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O Estado venezuelano fechou a aquisição da totalidade do Banco da Venezuela ao espanhol Banco Santander a troco de uma contrapartida de 755 milhões de euros, com 60 por cento da verba a ser paga de imediato.

O capital do Banco da Venezuela passa agora para as mãos do Banco de Desenvolvimento Económico e Social da Venezuela, uma instituição financeira pública da República da Venezuela, e os restantes 40 por cento do montante global de 755 milhões de euros (1.050 milhões de dólares) acordado serão pagos até Dezembro.

Hugo Chávez disse há cerca de dois meses que a nacionalização do Banco da Venezuela “faz parte do processo de avanço do socialismo” e que a sua incorporação estatal permite ter um “instrumento” para seguir com a estratégia do socialismo na Venezuela.

O anúncio das negociações com o Banco da Venezuela, nas mãos do Santander desde Dezembro de 1996, foi feito por Chávez no final de Julho do ano passado.
Depois de vários meses de conversações, a crise económica ditou um interregno do processo, ainda que o presidente venezuelano tenha garantido em Março último que a nacionalização seguiria em frente, reforçando a intenção em Maio e finalizando o negócio no início de Julho.

» Vejam como se faz…

A Encruzilhada

Compreender e explicar os fenómenos que ocorrem nas nossas vidas é-nos fundamental. Muitas concepções se desenvolveram na história da humanidade até hoje possuirmos aquilo que chamamos de materialismo dialéctico. Para explicar aquilo que muitas vezes as palavras parecem não ajudar, usam-se imagens, analogias, e surgem lendas.

Uma dessas mais interessantes imagens desenvolveu-se no seio do blues: The Crossroads, cuja melhor tradução será, encruzilhadas. Robert Jonhson no seu caminho teria, como que descido aos infernos, cruzado num desses cruzamentos-encruzilhadas o Diabo, ressurgindo como um talentoso bluesman… É certo que muitas interpretações se podem tirar daqui, mas quem nunca teve mergulhado numa destas inadiáveis escolhas, perdido, sem saber que caminho percorrer?

Na Bíblia, em religiões orientais, imagens semelhantes são constantemente usadas; na psicanálise, quando se aprofunda a psique duma pessoa para que possa ela própria “renascer”, e muitas mais áreas da nossa vida encontramos exemplos deste tipo de momento crítico.

Muito mais frequentemente que Robert Johnson, o capitalismo parece conviver constantemente com o Diabo num dos muitos cruzamentos e entroncamentos que percorre. A encruzilhada acentua-se, progressivamente a classe dos capitalistas necessita de reduzir o poder de compra da classe trabalhadora, ao mesmo tempo que também precisa que estes lhes comprem mais e mais. Dão-se as crises!, e percorrer outros caminhos torna-se mais inadiável.

A crise e a classe trabalhadora

Como é sabido, duma crise do capitalismo decorre a destruição de forças produtivas e, com isso, do emprego existente. O direito ao trabalho – consagrado na nossa Constituição, diga-se – é colocado em causa a pretexto da impossibilidade de manter as empresas a produzir. Exige-se assim que os trabalhadores paguem a crise que o sistema criou! Como se não existissem responsabilidades políticas e sociais a assumir!

Quando os trabalhadores de alguma empresa acedem a reduzir os seus salários ou a cortar nos seus direitos (erros de vocabulário: benesses, regalias) estão, além de aumentar a sua exploração, a forçar que o mesmo aconteça a todos os outros. Aqui surge a concorrência entre trabalhadores, que soluciona a curto prazo algumas necessidades dos capitalistas, mas onde a perda de poder de compra se torna a longo prazo numa tremenda encruzilhada. Surge também, e de forma recorrente ao longo da história, os apelos à colaboração entre classes.

