que até teve boas notas no sistema de ensino que o induz sub-liminarmente a ser carne para canhão das grandes multinacionais em vez de o ensinar a pensar.

Na verdade, todo o sistema económico/financeiro está profundamente desequilibrado e desestruturado, assente em linhas muito frágeis de desresponsabilização política por via da ilusão de que os mercados se regulam por si mesmo. Tal como as leis da natureza da procura e da oferta, ou seja, a lei da selva. Abdicou-se da inteligência, na parte organizacional e passamos cada vez mais a viver como macacos na selva, abrigados nas cavernas e nas copas das árvores à espera que a chuva passe e procurar depois comida onde ela seja abundante. Mascaramos este estado primitivo com os gadgets científicos que vamos produzindo; desde telemóveis, computadores, fármacos e automóveis, por exemplo. Na base comportamental, ainda não conseguimos, apesar dos avanços cognitivos, organizar-mo-nos colectivamente.

O exemplo mais gritante, não esquecendo “en passant” os intermédios como o drama dos salários em atraso, o drama de pedir comida, a tragédia de como alimentar os filhos no dia seguinte, à eliminação da personalidade no trabalho para manter o emprego ao ponto de prostituir a alma, é haver destruição de comida para manter os preços de mercado do produto quando existem milhões de pessoas, por outro lado, a morrerem por consequência da sub-nutrição. Não somos mais do que uma macacada um bocadinho mais evoluída. E ainda por cima, foi a de pior linhagem que evoluiu. Na verdade somos uns teóricos, que forramos as estantes das bibliotecas com livros cheios de ideias e teorias, mas que na prática esquecemos a lógica e o bom-senso racional. Em boa verdade, somos uma bicharada num esquizofrénico frenesim, a corrermos de um lado para o outro, sem sabermos muito bem o que é que andamos aqui a fazer.

Publicado em simultâneo no Extrafísico.

# Zorze

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