Levantam-se algumas questões: Como podem os trabalhadores exigir aumentos em tempo de crise? Devem os trabalhadores aceitar os despedimentos, os laying-off’s e as reduções de horário devido às dificuldades que se experimentam? Deve-se defender a manutenção dos postos de trabalho a todo o custo nesta altura, deixando para outra ocasião a discussão das condições em que tal troca se processa? Podem os sindicatos continuar a funcionar como nos períodos de prosperidade do sistema, ou devem alterar os seus objectivos e a sua táctica?

Não, estas questões não são novas; mas são actuais e cremos que é pertinente discuti-las no decurso da luta ideológica e política presente. Também as respostas que os comunistas lhes dão não são segredo; são é deturpadas e truncadas pela ideologia e pelo discurso dominante.

A legitimidade da defesa dos nossos direitos

E fica aqui as nossas primeiras observações nesta série de posts que pretendemos dedicar a estas questões: os trabalhadores só são considerados responsáveis e sérios nas suas exigências e acções quando estas obedecem aos interesses dominantes. Enquanto a exploração do trabalho é objectivamente aprofundada e as margens de lucro não são postas em causa – enquanto a empresa for saudável… para alguns – qualquer expressão sindical ou movimento organizado de trabalhadores será visto com bons olhos.

E é com toda a actualidade que esta negação da classe trabalhadora como sujeito histórico consciente se joga: na encruzilhada os nossos “amigos” patrões e ministros já traçaram o caminho que devemos escolher.

Encontrar-nos-emos na Encruzilhada!

# Colectivo Leitura Capital

Duas notícias recentes são bem reveladoras da actual situação mundial do sistema capitalista e da dimensão do cataclismo social que se abate sobre os povos sujeitos à desapiedada dominação imperialista:

- O sector financeiro internacional recebeu, apenas em 2008, quase dez vezes mais recursos públicos do que todos os países pobres do planeta nos últimos cinquenta anos. O dado foi divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), na campanha Metas do Milénio, destinada a combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto os países pobres receberam, ao longo de meio século, cerca de US$ 2 trilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 trilhões em ajuda pública.

- A ONU alertou que a crise económica mundial piorará ainda mais a situação dos países mais pobres, lembrando que, na semana passada, a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou que a crise deixará cerca de 1 bilião de pessoas passando fome no mundo.Do total de pessoas subnutridas hoje no mundo, 642 concentram-se na Ásia e na região do Pacífico e outras 265 milhões vivem na África Subsariana. Na América Latina e Caribe, esse número é de 53 milhões de pessoas.

A dimensão da drenagem das colossais verbas retiradas aos orçamentos dos Estados capitalistas, para entrega ao capital financeiro especulador que os dirige, atingiu dimensões inimagináveis apesar de nada resolver, como há muito se sabe. A crise estrutural do capitalismo segue o seu curso destrutivo, perante a incapacidade de auto-reforma do sistema. Sucedem-se no calendário as reuniões dos representantes das maiores potências capitalistas – G-20, G-8, BRIC’s -, todos disputando o maior quinhão no processo de redistribuição de recursos e poderes que a crise precipitou, mas totalmente incapazes de solucionar os enormes estrangulamentos económico-financeiros operados pela profunda crise sistémica em desenvolvimento. A lógica interna do capitalismo – insaciável, depredador, concentracionário, anti-democrático – impossibilita a “reforma” com que ainda sonham muitos democratas “distraídos”, persuadidos pela campanha mediática que tudo vai acabar em bem. E, de facto, nada acabará bem no âmbito estrito e restrito dos marcos do capitalismo. Aliás, o sistema nunca esteve tão fraco e indefeso como o está na actualidade: a reforma do FMI e das instituições de governação mundial anunciada no G20 de Londres permanece letra morta; o G8, de novo reunido nestes dias, parece cada vez mais um clube moribundo, com os seus membros digladiando-se e contestando a sua própria existência; a liderança americana, enfraquecida, tenta perigosa e desesperadamente, pela via militar e pelo contínuo recurso a manobras e acções desestabilizadoras, conservar o seu anterior domínio incontestado (vide o seu envolvimento no golpe nas Honduras); o sistema monetário mundial está em plena desintegração com a Rússia e a China, nomeadamente, a actuarem para derrubarem a hegemonia do dólar; as grandes empresas monopolistas, a par da estratégia de sugarem o máximo de fundos financeiros públicos, aumentam os despedimentos e degradam as condições de trabalho, enquanto em cada mês milhares de pequenas e médias encerram, com um efeito multiplicador no aumento do desemprego; os Estados vacilam sob o peso da dívida que acumularam para “salvar bancos” e numerosos deles correm o risco real da sua própria falência. Para retomar o processo de extorsão do dinheiro dos poupadores crédulos, nestes últimos meses tem-se assistido a uma persistente campanha de “embelezamento” dos mercados financeiros, mas a dura perspectiva das insolvências em breve retornará, porque nenhuma operação financeira poderá substituir a real e generalizada degradação das capacidades produtivas na generalidade dos países integrantes do sistema.

A estimativa da queda do PIB global em 2009, realizada pelo Banco Mundial, acaba de ser corrigida de -1,7%, em Março, para -2,9%, no final de Junho. Segundo os dados divulgados pela OCDE, quanto as estimativas de crescimento do PIB para este ano e para 2010 revelam este cenário de queda assim, com saldo positivo, a China crescerá 7,7% este ano e 9,3% no próximo; a Índia, respectivamente, 5,9% e 7,2%; o Brasil pouco mais que 0% e 4%; a Rússia continuará e regredir e talvez atinja saldo positivo em 2010. Em, contrapartida os países do centro do capitalismo, neste ano de 2009, continuarão mergulhados na recessão: os EUA recuarão -2,8% , a Zona Euro deverá afundar -4,8% e o Japão -6,8%.

As consequências sociais serão devastadoras. No decurso deste ano mais 40 milhões de seres humanos passarão fome; quatrocentas mil crianças, até aos 5 anos de idade, deverão morrer vítimas de desnutrição; na América Latina, 40 milhões de pessoas são obrigadas a sobreviver com 1,25 dólares por dia.

No último Boletim do GEAB, afirmava-se: “Para centenas de milhões de habitantes da América, Europa, Ásia e África, o Verão de 2009 vai ser uma terrível transição rumo a um empobrecimento duradouro devido à perda do seu emprego sem perspectiva de reencontrar outro antes de dois, três ou quatro anos; ou devido à evaporação das suas economias aplicadas directamente na bolsa, em fundos de aposentadoria por capitalização ou em aplicações bancárias ligadas à bolsa ou denominadas em US dólar ou na libra britânica; ou ainda devido ao seu investimento em empresas forçadas a aguardar desesperadamente uma melhoria da situação que não se verificará antes de longo tempo.”

Face à recusa da adopção de medidas efectivas de apoio à produção e à efectiva criação de riqueza, estas expectativas negativas são infelizmente bem verosímeis.

A grande lição – e conclusão – que podemos tirar deste panorama sobre a realidade do capitalismo contemporâneo parece óbvia, por muito desagradável que possa surgir aos olhos dos mais “ingénuos” e “distraídos” elementos da esquerda: na actualidade, na qual nos cabe viver e lutar, o capitalismo tornou-se irreformável, incapaz de inverter a sua marcha para o abismo, arrastando com ele a Humanidade, os trabalhadores e os povos que explora, subjuga e humilha. O socialismo vai perdendo as suas características utópicas e emerge, cada dia com mais força, como o sistema social e político portador do novo, do transformador, o único capaz de mobilizar os assalariados e os povos para um projecto revolucionário e inovador, libertando as imensas energias e capacidades criadoras dos homens por todo o planeta. Para o concretizar, o papel principal cabe aos revolucionários, aos homens e mulheres consequentes e coerentes, lançados nessa aventura exaltante de, contra todos os obstáculos e ardis que o inimigo n° 1 da Humanidade continuará a esgrimir, apontarem aos seus iguais – sem soberba nem ambições pessoais – o caminho da revolução.

Parafraseando o dito recente de um camarada, o “tratamento” do capitalismo é geriátrico, enquanto a construção do socialismo é um empolgante e enriquecedor trabalho pediátrico.

 Julio Filipe

O Conselho Português para a Paz e Cooperação realizou mais uma vez, por altura da Páscoa de 2009, uma Caravana de Solidariedade à República Árabe Saharaui Democrática, com o objectivo de visitar os campos de refugiados localizados em Tinduf e avaliar as condições actuais em que resiste o povo do Sahara Ocidental, por forma a reforçar a divulgação e sensibilização da opinião pública portuguesa face a este flagelo.

Os participantes levaram consigo algumas doações de materiais, recolhidas de entre amigos, familiares e simpatizantes/activistas do CPPC, essencialmente medicamentos e material escolar.

A recepção que tiveram foi calorosa e os materiais, mesmo em pequena quantidade foram recebidos com enorme satisfação por todos.

Um dos participantes enviou-me as fotos que tirou e deu-me autorização para as divulgar:

Sahara 2009

Podem ser vistas mais fotos da viagem e testemunhos em http://cppcsaharaui.blogspot.com/ .

General Zé
http://abruzolhos.blogspot.com

«Teremos de nos arrepender nesta geração não somente pelas odiosas palavras e actos das pessoas más, mas pelo silêncio aterrador das pessoas boas»

Martin Luther King

No viver cinzento do dia-a-dia, brota a apatia que debilita os sentimentos de fraternidade de que a civilidade se nutre e o individualismo se exacerba.

Olhamo-nos sem nos vermos como iguais que somos, deveríamos ser, e seguimos em frente, as mais das vezes, sem destino previamente definido.

Dividem-nos por etnias, idades, sexos, capacidades e outras forjadas diferenças, fomentando conflitos sem sentido.

Luta-se pela sobrevivência, recorrendo a meios menos próprios.

A opinião pública é a opinião publicada” por uma minoria portentosa, ideologicamente bem definida e cientificamente organizada, detentora de todos os meios de comunicação que moldam, sem escrúpulos e a seu favor, o comportamento dos cidadãos, incutindo-lhes como valor primeiro o respeito pelas regras por eles próprios estabelecidas.

Qualquer sussurro de protesto é considerado como desrespeito pelas leis vigentes, um insulto à democracia que, agastada, impõe coercivamente, se necessário, o silêncio indispensável, segundo eles, ao bem comum; aplacar as almas e os espíritos e manter silenciados quaisquer protestos é a preocupação de uma minoria de ferocidade comprovada.

Há, é certo, malformações em muitos indivíduos, grassam a inveja e as vaidades que mais não são que pretensas alavancas para se guindarem a um estatuto social que permita macaquear aqueles que muito possuem; não obstante, a grande maioria é gente boa, disponível, sempre presente nos momentos difíceis de qualquer um de nós.

Mas porque lhes fazem crer que a democracia reside unicamente em votar e ir para casa, vão perdendo o exercício de levantar a voz até para as pequenas injustiças diárias: é o esperto que na bicha não respeita a sua vez, sem que ninguém o chame à ordem; o colega maltratado pelo chefe com a aparente indiferença geral; a luz, a água e o pão que sofrem aumentos criminosos e, curvados, recebem o golpe em silêncio; é o escárnio com que a mentira se apresenta, acabando por ser aceite como natural: “o pelotão da frente”, os milhares de novos postos de trabalho que se transformam em mais desemprego.

É forçoso não esquecer como funciona o conto-do-vigário eleitoral.

É este silêncio que incomoda, que fere, que amedronta, este “comer e calar”, o aceitar a injustiça que se abate sobre os mais fracos, sabendo que o silêncio dos fracos é o pilar dos poderosos e que a injustiça se nutre do silêncio dos injustiçados, tal como a exploração vive do silêncio dos explorados!

Há os que resistem; e porque nunca nos calaremos e o nosso silêncio só se imporá com a mordaça final, continuaremos a juntar a nossa voz a muitos, muitos mais, não esquecendo a do Poeta que há vinte e um anos nos deixou:

Caiu sobre o país uma cortina de silêncio

a voz distingue o homem mas há homens que

não querem que os demais se elevem sobre os animais

e o que aos outros falta têm eles a mais.

Obrigado, Ruy Belo!

Sabes poeta amigo que a “cortina de silêncio” se rasgou e que de punho erguido mais de duzentos mil clamaram nas ruas por justiça?

Cid Simões

Com música de Arrigo Barnabé, o Bartok Brasileiro, decidi entitular este trecho como acredito quererem os “tubarões” tornar a nossa realidade.

(excerto do vídeo tubarões voadores)

 

A revolução é hoje!

«Muito mais ambição para Aljustrel» – este é o slogan com que o PS cá da terra invade a vila e as aldeias do concelho. não sei ao que se referem, e penso mesmo que utilizam as palavras como jogo simples de quem quer tapar – através delas – «o sol com a peneira». Mas continuam, e dizem que é necessária uma melhor politica social para os aljustralenses. entre todas as barbaridades selecciono esta. «melhor politica social» para os aljustralenses. devem estar a referir-se à enorme gaffe que foi para este Governo a atribulada história da prometida reabertura da mina… devem estar a referir-se aos seus próprios colegas de partido e de poder que, em quatro anos e meio, defendendo de facto o grande capital através das politicas da direita – se isto é esquerda moderna então deixem-me ser antiquado!- arrasaram com milhares e milhares de postos de trabalho, dificultaram e elitizaram o acesso à saúde e à educação. Pois bem, mas em Aljustrel, a candidatura de Nelson Brito (assim se chama «a coisa» – o símbolo do PS aparece muito pequenino ao fundo do cartaz (afinal parece que sabem o que fizeram!)) exige uma melhor politica social por parte da autarquia e reivindica-se em condições de, por isso, assumir os destinos da edilidade para os próximos quatro anos! Basta sair à rua, falar com a população, para perceber: melhores infraestruturas desportivas, culturais e sociais (dezenas de habitações de famílias carenciadas, p.e., foram nos últimos anos restauradas com verbas e mão-de-obra da autarquia) – nós fizemos!. Desemprego, encerramento da mina, mais pobreza e precariedade – eles fizeram!
Ainda assim, eles exigem poder. mais poder. e tentam enganar-nos, como se fosse possível separar o local do nacional! Mais politicas sociais, vociferam! sim, estamos a ver quais, obrigadinho!
Mas, dizia-vos, eles sabem bem o que fazem e no que se metem. depois de terem sido desmentidos e desautorizados pela luding mining – o governo garantiu exploração para dez anos, a mina esteve aberta quase um! – o Ministro da economia veio cá, ao clube da terra – dirigido, à data (haja deus!) por este mesmo Nelson Brito- entregar um cheque de uns milhares de euros por parte da … EDP! (levou uma assobiadela monumental da massa associativa, mas isso eles não contam!).
Ontem, no parlamento, quando confrontado com este facto, reflexo da promiscuidade que existe entre os meios do Governo e a campanha eleitoral do PS, o sr Pinho fez o que fez…
Em Aljustrel já se brinca. o que eles querem é afinal, MUUUUUUUU-ITO MAIS AMBIÇÃO PARA ALJUSTREL!

#Ant. lains galamba

Talvez nem todos saibam, mas nos idos de 1969, um grupo de pescadores, da Meia Praia, em Lagos, Algarve, Portugal, decidiu substituir as barracas improvisadas de colmo e canas que habitavam por casas.

Iniciaram a construção do Bairro e foram impedidos. Ficaram eternamente conhecidos por índios da Meia Praia, através da voz de Zeca Afonso.

Mais tarde após o 25 de Abril, puderam construir o Bairro a que orgulhosamente chamaram de “Bairro 25 de Abril”, para além da autorização, do nome, o Governo de Vasco Gonçalves atribui-lhes ainda noventa mil escudos a fundo perdido.

Hoje o Índios da Meia Praia encontram-se lentamente rodeados de projectos turísticos luxuosos, pretendiam a requalificação do Bairro, como zona piscatória de interesse turístico, mas não é isso que o Poder Central e Local pretende, pretendem apagar, apagar a nobreza dos índios da Meia Praia e do Bairro 25 Abril, realojando os habitantes noutros Bairros Sociais na periferia, para que assim seja a Meia Praia usufruída apenas pelos utentes do Hotel de 4 Estrelas dedicado à Moda, Vila Galé, já inaugurado e que custou 30 milhões de Euros, bem como mais sete projectados, sendo três dos quais considerados pelo Governo Projectos de Potencial Interesse Nacional (PIN). 

Lentamente tubarões vão-nos abocanhando a Costa, Tróia na prática é quase privada, preparam-se a fazer o mesmo na Costa Vicentina, alguns Resorts do Algarve já tem acessos privados a praias.

O turismo pode e deve ser uma indústria sustentável para o futuro de Portugal, e até poder ser como o sol quando nasce, para todos.

(o video não é dos melhores mas importante é a canção)

#Ana Camarra

Quando no ano de 1747, o cidadão Irlandês John Beare, transferiu de Coina (Barreiro) para a Marinha Grande, a Real Fábrica de Vidros, certamente nunca lhe passou pela cabeça, que iria contribuir, para a criação de um dos maiores bastiões das lutas operárias em Portugal.

 

A Marinha Grande é uma cidade, que foi primeiro de lenhadores, depois de vidreiros. Ao contrário de outras cidades e vilas de Portugal, que nasceram e cresceram à volta de uma igreja ou castelo, a Marinha Grande cresceu e desenvolveu-se em redor de uma fábrica de vidros.

Mas foi com Guilherme Stephens, que adquiriu a empresa em 1769 que começou o desenvolvimento do vidro na Marinha Grande, embora o seu apogeu se tivesse dado nos finais do século XIX princípios do século XX.

Em 1920, estavam em laboração na Marinha Grande, dez fábricas de vidro, quatro em construção e uma projectada.

Hoje a realidade é bem diferente

Para se poder analisar os números da crise que têm atingido o sector vidreiro, no subsector da cristalaria, apresento de seguida alguns dados para reflexão.

Nas décadas de 70 e 80, trabalhavam no sector cerca de 4000 trabalhadores. Só a Ivima, antes da crise de 1985/1986, tinha 1400 empregados.

Entre 1992 e 2006 encerraram 14 empresas de produção de vidro, entre elas a M.P.Roldão, empresa emblemática das lutas operárias e a Marividros, empresa onde trabalhei 18 anos. Foram cerca de 2160 postos de trabalho que se perderam, são inúmeros os casos em que esta situação atingiu famílias inteiras.

 

A própria Real Fábrica de Vidros, que a partir de 1954, tinha mudado o seu nome para F.E.I.S. foi encerrada por decisão do Conselho de Ministros em 15 de Maio de 1992. Era então Primeiro-ministro, o actual Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva.

A Marinha Grande, jamais lhe irá perdoar!…

Com o encerramento da Fábrica Escola Irmãos Stephens, a Marinha Grande ficou órfão de pai e mãe. Este sentimento não é só meu, é o sentimento de milhares de Marinhenses, ou dos que não sendo Marinhenses, grupo onde eu próprio me incluo, foram adoptados por esta maravilhosa terra.

 

Esta é a primeira vez que colaboro com o blog cheira-me a revolução, comecei por escrever algumas linhas sobre o vidro e a Marinha Grande, sou um filho adoptivo desta terra, mas tenho um enorme orgulho pela sua história, pelo seu passado e presente de luta.

 

No dia 13 de Junho de 2005, Portugal viu partir um dos seus melhores filhos, a classe operária, os trabalhadores portugueses ficaram sem a presença física de um dos maiores dirigentes do Movimento Comunista internacional.

 Neste 4º aniversário da sua morte não quero deixar de deixar a minha homenagem e dizer-lhe onde quer que se encontre, que a luta continua.

Deixo também algumas partes do discurso, que o Camarada Álvaro Cunhal proferiu no dia 18 de Janeiro de 1975 na Marinha Grande.

          

“ Fiéis ao legado dos operários vidreiros que em 18 de Janeiro de 1934, pela sua acção heróica escreveram uma das mais importantes páginas da luta dos trabalhadores portugueses contra o fascismo, sucessivas gerações de marinhenses deram, com a sua luta perseverante, uma inestimável contribuição para que o povo português, derrubada a ditadura em 25 de Abril de 1974, pudesse finalmente viver em liberdade.

A classe operária e o povo da Marinha Grande pagaram um pesado tributo pelo seu espírito indomável, pela sua fidelidade à causa dos revolucionários do 18 de Janeiro, pelo seu apego à liberdade e ao socialismo.

«Marinha Grande é um nome escrito a ouro na história do movimento operário português. Melhor se pode dizer: escrito com lágrimas e sangue.

Porque a luta dos trabalhadores da Marinha Grande ao longo de 50 anos de fascismo foi paga com pesadas perdas, com perseguições, torturas, prisões, com o assassínio e a deportação de muitos dos seus melhores filhos, com séculos passados nas masmorras fascistas por muitos anos, com privações e sacrifícios silenciosos e anónimos das famílias dos militantes, educadas na mesma escola de elevada consciência de classe e incansável combatividade.

As tradições de luta do proletariado da Marinha Grande são inseparáveis da actividade dos comunistas. A classe forjou a sua vanguarda revolucionária – a vanguarda revolucionária (os comunistas) soube estar à altura da classe.”

(Do discurso de Álvaro Cunhal no comício do PCP, a 18 de Janeiro de 1975, na Marinha Grande, nas primeiras comemorações do 18 de Janeiro, em liberdade).

 Monumento ao Movimento Revolucionário de 18 de Janeiro de 1934

Manuela Ferreira Leite faz de conta que vai ignorar a política social de José Sócrates. Não diz, nem aponta o que acha que está mal, muito menos o que se propõem mudar ou fazer de novo. Nem sequer se referiu ao famigerado Código de Trabalho do governo PS, logo é muito natural que uma vez chegada ao poder o deixe estar inalterável, que nem sequer o substitua pelo anterior, de um governo do seu partido, menos penalizante, diga-se em abono da verdade, para os trabalhadores do que o dos “socialistas”.

Deve dizer-se que este código de trabalho além de traduzir uma perda enorme de direitos que deveriam ser inalienáveis implica um enorme retrocesso, direi, civilizacional. Logo, falar em melhorar politicas sociais, ou criticá-las, sem se lhe fazer alusão é fazer de conta que…pinoquio.jpg[1]

Quem também fez de conta que o código de trabalho não existe e que os trabalhadores não foram, nem são nem serão por ele penalizados foi o Bloco de Esquerda. Pelo menos conseguiu fazer um congresso, ou convenção, ou lá como eles lhe chamam, sem lhe ter feito uma referência por muito pequena que fosse. É obra.

José Sócrates acusa a direita de não ter programa. Está nitidamente a fazer de conta que. Pois como ele sabe, e muito bem apesar de dar jeito fingir que não, a Direita sempre esteve muito bem servida com os governos do “partido socialista”. Tirando-lhe o espaço político que lhe pertence pela ordem natural das coisas, estando o grande capital muito bem sossegado com a guarda pretoriana que, no fundo, o “ps” para ele representa, para quê perder tempo em elaborar programas, se tem quem lhe os faça?

O presidente Cavaco Silva faz de conta que não consegue imaginar “algo mais importante para os superiores interesses de Portugal do que a escolha de um português para presidente da Comissão Europeia”. Pois. Com o aparelho produtivo desmantelado, mais de meio milhão de desempregados, as desigualdades sociais a crescerem, a pobreza a alastrar, as escandaleiras da banca… bem, chega, senão nunca mais daqui saía.

E tenho de fazer de conta que acabei de escrever a crónica.

 # alex campos

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